Uma Vez In Europa

Uma Vez In Europa

Coleção O legado de Orïsha #1

Autor: JOHN BERGER

Preço: R$ 33,00

188 pp. | 13x21 cm

ISBN: 85-325-1356-5

Assuntos: Ficção – Conto

Selo: Editora Rocco

Uma vez in Europa é o segundo livro da trilogia Into their Labours, da qual fazem parte Terra nua e Lilac and flag. John Berger, vencedor do Book Prize de 1972, a exemplo da obra anterior também aborda nesta o cotidiano de uma comunidade rural nos Alpes do sul da França, através de contos e poemas, por vezes interligados entre si, sobre uma classe em extinção: os camponeses.

O escritor e crítico de arte vive praticamente recluso com sua família numa pequena aldeia nos Alpes franceses, próximo a Mont Blanc, desde 1962. A região serve de inspiração para ele render uma homenagem à sobrevivência de personagens camponeses num mundo globalizado. Solidão, frustração, saudade e resistência ao progresso, na sua acepção capitalista, estão nos contos e poemas. A pressão da modernidade e suas influências nas relações familiares, no sexo, morte e aprendizado infantil são expostas nos pequenos dramas de pessoas isoladas nas suas crenças e fazendas.

O cotidiano camponês emprestou a Berger um estilo de narração direto, franco, de períodos curtos e imagens fortes, onde a natureza e sua imprevisibilidade são elementos que configuram o cenário rural, por vezes reconhecido pela tradição e, por outras, combatido pelo anacronismo. A agressividade de um mercado competitivo encontra resistência nos hábitos simples e no caráter orgulhoso dos camponeses, e este conflito é retratado por Berger com lirismo, ternura e delicadeza. A Europa do homem do campo será em breve apenas uma lembrança nostálgica vencida pelo progresso ou a força desse povo é capaz de suportar as mudanças?

Félix, personagem central de O tocador de acordeom, vive preso entre o passado e o futuro após a morte da mãe. Suas perspectivas são anuladas quando ele se vê sozinho em sua remota fazenda. Boris está comprando cavalos é uma fábula sobre a obsessão. As demais histórias também unem sentimentos como amor e desilusão sob um mesmo prisma. Berger evoca a palavra sobrevivência para render uma homenagem à classe agropastoril européia, pressionada pela velocidade do mundo moderno, desconfiada dos avanços científicos, determinada a manter-se isolada como forma de autoproteção.

No conto que dá nome ao livro, o autor expõe o dilema de render-se às exigências capitalistas ou manter-se fiel aos costumes, na figura do pai que rejeita a idéia de que o filho trabalhe em uma fábrica de extração de manganês em Paris e se recusa a vender sua propriedade para ceder lugar à indústria. Decididamente, os tempos são outros, mas o velho homem persiste no seu modo de vida, dedicando-se às suas hortas e crenças inabaláveis.

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O AUTOR

John Berger nasceu em Londres, em 1926, e faleceu em janeiro de 2017, aos 90 anos, em Paris. Aos 15 anos era anarquista. Depois da Segunda Guerra Mundial, quando já era escritor, passou a ser duramente criticado por sua simpatia ao marxismo. Ele é famoso por suas obras de ficção – romances e contos – e não-ficção, em especial livros de crítica de arte. Destaque para Modos de ver, de 1972, referência para toda uma geração de historiadores da arte, ao refletir sobre a relação entre o que vemos e o que sabemos ou acreditamos. São também do autor: Terra nua, Uma vez in Europa e Fotocópias, todos publicados pela Rocco. Atualmente, vive nos Alpes franceses, praticamente recluso.

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