Que País é Este?

Que País é Este?

Coleção Trilogia O Último Policial

Autor: AFFONSO ROMANO DE SANT’ANNA

Preço: R$ 24,50

148 pp. | 14x21 cm

ISBN: 85-325-0054-4

Assuntos: Ficção – Poesia, Ficção Nacional

Selo: Editora Rocco

Disponível em e-book

Preço: R$ 17,00

E-ISBN: 978-85-64126-12-1

Para celebrar os 30 anos de publicação do livro Que país é este? , coletânea de poemas que deu o Prêmio Jabuti a Affonso Romano de Sant’Anna, a Rocco manda para as livrarias no final de maio uma edição comemorativa da obra, com prefácio assinado pelo historiador José Murilo de Carvalho. Publicado em plena ditadura militar, o poema que da título à obra ganhou primeira página do Jornal do Brasil da época, foi traduzido para o francês, inglês, espanhol e alemão, transformado em posters e colocado em escritórios, sindicatos, universidades e bares, tamanha a repercussão popular.

Nascido de uma pergunta lançada pelo político Francelino Pereira, líder do governo Geisel, Que país é este? desencadeou um debate nacional, com resposta em versos de Affonso para políticos como Fernando Gabeira, cientistas políticos como Roberto DaMatta e Raymundo Faoro, entre outros. Agora, além da reedição comemorativa, a Rocco colocou no ar o blog www.quepaiseesteolivro.wordpress.com , com participação de leitores e depoimentos de algumas figuras chaves daquele período, como o próprio Francelino Pereira, de Edmar Bacha, Teresa Cruvinel, entre outros.

A primeira edição da obra foi saudada por Carlos Drummond de Andrade, José Guilherme Mequior, Jorge Amado, Wilson Martins, Antônio Cândido e Caio Fernando Abreu, para citar alguns. Em comum, eles destacam a ousadia da linguagem e o ineditismo do olhar lançado sobre temas emergentes. Em “Mulher”, há outra visão do feminino, diferente da tradição machista dominante na literatura nacional; Em “Índios meninos”, a questão indígena é tratada como tema atual, inserido no cotidiano; Em “A morte da baleia”, há um prenúncio da preocupação com questões ecológicas; em “Crônica urbana”, o poeta antecipa o debate sobre a violência urbana, que viria a eclodir duas décadas depois.

Com a coletânea, o poeta traça, de maneira lírica, o panorama do Brasil nos anos 60, sob o jugo de uma ditadura militar. Affonso Romano de Sant’Anna canta a tristeza de ver sua geração (des)fazendo-se em terços: um terço exilada, outro terço fuzilada e mais um terço desesperada. Canta a sua canção do exílio, a sua desolação de não ter um país, de não comandar a sua vida – em termos políticos. E ironiza o mito do "povo brasileiro" – caracterizado como gentil, alegre, cordato, solícito -, dizendo, com propriedade, que povo também são os falsários, os corruptos, os injustos, os sifilíticos, os artistas, propondo a complexificação do termo.

O poeta nutre, então, pelo Brasil, um amor lúcido, melancólico, um amor triste, ao mesmo tempo em que esse amor é terno, carinhoso, amor "de alma num carro de bebê" que é levada "ao sol da praça". Amor que verifica as falhas e faltas, porém, que não deixa de reconhecer o que existe (e insiste) de saboroso e frutífero neste país, o que acaba por alimentar a alma e a memória de passagens/vivências boas.

E como um homem amoroso, um homem que bem sabe amar. Que país é este? dedica-se a um belo apanhado de textos devoto ao amor pelas mulheres, sejam elas deusas ou feras que se transmutam em belas quando atiçadas pelos prazeres corpóreos, pelo "amor natural”. Um amor de admiração e desejo.

A poética de Affonso Romano de Sant’Anna é calcada, sedimentada, na escrita da existência, na materialidade da vida, nos acometimentos que vão se dando ao seu redor, na realidade à qual se vincula. O poeta estabelece: "É texto tudo o que vejo / é texto tudo o que piso".

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O AUTOR

Um dia dizendo seus poemas na Irlanda, no Festival Gerald Hopkins (1996), ou na Casa de Bertold Brecht, em Berlim (1994), outro dia no Encontro de Poetas de Língua Latina (1987), no México, ou presente num encontro de escritores latino-americanos em Israel (1986), ou participando no International Writing Program, em Iowa (1968), Affonso Romano de Sant’Anna tem reunido, através de sua vida e obra, a ação à palavra. Foi assim quando, em 1973, organizou na PUC-Rio a EXPOESIA, que congregou 600 poetas desafiando a ditadura e abrindo espaço para a poesia marginal; foi assim em 1963, no início de sua vida literária, quando se tornou um dos organizadores da Semana Nacional de Poesia de Vanguarda, em Belo Horizonte. Com esse mesmo espírito de aglutinar e promover seus pares, criou, em 1991, a revista Poesia Sempre, que divulgou a poesia brasileira no exterior e foi lançada tanto na Dinamarca quanto em Paris, tanto em San Francisco quanto Nova York, incluindo também as principais capitais latino-americanas.

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