Quem Ama Literatura Não Estuda Literatura

Quem Ama Literatura Não Estuda Literatura

Coleção Foxcraft

Autor: JOEL RUFINO DOS SANTOS

Preço: R$ 26,00

200 pp. | 14x21 cm

ISBN: 978-85-325-2224-5

Assuntos: Teoria E Crítica Literária

Selo: Editora Rocco

O título do novo livro de Joel Rufino dos Santos assusta: Quem ama literatura não estuda literatura – Ensaios indisciplinados. Parece mera provocação, mas é, na verdade, uma constatação embasada ao longo dos quase 20 anos em que o autor foi professor da Faculdade de Letras da Universidade Federal do Rio de Janeiro. E seu significado é muito mais profundo do que aparenta ser. O objetivo aqui é questionar o modo quase infrutífero como se estuda e leciona literatura no Brasil.

Segundo Rufino, para verdadeiramente estudar literatura, não adianta quase nada analisar as obras em relação aos movimentos, escolas e estilos de sua época, como se faz nos colégios e universidades brasileiras. Ele defende que o estudo de literatura só será socialmente relevante no Brasil quando ele for feito com base em antropologia, sociologia, psicologia, história, teoria da comunicação e até economia.

Seria uma deformação, por exemplo, a academia ignorar os best-sellers, uma vez que o sucesso de vendas, um fator externo, moldou a criação literária. Seria tolo desprezar o fato de que o marketing literário fez com que o livro passasse a ser percebido como mercadoria. Além disso, o ensino superior dessa disciplina subestima ou desconhece a realidade de que se passou a consumir diversas modalidades de literatura, como a oral, a popular, a infanto-juvenil, a de massa. Por que não estudar também a telenovela, as histórias em quadrinhos, o cordel, os causos e os romances baratos à venda nas bancas de jornal?

Para início de conversa, Rufino dedica boa parte do livro ao estudo daquele que chama de perturbadores do sono do mundo: Darwin, Marx, Einstein e Freud, sem os quais não seria possível compreender verdadeiramente qualquer forma de literatura feita nos últimos cem anos. Como estudos de caso, o autor aborda obras de Raul Pompéia, Graciliano Ramos, Nelson Rodrigues e outros clássicos brasileiros.

Rufino não tem medo de dizer que a literatura se constitui de inutilidades, não serve para nada. Ou melhor, serve para entreter a morte por Mil e uma noites. Existe porque a ciência não basta. Assim como a filosofia, desestabiliza a ciência, ao mesmo tempo que se apresenta como outro conhecimento do mundo e dos homens. E por isso a religião seria um estado de literatura, visto que o impulso que conduz a uma é o mesmo que conduz à outra.

Os ensaios que compõem Quem ama literatura não estuda literatura são, nas palavras do autor, sua "despedida de professor, quase um testamento" de alguém que viveu para ler e ensinar a amar literatura.

Comente  
Instagram

O AUTOR

Joel Rufino dos Santos é doutor em Comunicação e Cultura pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (URFJ), onde leciona literatura. Historiador e romancista, publicou Quando eu Voltei, tive uma surpresa, premiado com o troféu Orígenes Lessa, na categoria Melhor Para o Jovem, pela Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil (FNLIJ), em 2000, além de Crônicas de indomáveis delírios, Paulo e Virgínia, Quem ama literatura não estuda literatura – Ensaios indisciplinados, Assim foi (se me parece) – Livros, polêmicas e memórias e, mais recentemente, A banheira de Janet Leigh, todos pela Editora Rocco.

Página do autor +