Ordem & Desordem

Ordem & Desordem

Coleção Dorothy tem que morrer

Autor: LUCIANO DE CRESCENZO

Preço: R$ 30,00

140 pp. | 14x21 cm

ISBN: 85-325-1587-8

Assuntos: Filosofia

Selo: Editora Rocco

Com a experiência de quem trabalhou tanto na IBM ("onde a Ordem é um hábito mental indispensável para se fazer carreira") quanto no mundo do espetáculo e da literatura ("onde a Desordem é um pressuposto para se ter sucesso"), Luciano De Crescenzo dedica seu novo livro, Ordem e desordem, ao estudo desses dois conceitos. Segundo o autor, ambos têm vantagens e desvantagens, e estão presentes em absolutamente tudo: nas pessoas, instituições, situações, ciências, artes etc. Para demonstrar sua teoria, De Crescenzo conta uma série de histórias interessantes, com as quais se aprende muito mais do que o que o tema do livro se propõe a ensinar. Há passagens curiosas da vida do próprio autor, deliciosos "causos" do dia-a-dia italiano e trechos de pura ficção, tudo misturado com muita inspiração, de modo a oferecer uma leitura leve e saborosa, ainda que repleta de profundos questionamentos filosóficos.

A primeira história é a de Fofó, um homem que De Crescenzo conheceu nos anos 50. Certo dia, ele ganhou na loteria e comemorou com um banquete num restaurante caro de Nápoles, oferecido a 24 amigos, acompanhados de 24 prostitutas providenciadas também por ele. Aos garçons prometeu gorjetas suntuosas. E não houve quem não o paparicasse naquela noite. Fofó provou a todos que eles só lhe sorriam por causa do dinheiro e disse: "Não é com o dinheiro que se pode comprar a felicidade, apenas o inesperado, o desregramento, a loucura, a desordem podem compensá-los da espera. E é por esse motivo que eu, esta noite, tenho para todos os amigos presentes uma última surpresa. Nesse meio-tempo, procurem praticar o akremata, o afastamento da riqueza, e não se deixem corromper!" Antes do café, Fofó desapareceu para sempre da cidade, sem pagar a conta. Ele não havia ganhado na loteria.

Em seguida, De Crescenzo fala do dia em que ele decidiu abandonar o ambiente extremamente ordenado da IBM, onde trabalhou como engenheiro de informática por muitos anos, para se dedicar à literatura em tempo integral. Ele esperava entrar num mundo onde a desordem criativa era a regra. Mas descobriu, no mesmo dia, que até uma editora tem estratégias de vendas, metas de produtividade e um quadro funcional com hierarquia bem definida – uma empresa que vende arte, mas, ainda assim, uma empresa. E ele se lembrou das soluções criativas que teve que desenvolver na IBM. Sua conclusão é de que a ordem e a desordem são complementares e estão em todos os lugares. Uma não existe sem a outra, como não existe luz sem sombra e vice-versa. Enquanto a desordem faz nascer um sonho, a ordem o torna realidade.

Para defender sua teoria, ele fala da matemática, que nem sempre é exata ("Posso dizer que zero melancia equivale a zero beijo ou existe uma diferença qualitativa entre o primeiro e o segundo zero?"). Ele fala também das artes plásticas, onde beleza e feiúra são conceitos relativos; do cinema, que pode produzir um filme linear a partir da mente caótica de um cineasta, num ambiente de gravação igualmente desordenado; das competições esportivas, onde os vencedores são decididos por regras claras, mas também pela interpretação subjetiva dos juízes; da informática, a ciência exata cujos produtos qualquer hacker ou vírus de computador faz entrar em pane.

De Crescenzo instiga o leitor a observar o mundo sem o filtro das idéias preconcebidas. Por isso, há muito de filosofia no seu texto. Com habilidade, ele aproxima do cotidiano o pensamento de Heráclito, Platão e Nietzsche, sempre de forma bem-humorada. Como no capítulo em que ele simula um diálogo inusitado entre ele e Sócrates. Aqui e ali, o autor cita diversas frases que ajudam a explicar sua teoria, como esta do pensador J. Leonard: "O homem passa a primeira metade da vida arruinando a própria saúde, a segunda, a cuidar dela." A ordem e a desordem têm, cada uma, o seu momento de glória na nossa vida.

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O AUTOR

Luciano De Crescenzo nasceu em Nápoles, Itália. Engenheiro, ele trabalhou durante 20 anos na IBM Itália, onde ocupava um cargo de direção. Em 1977, aos 46 anos, publicou seu primeiro livro. No ano seguinte, decidiu abandonar a carreira de engenheiro, que lhe rendia o fabuloso salário de 1 milhão de liras mensais, e passou a se dedicar à arte. Desde então, ele publicou outros 23 livros, traduzidos em 19 idiomas, tendo vendido 18 milhões de exemplares em 25 países. Entre seus títulos de sucesso estão A dúvida e Helena, Helena meu amor, ambos lançados no Brasil pela Rocco. De Crescenzo também fez carreira no cinema italiano: dirigiu quatro filmes, escreveu sete e atuou em oito. Na televisão, foi apresentador de cinco programas.

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