Uma Semana no Aeroporto

Uma Semana no Aeroporto

Coleção Trilogia O Último Policial

Autor: ALAIN DE BOTTON

Preço: R$ 33,50

218 pp. | 13,5x20,5 cm

ISBN: 978-85-325-2597-0

Assuntos: Ensaio

Selo: Editora Rocco

Aeroportos são, por princípio, um lugar de passagem, por onde passam milhares de pessoas todos os dias em busca de um destino qualquer no mundo, seja por trabalho ou prazer, para encontrar alguém ou a si mesmo. Em um aeroporto, ninguém fica – e ninguém quer permanecer por muito tempo, e, por isso mesmo, a maioria ignora a grande estrutura que existe por trás dele, que mantém tudo funcionando, para que as pessoas passem apenas algumas horas lá. Em 2009, o escritor Alain de Botton descobriu que este lugar de passageiros é muito mais que um local passageiro – um aeroporto, assim como todos os seus “irmãos”, portos, rodoviárias e ferroviárias – são um microcosmo da vida, enriquecido por quem trabalha e passa por lá, com seus dramas e humores do dia a dia.

Botton foi convidado por uma empresa proprietária de aeroportos a passar um período acompanhando a rotina de um dos mais movimentados do mundo e o maior de Londres – o Aeroporto de Heathrow. Uma semana no aeroporto é o relato do autor e de suas descobertas no entra e sai do até então mais novo centro de passageiros do local – o Terminal 5 – situado entre as duas pistas do aeroporto, uma impressionante estrutura ondulada de vidro e ferro, tão grande quanto o equivalente a quatro campos de futebol. A proposta do convite era que o autor – que já publicou suas impressões sobre trabalho, amor, status, filosofia e arquitetura contemporânea, todos bestsellers – fizesse um estudo impressionista das instalações e, então, considerando passageiros e funcionários, reunisse material para o livro, trabalhando em uma mesa especialmente posicionada no salão de embarque entre as zonas d e E.

“O primeiro escritor residente de Heathrow” não demorou a esquadrinhar o universo que se apresentava à sua frente. Os balcões de ckeck-in podem não parecer tediosos mas, observados com mais atenção, escondem uma certa tensão. Os embates entre funcionários e passageiros podem acontecer por qualquer motivo: bagagens acima do peso, atrasos nos voos ou o simples mau humor de um funcionário num mau dia ou de um passageiro menos educado.

É no embarque também que ocorrem a emoção das despedidas de casais e parentes e a apatia daqueles que voam a negócios. Outro local que chamou a atenção de Botton, uma área de tensão ainda maior, foi a checagem dos passageiros para embarque. A equipe de segurança era treinada para não deixar passar nada que considerasse suspeito nas esteiras de raios x e, ao mesmo tempo, não tomar alguma atitude que ofendesse a dignidade dos passageiros. Um embate silencioso que, na maior parte das vezes, dava certo. E o terminal permanecia em sua normalidade. 

No desembarque, Botton acompanha a chegada dos viajantes – de todos os lugares do mundo, que podem – eles esperam que não – ser barrados no setor de imigração. Em outra aérea, o escritor refletia sobre a relação dos passageiros com suas bagagens: no aeroporto, passam pela esteira, equivalente a 17 quilô­metros de extensão, cerca de 12 mil volumes de bagagem por hora. A empresa responsável, líder em logística de malas, colocava à disposição 140 computadores que determinavam aonde iam as malas individuais e, de quebra, detectavam eventuais bombas escondidas. No entanto, diante da felicidade de encontrar sua bagagem, os passageiros, paradoxalmente, desanimavam ao se dar conta de que teriam que carregar novamente o peso de que se livraram por algumas horas durante o voo. Por fim, Botton se comove com os reencontros de parentes, amigos e amantes que esperam aqueles que chegam. Uma sensação bem mais animadora do que a partida e que encerra, com um tom mais otimista, uma certa sensação de melancolia, tristeza e nervosismo que costuma cercar o deslocamento dos passageiros no embarque de um aeroporto.

Uma semana no aeroporto é o registro muito particular da rotina do terminal – do embarque ao desembarque. Além de usar suas habilidades de observador atento, o autor também teve acesso irrestrito à equipe de funcionários, incluindo executivos e o próprio presidente da empresa, além de passageiros cujas histórias lhe interessavam. Com base nestes dados, e ao lado do fotógrafo Richard Baker, o escritor produziu um interessante documento que explora e revela a mágica de um lugar aparentemente asséptico e sem graça.

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O AUTOR

Alain de Botton nasceu em Zurique, na Suíça, em 1969. Sucesso de crítica e vendas, formou-se em Cambridge e mora em Londres. Sua obra já foi traduzida para mais de 16 idiomas.

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