Se uma Criança, numa Manhã de Verão

Se uma Criança, numa Manhã de Verão

Coleção Coleção Marginália

Autor: ROBERTO COTRONEO

Preço: R$ 31,00

216 pp. | 13x19 cm

ISBN: 85-325-1728-5

Assuntos: Biografia/Memórias/Diários, Ensaio, Teoria E Crítica Literária

Selo: Editora Rocco

O pequeno Francesco se surpreendeu quando uma joaninha que estava na palma de sua mão levantou vôo de repente. Olhou para os seus pais e, naquela linguagem própria das crianças, pediu para que lhe falassem sobre a história daquele inseto. Eles então lhe contaram: havia uma joaninha vermelha que vivia no parque e estava muito feliz por poder passear pelas mãos de um menino, mas precisou ir embora quando sua melhor amiga chamou-a para conhecer um lugar maravilhoso perto dali. Aquela foi a primeira história ouvida por Francesco, que logo se fascinou pelo universo fantástico das narrativas clássicas como Peter Pan e Dumbo. Ao perceber esse interesse do filho pela ficção, o prestigiado e polêmico crítico literário italiano Roberto Cotroneo redigiu uma carta sobre seu amor à literatura e decidiu transformá-la no que seria seu livro de estréia de uma já profícua carreira literária.

Com o objetivo de descansar da rotina jornalística, Cotroneo resolveu mudar de rumo – sem, no entanto, deixar a literatura de lado. "Não queria escrever contra ninguém", disse. "Queria escrever para qualquer um. Em meu primeiro dia de férias, em 1994, acordei com pressa e parti para a praia com minha máquina de escrever. Comecei a carta para Francesco, que estava então com dois anos. Em um mês e meio tinha terminado o livro."

Segundo o próprio autor, Se uma criança, numa manhã de verão… é um ensaio contendo "instruções sobre como usar a vida através de um mundo fictício, um mundo de papel". Com rara leveza, Cotroneo discorre sobre a importância da literatura na formação de um ser humano. Para isso, seleciona quatro clássicos presentes em sua vastíssima biblioteca: A ilha do tesouro, de Robert Lewis Stevenson, O apanhador no campo de centeio, de J. D. Salinger, o longo poema O canto de amor de John Alfred Prufrock, de T. S. Eliot, e O náufrago, de Thomas Bernhard. Essas obras, na opinião de Cotroneo, formam um trajeto de amadurecimento que Francesco – assim como qualquer outra pessoa – precisa seguir. São, respectivamente, demonstrações de inquietação, ternura, paixão e talento.

Cotroneo enxerga a famosa aventura A ilha do tesouro como uma grande metáfora sobre a necessidade que toda criança tem de enfrentar o medo e o mal para conseguir se tornar um verdadeiro indivíduo. O romance de Salinger, por sua vez, mostra o quão complicado é para um jovem, ingênuo e confuso, ingressar no amargo mundo adulto – tendo no saudável ato da transgressão a única saída. Dos versos de Eliot vem a imprescindível ousadia para driblar a mediocridade e a insegurança paralisante. Já o sombrio O náufrago funciona como prova de que, apesar de tudo, é preciso sempre saber o que esperar de suas próprias capacidades para nunca acabar asfixiado em uma excessiva autocrítica.

É claro que um menino de dois anos ainda terá que esperar muito tempo até conseguir folhear Thomas Bernhard e T. S. Eliot. Mas, para Cotroneo, é fundamental que os personagens de todos esses livros se misturem a Peter Pan, Dumbo, Mogli e Cinderela. Cada leitor, durante a vida inteira, alimenta o seu universo literário individual onde tudo o que foi lido deve se transformar em uma única e imensa história que pode sempre ser contada de várias maneiras diferentes.

Com Se uma criança, numa manhã de verão… Roberto Cotroneo não pretende ser didático ou ensinar qualquer norma sobre o método crítico. Com uma simplicidade muito distante da maçante linguagem acadêmica, o autor tem apenas a intenção de compartilhar sua paixão pela literatura com todos os amantes dos livros – sejam eles pais ou filhos.

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O AUTOR

Roberto Cotroneo nasceu em 10 de maio de 1961, na desconhecida cidadezinha italiana de Alexandria, de cem mil habitantes. Começou a estudar piano aos 6 anos, mas seu verdadeiro talento, a literatura, só se revelaria mais tarde. Aos 18 anos, passou a escrever num jornal local que lhe deu espaço para atuar como crítico de cinema. Suas opiniões logo se tornaram célebres e polêmicas entre os leitores, o que o incentivou a escrever também sobre teatro e, especialmente, literatura. Com o tempo, a carreira como jornalista acabou decolando – no início dos anos 80, Cotroneo foi contratado pelo jornal milanês L’Europeo e, mais tarde, pelo diário romano L’Espresso, onde passou a conviver com os maiores escritores e pensadores italianos contemporâneos. Sob o pseudônimo de Mamurio Lancillotto, um verdadeiro personagem criado por ele, fez duras críticas à produção literária italiana. Ele trabalhava tanto que jamais poderia imaginar que algum dia teria tempo para escrever seu próprio livro. Entretanto, em 1994, finalmente saiu seu trabalho de estréia como escritor, Se uma criança, numa manhã de verão… Hoje, a obra de Cotroneo já soma quatro títulos, traduzidos para o espanhol, catalão, português, alemão, inglês, francês e japonês. Entre os prêmios que já conquistou está o Selezione Campiello, um dos principais da Itália. Entre suas atividades também está o comando de cursos de redação criativa para aspirantes a escritor, oferecidos sobretudo em seu país natal. Do autor, a Rocco publicou também A idade perfeita.

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