O Mel do Melhor

O Mel do Melhor

Coleção As Memórias do Primeiro Tempo

Autor: WALY SALOMÃO

Preço: R$ 28,00

124 pp. | 14x21 cm

ISBN: 85-325-1253-4

Assuntos: Ficção – Poesia

Selo: Editora Rocco

O título da brevíssima introdução que o poeta Waly Salomão escreveu para seu novo livro, uma antologia batizada de O mel do melhor, é honesta carapuça vestida por quem sabe das dores e delícias embutidas na sempre arbitrária tarefa de ser curador, principalmente o de suas próprias obras. Waly confessa que, ao passear por sua vasta produção poética à procura de alguns filhos diletos que dariam à luz esse novo rebento literário, talvez tenha caído nas incontornáveis armadilhas dos parcialismos. E propõe humildemente ao leitor que transforme em fagulhas as possíveis falhas.

Mas diante da leitura de O mel do melhor, obra para ser consumida com prazer e vagar, ninguém está interessado em procurar falhas. O que salta aos olhos são apenas as fagulhas caprichosas, turbulentas, libertárias e libertadoras que brotam das poesias de Waly. Desde Roteiro turístico do Rio, folhetim ironicamente desvairado sobre as belezas e mazelas da Cidade Maravilhosa, extraído de Me segura qu’eu vou dar um troço, de 1970, até o revelador Estética da recepção, ode de amor ao deleitoso e, às vezes, áspero ofício de ser poeta – O mundo de dura crosta é de natural mudo,/ e, o poeta é o anjo da guarda/ do santo do pau-oco – que encerra apropriadamente o livro, Waly oferece ao leitor um saboroso e energético pote de mel literário.

O banquete aparece sob a forma de prosa poética em obras como Na esfera da produção de si mesmo, pinçada da antológica revista Navilouca (1972), da qual Waly foi um dos comandantes, e Arauto escola, publicada em Gigolô de bibelôs (1983). Ou ainda em N. Senhora do Dendê e O vil monturo, de Armarinho de miudezas. Já do livro Algaravias saltam poemas como o reflexivo Vigiando o oco do tempo: "Todo o passado está morto;/ só vige o que vem, o que surge./ Todas as coisas íntegras dilaceram-se ou são dilaceradas" e o emocionado Fábrica do poema. O ágil diálogo de Waly com a língua-mãe pode ser conferido em Língua franca et jocundíssima e no vertiginoso Pista de dança, ambos extraídos de Lábia (1998). Daí também Waly fisgou Post-mortem, emblemático e vital poema de um livro publicado ainda sob o impacto de um enfarte recente.

O pungente Tarifa de embarque, que titula o livro lançado pelo poeta no ano passado, figura com honra na seleta, que inclui da mesma obra o belíssimo Janela de Marinetti, em que Waly tece em versos uma delicada teia de memórias. Mastigando referências e iluminando poesias que não se perderam no tempo, Waly também transforma seus leitores, através dessa antologia, em cúmplices de seu crime confesso: o de sucumbir às paixões ditadas pelas emoções e idéias de um poeta múltiplo e prolífero.

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