Segredos Públicos

Segredos Públicos

Coleção Dorothy tem que morrer

Autor: LUIZA LOBO

Preço: R$ 23,50

152 pp. | 14x21 cm

ISBN: 978-85-325-2119-4

Assuntos: Comunicação E Mídia

Selo: Editora Rocco

Já se foi o tempo em que as moças desabafavam suas angústias num "querido diário" escrito com caligrafia caprichada e que não deveria ser lido por mais ninguém. O amigo íntimo imaginário, feito de papel e tinta, deu lugar aos blogs, que podem ser lidos e comentados pelo mundo inteiro, sem que sua autoria seja revelada. Trata-se de um fenômeno recente, mas que já começa a alterar a construção da identidade feminina, pois estabelece uma nova forma de inserção social e joga por terra teorias consagradas de alguns dos maiores pensadores da comunicação. Em Segredos públicos – Os blogs de mulheres no Brasil, a pesquisadora, professora e escritora Luiza Lobo avalia essa revolução com profundidade, embasamento e clareza incomuns.

Antes, as autoras dos diários se comunicavam consigo próprias. Escrever era isolar-se em seu mundo particular. Cada uma era a única emissora e também a única receptora de suas mensagens. Agora, o caráter de revelação íntima dos blogs se choca com o caráter público e informativo da Internet, que emerge como um espaço mágico, supostamente livre e de constante interação entre escritores e leitores. Luiza Lobo mostra que desapareceu a divisão claramente definida entre o público e o privado, como era feita por Habermas. Também se rompeu o esquema de processo comunicativo linear e pessoal proposto por Jakobson. As vozes agora se cruzam simultâneas e em todas as direções. Os blogs se impõem como uma produção pessoal e coletiva, sem que haja contradição nisso.

Como conseqüência, as mulheres têm hoje nos blogs um nível de liberdade muito maior que o experimentado por Anaïs Nin, Colette ou Marguerite Duras. Com a possibilidade de se expor em anonimato, elas incorporam a gíria, o idioleto e o baixo calão, expressando-se de modo mais catártico e profundo. Sua conduta sexual, por exemplo, pode ser descrita em detalhes ou mesmo exibida em fotografias e vídeos, sem que sejam revelados seus rostos e nomes. Eis que surge, segundo a autora, uma nova forma de inserção social: o público-privado, que abole a dicotomia entre o eu confessional, autobiográfico, e a máscara social.

A autora não defende nem condena os blogs, apenas os estuda e procura explicá-los. Mas ela louva ao menos um fator positivo do fenômeno: os blogs reforçam a prática da escrita e contrabalançam o avanço da oralidade da cultura de massa, que tem a televisão como sua maior aliada. Isso enquanto não surge o blog falado.

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O AUTOR

Luiza Lobo é professora de literatura comparada e teoria literária na pós-graduação da Faculdade de Letras da UFRJ. Tem doutorado em literatura comparada pela Universidade da Carolina do Sul (EUA). Concluiu o pós-doutorado na mesma disciplina pela Universidade de Nova York e também pela Universidade Livre de Berlim. Seu projeto intitulado Literatura e cultura – http://www.letras.ufrj.br/litcult, que tem apoio da UFRJ e do CNPq – é um bom exemplo de como a Internet pode facilitar a divulgação e a interação da literatura com as novas mídias.

Luiza Lobo escreveu livros acadêmicos e de contos. Publicou mais de cem ensaios em revistas, livros e enciclopédias no Brasil, Inglaterra, Itália, Portugal e EUA. Traduziu mais de 30 obras, assinadas por autores como Jane Austen, Virginia Woolf e Edgar Allan Poe. Proferiu palestras nas universidades de Londres, Oxford, Yale, Harvard e Columbia, entre tantas outras. Em 2000, a Rocco publicou seu quinto livro de contos, Estranha aparição.

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