Sísifo Desce a Montanha

Sísifo Desce a Montanha

Coleção Guias Cinematográficos Harry Potter

Autor: AFFONSO ROMANO DE SANT’ANNA

Preço: R$ 19,50

136 pp. | 14x21 cm

ISBN: 978-85-325-2672-4

Assuntos: Ficção – Poesia

Selo: Editora Rocco

Disponível em e-book

Preço: R$ 13,50

E-ISBN: 978-85-81220-57-4

O mais novo livro de poesias de Affonso Romano de Sant’Anna – e primeiro depois de Vestígios, pelo qual ganhou o Jabuti, em 2005 – ja no título renova o tema, presente em toda sua obra, da construção da morte dentro da vida. Recorrendo ao mito grego de Sísifo, aquele que conseguiu driblar o seu destino e aprisionar a morte, ousadia pela qual foi condenado ao exaustivo e inútil trabalho de rolar uma grande pedra de mármore ao topo de uma montanha, o poeta explicita o desejo de refletir sobre a passagem do tempo e a finitude. A epígrafe de Clarice Lispector expondo a urgência da “deseroização de si mesmo” fala do trabalho estético e existencial deste poeta.

No percorrer das páginas, Affonso Romano de Sant’Anna aponta os seus múltiplos exercícios de relação e diálogo com o tema e com todas as questões que o cercam: as resoluções acerca da cremação já concebida, as dificuldades em lidar com a morte última, com aquela que nos arrasta a todos para todo sempre, as mudanças no olhar do poeta, no seu modo de enxergar as coisas, e uma certa melancolia.

Porém, o olhar do poeta, que trespassa a morte, é um olhar que trespassa a vida. O poeta está vivo. Portanto, ainda que a presença da morte como tema seja evidente, o olhar do poeta volta-se e se interessa, sobretudo, pela vida que pulsa em tudo que o rodeia.

A poética de Affonso Romano de Sant’Anna continua afiada e os seus versos evidenciam o mesmo seu olhar atento, olhar arguto, às várias nuances da experiência humana, do seu “estar no mundo”: o olhar crítico e contundente ao tratar das injustiças sócio-econômicas; o olhar conciliador ao chamar o presidente dos EUA, Barack Obama, a um passeio em Cartago para narrar a destruição da cidade e contar que teme que o Afeganistão seja a Cartago dos tempos atuais; o olhar amoroso ao falar do nobre sentimento que cultiva pelos amigos, pela família e por sua mulher, a quem observa pela casa, a regar as plantas, no ritual doméstico de cada dia a fluir na sua passagem; o olhar categórico ao mostrar a sua visão de Deus, onipresente, porém diferente do Deus onipresente criado pelas religiões cristãs; o olhar aventureiro ao narrar o seu fascínio por viagens, pela história das sociedades humana e os seus grandes acontecimentos; o olhar admirado na observação que faz dos animais, um outro fascínio do poeta, que desde que se pôs a observá-los está à beira do abismo e não para de se extasiar: com gato, com cavalo, com o sapo Alfredo, com a cachorrinha meiga e com os seres que habitam as profundezas marinhas; o olhar apaixonado ao revelar a tirania da musa, afirmando que não há escolha, escreve-se mesmo sem vontade, escreve-se porque não há alternativas: “Escravidão. / Escrevidão”. E pergunta-se: “Poesia: / — alforria? // Ou consentida / servidão?” Indaga-se o poeta.

Sísifo desce a montanha é um livro cujo tema central é a morte – os medos, as angústias, os enigmas, as inquietações que rondam o assunto. O poema Véspera clarifica que não existe quem esteja preparado para a hora última, para a hora derradeira, que ninguém está à espera da morte, que ninguém está realmente pronto para o ponto final. No entanto, como pode (erroneamente) parecer, este não é um livro sobre a morte. Este é um livro sobre a vida, sobre o grande aprendizado que é viver, confirmando a máxima de que, até o último sopro de respiração, o ser humano é um eterno aprendiz. A finitude é uma das grandes questões da humanidade, senão a maior. Sísifo desce a montanha é um livro sobre a nossa breve existência neste mundo cheio de nuances, gradações e variantes.

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O AUTOR

Um dia dizendo seus poemas na Irlanda, no Festival Gerald Hopkins (1996), ou na Casa de Bertold Brecht, em Berlim (1994), outro dia no Encontro de Poetas de Língua Latina (1987), no México, ou presente num encontro de escritores latino-americanos em Israel (1986), ou participando no International Writing Program, em Iowa (1968), Affonso Romano de Sant’Anna tem reunido, através de sua vida e obra, a ação à palavra. Foi assim quando, em 1973, organizou na PUC-Rio a EXPOESIA, que congregou 600 poetas desafiando a ditadura e abrindo espaço para a poesia marginal; foi assim em 1963, no início de sua vida literária, quando se tornou um dos organizadores da Semana Nacional de Poesia de Vanguarda, em Belo Horizonte. Com esse mesmo espírito de aglutinar e promover seus pares, criou, em 1991, a revista Poesia Sempre, que divulgou a poesia brasileira no exterior e foi lançada tanto na Dinamarca quanto em Paris, tanto em San Francisco quanto Nova York, incluindo também as principais capitais latino-americanas.

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