Pescados Vivos

Pescados Vivos

Coleção As Memórias do Primeiro Tempo

Autor: WALY SALOMÃO

Preço: R$ 26,50

80 pp. | 16x23 cm

ISBN: 85-325-1652-1

Assuntos: Ficção – Poesia

Selo: Editora Rocco

A poesia de Waly Salomão – que assinava como Waly Sailormoon (Marujo da Lua) seus primeiros versos – sempre fluiu como um rio rico em cardumes de peixes distintos. Um rio que alimenta o leitor, como prova Pescados vivos, seu último livro, que a Editora Rocco tem o orgulho de lançar.

Na orelha de Pescados vivos, a crítica literária Leyla Perrone-Moisés comenta as águas sempre turbulentas e em constante mutação do rio de Waly. E afirma que este livro póstumo – que chega às mãos dos leitores graças ao trabalho de Marta Braga, viúva do poeta, e de seus dois filhos, Omar e Khalid – guarda o frescor dos primeiros tempos combinado com uma grande maturidade intelectual. "O que caía na rede de Waly era peixe, e sua pescaria era milagrosa. Estes poemas mostram que ele conseguiu manter o pique do jovem Sailormoon, enquanto sua poesia se adensava de experiência vital e de ampliada cultura poética. É exatamente por esta cultura, por essa seriedade na prática do ofício, que Waly não pode ser chamado de "poeta marginal". Espontaneidade e experiência não são as únicas contradições que ele conseguiu desatar em poesia. Waly passeia, com grande naturalidade, entre os extremos, e desses atritos se alimenta sua fogueira interior", escreve ela.

Com o título tomado emprestado de um trecho de Antonio Machado, Pescados vivos também cita Octavio Paz, George Seferis e outros. O poeta nunca negligenciou a própria origem e empresta a alguns versos o clima de uma festa do interior da Bahia. Ou de um mercado árabe. A origem da própria poesia também não é esquecida, e referências à Antigüidade Clássica e ao passado remoto de Propércio, Píndaro e Anacreonte são misturadas à Internet, ao fax, ao motoboy que morre afogado no Canal do Leblon e cujo corpo é resgatado com o capacete com a inscrição 100 juízo nem 1. O Olimpo se mistura ao inferninho das prostitutas baratas, os demiurgos convivem com diagramadores, o oráculo pode ser um hipertexto. Waly fala da floresta Oca do mundo, mas também dos saques que os famintos do Brasil fizeram à Ceasa incendiada (Saques).

Há poemas que homenageiam amigos como Luiz Zerbini (A vida é paródia da arte) e Eucanaã Ferraz (Retrato de um senhor). Mas há também os versos para celebrar a própria poesia. Se em Ler Drummond, Waly presta um tributo ao poeta mineiro ("Reler Drummond pela milionésima vez é uma aventura adâmica, um convite renovado ao espanto e a surpresa./ Close readings nas internas das galerias das minas./ Magia lúcida, esfinge clara:/ chiar para não ser destituído do estímulo do simples enigmático./ Uma pedra de tropeço quebra o sono dogmático."), em Picadas sonambúlicas homenageia o "Baco dos Trópicos", o poeta barroco Gregório de Mattos e Guerra ("Desacomodo-me da placidez dos plágios./ Forjo-me no desacordo das potências/ Aos sabores dos desequilíbrios dos sentidos").

Pescados vivos foi escrito por Waly em 2002. A edição deste livro póstumo e inédito reafirma sua força como um escritor singular e um dos maiores representantes da poesia contemporânea brasileira. O lançamento coincidiu com a reedição de outro texto que é considerado um marco na sua carreira: relançado pela Rocco, Qual é o parangolé? reúne os textos do poeta sobre artes plásticas, especificamente sobre a obra de Hélio Oiticica, seu grande amigo, e um divisor de águas na arte brasileira.

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