O Proscrito

O Proscrito

Coleção Foxcraft

Autor: RUY TAPIOCA

Preço: R$ 50,00

408 pp. | 14x21 cm

ISBN: 85-325-1681-5

Assuntos: Ficção – Romance/Novela, Romance Histórico, Sátira

Selo: Editora Rocco

Em seu novo romance, O proscrito, o escritor baiano Ruy Tapioca traça uma rica sátira sobre as origens da nossa sociedade. Como já havia acontecido no aclamado A república dos bugres (também editado pela Rocco), o autor partiu de uma minuciosa pesquisa histórica e lingüística – o livro demorou cinco anos para ser concluído – a fim de estruturar uma obra recompensadora. Utilizando expressões próprias do português arcaico e ambientando seus personagens em um realista Portugal do século XV, Tapioca conseguiu fazer de O proscrito uma leitura fluida e hilariante.

O proscrito traz o mouro Athanasius Mafamede a redigir uma biografia de seu amo, o infame português Dom Pero da Grã Verga Pinto Albaralhão. Apesar de esse nome ter sido esquecido pela História oficial, Albaralhão – cujos únicos interesses eram "fornicar à ralaça, empanturrar o bandulho à labúrdia, enfatiotar-se à fedelhota, patranhar à balda e vagabundear à ufa" – foi tido como o "Pai Adão Brasílico": fazendo bom uso de seus espantosos dotes sexuais, teve mais de quinhentos filhos e fundou a civilização brasileira.

Athanasius narra a singular existência de Dom Pero desde o nascimento, quando foi dado à luz como uma criança de rosto angelical. Seu temperamento, entretanto, era diabólico. Os passatempos preferidos do menino consistiam em pôr pregos pontiagudos na cadeira da avó, jogar gatos do alto do castelo onde morava – para, dessa forma, testar se os bichanos eram mesmo providos de sete vidas – e substituir por pequenos caranguejos de garras pontiagudas as moedas que cegos recebiam como esmola.

Visando desesperadamente a regeneração de Perozito, seus pais decidem interná-lo em um distante convento franciscano. Ali, o jovem entra em contato com frei Andorinha, um seguidor dos estudos marítimos originários da Escola de Sagres, que conta a ele sobre as desconhecidas terras paradisíacas que existiriam a oeste da África. Sonhando com esse lugar – onde poderia executar, sem punição, todos os desejos da carne – o pequeno dom Pero promete a si mesmo encontrar o Jardim das Delícias e por lá permanecer em gozo pelo resto da vida.

Contudo, enquanto esse dia não chega, Albaralhão foge do convento e segue em uma vida de aventuras. Nosso anti-herói participa de um ritual de exorcismo, conhece dois tipos muito semelhantes a Dom Quixote e Sancho Pança, ingressa em um grupo de ladrões, engravida várias noviças, é condenado a dez anos de reclusão, torna-se espião a serviço da Coroa Portuguesa e, por fim, aporta no Brasil antes mesmo de Pedro Álvares Cabral.

Apesar de Athanasius garantir ser fiel aos fatos relatados por Dom Pero, em certos momentos o mouro chega a ter dúvidas sobre a precisão da história que narra. Porém, como disse o velho alfarrabista que a ele encomendou tais escritos, "a arte aspira ao belo e não à verdade. Por falta de fantasia, também a verdade se inventa. O importante é a história que é apresentada. (…) Os homens mentem desde que aprendem a falar. (…) E principalmente quando aprendem a escrever".

Com O proscrito, Ruy Tapioca cria a fascinante figura dom Pero da Grã Verga Pinto Albaralhão – homem que dedica sua vida à luxúria, à gula e à preguiça – e remete diretamente ao clássico Macunaíma. Assim como o antológico personagem do romance escrito por Mário de Andrade, dom Pero é um herói sem nenhum caráter que tem muito a dizer sobre esse nosso Brasil.

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O AUTOR

Baiano de Salvador, Ruy Tapioca nasceu em 1947. Desde os 11 anos, vive no Rio de Janeiro. Administrador de empresas, exerceu diversos cargos de gerência em estatais e foi professor universitário. Aposentado, entre 1995 e 1998, dedicou-se a pesquisar e escrever A república dos bugreslivro que recebeu quatro prêmios literários: Guimarães Rosa (Minas de Cultura) de romance, (escolhido por unanimidade pela comissão julgadora, entre 401 originais); Octávio de Faria, de romance, da União Brasileira de Escritores; Biblioteca Nacional, para romances em andamento (recebido em 1997) e Prêmio Literário Cidade do Recife, ficção (menção honrosa). Colabora como voluntário numa ONG de defesa dos direitos humanos. 

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