Quem Se Lembra de David Foenkinos?

Quem Se Lembra de David Foenkinos?

Coleção Trilogia O Último Policial

Autor: DAVID FOENKINOS

Preço: R$ 28,00

160 pp. | 14x21 cm

ISBN: 9788532524591

Assuntos: Ficção – Romance/Novela

Selo: Editora Rocco

Por LUCIANO TRIGO, jornalista e escritor

O que fazer quando tudo começa a dar errado? Após o sucesso de seu primeiro romance, O potencial erótico de minha mulher, os projetos literários seguintes de David Foenkinos resultaram numa série de fracassos, que o transformaram numa promessa não cumprida. E este não era o seu único problema. O gradual retorno ao ostracismo foi acompanhado pelo desgaste do seu casamento, por problemas financeiros e pelo vazio existencial que antigamente se chamava de “crise dos quarenta” (embora, na vida real, Foenkinos só tenha 35 anos) .

Sem inspiração, traído pela mulher Laurence e abandonado pelos editores, ele pega um trem para passar um dia em Genebra. Afastado de sua rotina asfixiante, ele tem uma idéia genial para um novo livro, mas, ao voltar para casa, ela desaparece, tão subitamente quanto surgiu. Como fazer para recuperá-la? Aconselhado por um psiquiatra, ele decide reconstituir, o mais detalhadamente possível, a cena de origem da brilhante idéia perdida. Dessa busca dependerá também redescobrir um sentido para a vida, um antídoto para a monotonia e a indiferença, uma alternativa para a derrota e a mediocridade.

Quem se lembra de David Foenkinos? , uma espécie de livro de auto-ficção, conta a história dessa crise vivida (ou inventada) pelo autor-narrador-personagem. Longe de ser um livro melancólico, contudo, trata-se de uma narrativa repleta de humor e ironia, na qual as referências a figuras reais do disputado e mediatizado mercado editorial francês – Amélie Nothomb, Marc Lévy etc. – se alternam com reflexões nostálgicas sobre o desejo, o (des)encontro amoroso e a (in)fidelidade nossa de cada dia. A capacidade de rir de suas próprias desventuras e atribulações é o tempero com que Foenkinos atrai a simpatia dos leitores e os seduz, com seu anti-heroísmo e transparência – que lembram o Philip Roth dos primeiros livros, uma influência confessa do escritor. As passagens em que o narrador relata seu envolvimento com a jovem Caroline, além do mais, são repletas de poesia e delicadeza.

Por trás da leveza e aparente superficialidade da trama, Foenkinos trata de dois temas sérios, dois desafios que se entrelaçam: o ofício de escrever e a aventura de viver. Em sua auto-análise, a um tempo sombria e bem humorada, ele tenta resgatar as fundamentais capacidades de amar e de trabalhar – e assim aproxima a literatura das questões mais básicas da vida cotidiana, e a vida das questões mais básicas da ficção. Não faz muita diferença, portanto, saber até que ponto os detalhes do romance correspondem à realidade vivida.

Exagerada ou não, a crise parece ter sido plenamente superada pelo autor: depois do lançamento de Quem se lembra de David Foenkinos? , ele já publicou Nos séparations (2008), elogiado pela crítica francesa, e lançará ainda este ano seu próximo romance, La delicatesse. Certamente ainda levará tempo para os leitores se esquecerem de David Foenkinos.

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O AUTOR

Nascido em Paris, em 1974, David Foenkinos é roteirista de cinema e autor de mais de uma dezena de livros, entre os quais os romances O potencial erótico de minha mulher e A delicadeza, que deu origem ao filme A delicadeza do amor, dirigido por ele e pelo irmão, Stéphane Foenkinos, e estrelado por Audrey Tautou. Saudada por público e crítica, sua obra é traduzida em mais de 20 países. 

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