Entrevista

Memórias do futuro

Marco Lucchesi apresenta coleção para jovens leitores
2 de fevereiro de 2015


As ultimas cartas de Jacopo Ortis_jacopo

“A imaginação ama se distanciar nos séculos e possuir outro universo”, diz Jacopo Ortis, protagonista do lançamento As últimas cartas de Jacopo Ortis. O comentário, em referência às histórias de Licurgo e Timoleão, curiosamente poderia se referir à coleção Memórias do Futuro e seu resgate de obras, inéditas ou pouca conhecidas do público jovem, que ultrapassam fronteiras geográficas e temporais.

Organizada pelo poeta, escritor e acadêmico Marco Lucchesi, Memórias do Futuro estreia com o livro de Ugo Foscolo, o primeiro romance epistolar da literatura italiana. A trágica história de um jovem desiludido com o amor e a sonho fracassado de uma Itália unificada. O personagem Jacopo Ortis é, afirma Lucchesi na apresentação do livro, “o retrato de uma geração ferida em seus ideais”.

Em entrevista ao blog, o organizador de Memórias do Futuro fala sobre as principais características da coleção e sua importância, clássicos da literatura mundial e inquietações da juventude comuns no século XVIII e nos tempos de hoje. Confira:

MARCO LUCCHESIAs últimas cartas de Jacopo Ortis é o primeiro livro da coleção Memórias do Futuro, organizada por você para o selo Rocco Jovens Leitores. Quais são as principais características da coleção e qual a sua importância para o jovem leitor brasileiro?
A coleção foi pensada com todo o cuidado, respeitando a sensibilidade e a inteligência dos jovens leitores, abrindo uma janela, capaz de incluir o passado para se chegar até o presente. E a dimensão da utopia, da construção do futuro, de uma aventura fascinante, cheia de riscos e de possíveis acertos ou desenganos. Por isso, a ideia de Memórias do Futuro, porque o clássico se inscreve numa memória sempre aberta, para novas gerações. Para o leitor brasileiro, é interessante abrir-se para novas geografias literárias.

Embora escritas no século XVIII,  as cartas de Jacopo Ortis mostram um jovem vivenciando sentimentos atemporais como desilusão política e decepção amorosa. De que forma o jovem de hoje pode se identificar com o protagonista de Ugo Foscolo?
É verdade. Trata-se de abrir diálogo com Ortis, dividindo com ele sua esperança e desilusão, pois é preciso lidar com esse aspecto misto, que faz parte do exercício de viver. Mas sobretudo é um retrato da inquietação, de um personagem movido por valores éticos, dos quais não sabe abrir mão. Eis um ponto interessante, senão mesmo urgente, para os dias atuais.

Para você, o que aproxima e o que distancia o livro de Foscolo de clássicos como Os sofrimentos do jovem Werther, de Goethe, e A nova Heloísa, de Rousseau, com os quais é frequentemente comparado?
Antes de mais nada, todos dividem a mesma inquietação, desejo de mudança, um mesmo rumor de fundo. Sobretudo um sentimento difuso de liberdade e o uso da arte como prática para essa mesma liberdade.

Quais são os próximos títulos da coleção? De que forma eles dialogam entre si?
Temos ótimos títulos: Confissão de um assassino narrada em uma noite, de Joseph Roth, que é um grande romance policial. Há também A eternidade pelos astros, de Louis Blanqui, livro fascinante que aborda os sósias de cada um, ao longo e ao largo de todo o Universo, O Ateneu, de Raul Pompéia, um de nossos livros mais bem acabados, além dos Contos italianos, do escritor russo Máximo Gorki. Todos dialogam dentro de uma ética permanente da aventura.

 

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