Em primeira pessoa

Sob o sol da floresta de Sherwood

por Helena Gomes
8 de outubro de 2014


DoctorWhoS8E3Um episódio no melhor estilo Onze homens e um segredo. Outro, de suspense. O seguinte, aquela aventura cheia de emoção. Depois, terror para dar pesadelos durante a madrugada. E assim as possibilidades vão se misturando em um único universo considerado ficção científica.

Essa alternância de possibilidades é uma das estratégias da cultuada série Doctor Who, que comecei a assistir a partir da quinta temporada. Ela permite renovar e reinventar fórmulas que, em diferentes combinações, fazem de tudo para evitar o desgaste natural de um seriado com mais de cinquenta anos de existência.

O mais curioso foi perceber como eu mesma utilizo esse tipo de mistura na minha série A Caverna de Cristais, que está sendo lançada em e-book pela Rocco Jovens Leitores. Mas a ficha só caiu mesmo quando vi juntos, no mesmo episódio, o Doctor e o arqueiro por quem sou apaixonada desde a adolescência: Robin Hood.

O_arqueiro e a feiticeiraSegundo a lenda, esse herói medieval e seu bando viviam escondidos na floresta de Sherwood, na Inglaterra, onde roubavam os nobres para depois distribuírem suas riquezas aos pobres. Eram ladrões idealistas, em ferrenha oposição ao violento governo do ambicioso príncipe João. No episódio Robot of Sherwood (assista ao trailer), a história é revista a partir de um bom e divertido roteiro, com excelentes diálogos travados entre o ranzinza Doctor, vivido pelo carismático ator Peter Capaldi, e o personagem de Tom Riley, que faz uma bela homenagem a Errol Flynn ao recriar um Robin Hood igualzinho ao dos filmes de antigamente.

Não tive como não pensar nas inúmeras referências nerds do seriado e, principalmente, no meu querido personagem Thomas, de O arqueiro e a feiticeira, primeiro e-book de A Caverna de Cristais… Ficha caída, análise feita e meu enorme sorriso de satisfação, lembrando as escolhas que fiz em 2001, quando comecei a escrever essa série que mistura fantasia e ficção científica.

Sabe, liberdade de criação é o que o conceito significa: liberdade. Se um escritor se prender a “cartilhas” que pregam o que é permitido ou proibido, ele jamais poderá criar em paz. E nesses tempos conservadores em que vivemos, com análises rasas e simplificadoras que condenam ou absolvem sem um julgamento mais profundo, não há nada pior do que trabalhar amordaçado.

É por essas e outras que gosto de Doctor Who. Onde mais você encontraria uma máquina do tempo, em formato de cabine telefônica inglesa, iluminada pelo sol de uma tarde bucólica na mítica floresta de Sherwood?

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Helena Gomes - escritoraHelena Gomes

Jornalista, escritora e professora universitária, Helena é autora de O Arqueiro e a Feiticeira (2014), A Aliança dos Povos (2014) e dos contos A herança da bruxa e O Primeiro Guerreiro (2014), da série A Caverna de Cristais. Este mês, Helena lança  O Despertar do Dragão, terceiro volume da série. Sua obra inclui ainda outros títulos de literatura fantástica como Lobo Alpha (2006) e Código Criatura (2009).

 

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