Por um Longo Instante, Esqueci o Meu Nome

Por um Longo Instante, Esqueci o Meu Nome

Coleção Coleção Marginália

Autor: ROBERTO COTRONEO

Preço: R$ 44,50

296 pp. | 12,5x21 cm

ISBN: 85-325-1934-2

Assuntos: Ficção – Romance/Novela

Selo: Editora Rocco

Tempestad nem sequer aparecia nos mapas. Lá todos tocavam violino e jogavam xadrez, principalmente na rua. No jogo – que contava a história do lugar – ninguém vencia, ou perdia. Eles jogavam. Apenas. As partidas não acabavam nunca. O tempo passava e as peças feitas a mão, com madeira de cedrela, que cheirava a canela, se moviam, precisas, minuto após minuto, hora após hora, até anoitecer. Para começar tudo de novo, da mesma maneira, no dia seguinte. Mas o perfume, tão característico e tão único, se espalhava pelas ruas e ali ficava, como tudo, em silêncio, a impregnar panos, peles e lembranças daquele pedaço do mundo, onde o nevoeiro servia de esconderijo para os amantes, as pessoas ainda se olhavam diretamente nos olhos e onde, para sempre, Luís aprendeu o imenso significado deste gesto tão simples.

Tempestad também era movida à música dos violinos. Luís, por exemplo, aprendeu com don Antonio, mas sempre achou que nunca seria um grande violinista. Tempos mais tarde, quando Tempestad viraria apenas memória, mudaria completamente de opinião.

Aos vinte e cinco anos, sentindo-se velho demais para ser um grande concertista, Luís vê sua vida recomeçar no prelúdio do encontro com Chiara, a moça de mãos inalcançáveis e olhos de um azul muito escuro, que lhe ensinou que se toca violino como se vive, e que incluiu Luís em um quarteto de cordas com o sonho de tocarem e gravarem Beethoven.

Acompanhados por Eliseo e Georgia, respectivamente viola e violoncelo, os quatro músicos, de diferentes gerações, e que lançavam quatro olhares diferentes sobre a música e sobre como tocá-la, ou senti-la – se completam harmoniosamente com um objetivo comum, a obra 133, "o Beethoven mais misterioso, o mais absoluto, o mais trabalhoso".

O romance não consegue esconder a grande paixão do autor pela música clássica. Ao contrário, até. Com o talento e a sensibilidade que caracterizam sua obra, Roberto Cotroneo compôs uma sinfonia de palavras, onde cada sílaba tem sua sonoridade e a sua cadência, tudo funcionando com a harmonia dos grandes recitais, com ecos e ressonâncias na medida certa.

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O AUTOR

Roberto Cotroneo nasceu em 10 de maio de 1961, na desconhecida cidadezinha italiana de Alexandria, de cem mil habitantes. Começou a estudar piano aos 6 anos, mas seu verdadeiro talento, a literatura, só se revelaria mais tarde. Aos 18 anos, passou a escrever num jornal local que lhe deu espaço para atuar como crítico de cinema. Suas opiniões logo se tornaram célebres e polêmicas entre os leitores, o que o incentivou a escrever também sobre teatro e, especialmente, literatura. Com o tempo, a carreira como jornalista acabou decolando – no início dos anos 80, Cotroneo foi contratado pelo jornal milanês L’Europeo e, mais tarde, pelo diário romano L’Espresso, onde passou a conviver com os maiores escritores e pensadores italianos contemporâneos. Sob o pseudônimo de Mamurio Lancillotto, um verdadeiro personagem criado por ele, fez duras críticas à produção literária italiana. Ele trabalhava tanto que jamais poderia imaginar que algum dia teria tempo para escrever seu próprio livro. Entretanto, em 1994, finalmente saiu seu trabalho de estréia como escritor, Se uma criança, numa manhã de verão… Hoje, a obra de Cotroneo já soma quatro títulos, traduzidos para o espanhol, catalão, português, alemão, inglês, francês e japonês. Entre os prêmios que já conquistou está o Selezione Campiello, um dos principais da Itália. Entre suas atividades também está o comando de cursos de redação criativa para aspirantes a escritor, oferecidos sobretudo em seu país natal. Do autor, a Rocco publicou também A idade perfeita.

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