O Futuro pelo Retrovisor

O Futuro pelo Retrovisor

Coleção Biblioteca Hogwarts

Autor: PALOMA VIDAL, STEFANIA CHIARELLI E GIOVANNA DEALTRY (ORG.)

Preço: R$ 39,50

328 pp. | 14x21 cm

ISBN: 978-85-325-2830-8

Assuntos: Teoria E Crítica Literária

Selo: Editora Rocco

Disponível em e-book

Preço: R$ 27,50

E-ISBN: 978-85-81222-13-4

Não mais ruptura, e sim reinvenção. Munida de um astuto senso bricoleur, a literatura brasileira contemporânea tem revisitado intensamente o passado. E, nessa revisita, opera uma espécie muito peculiar de pilhagem – aquela baseada no atrito entre diferentes temporalidades, entre as distintas formas de reinventar o moderno. Em O futuro pelo retrovisor – Inquietudes da literatura brasileira contemporânea, 17 estudiosos observam a obra de 17 autores nacionais, buscando analisar diferentes aspectos dessa reapropriação do passado. Com isso, derrubam um estereótipo corriqueiro na crítica atual: o de que toda a novidade na ficção nacional de agora consiste numa “multiplicidade impossível de circunscrever”.

Os artigos se debruçam sobre alguns dos romances mais premiados dos últimos tempos – caso de O diário da queda, de Michel Laub, Leite derramado, de Chico Buarque, Passageiro do fim do dia, de Rubens Figueiredo, e Nove noites, de Bernardo Carvalho. Abordam autores que são publicados amplamente não só no Brasil, mas também em vários outros países, como Milton Hatoum, Adriana Lisboa e Bernardo Carvalho. Contemplam nomes que, ainda jovens, têm sido alvo de críticas as mais elogiosas, como Carola Saavedra, Ricardo Lísias, Daniel Galera, Adriana Lunardi e Rodrigo Lacerda. Analisam autores de estilo inconfundível, que já têm seu lugar demarcado na história da literatura brasileira: João Gilberto Noll, Luiz Ruffato, João Almino, Lourenço Mutarelli e Valêncio Xavier. E, diante de tão múltipla amostra, percorrem, em itinerários e modos diferentes, uma mesma constatação: a de que há um potente elo entre essas obras e autores. Uma ligação que dá conta de uma literatura feita nos interstícios, no limite entre os usos da tradição e as suas reinvenções.

Trata-se de uma escritura que, não raro, “arrisca se voltar para a memória para trazer à superfície o que a urgência e a superficialidade do mundo contemporâneo não permitem ver”, como afirma Paloma Vidal a respeito de Adriana Lisboa. Que, por vezes, recorre obsessivamente a vozes do passado, num mecanismo que “comporta um sentido, traduzido no gesto da reapropriação de um modelo aparentemente exaurido”, como diz Stefania Chiarelli. Ou que brota como falha de comunicação, como “impossibilidade de alcançar o outro”, como situa Diana Klinger.

Ao abordar essa espécie de “saque do passado”, O futuro pelo retrovisor passeia por outras características da literatura contemporânea, como a experiência sob suspeita, a metaficção, a polifonia, a troca de linguagem e os indícios de um desconforto muito contemporâneo. Aspectos que, juntos, solidificam uma identidade revigorada para a literatura nacional. Ao mesmo tempo, a reunião de artigos constata como o lugar da crítica literária é, hoje, indissociável do da própria literatura. E mostra como ambos preservam, nas raias da atualidade, o que a ficção tem de melhor: seu poder de inquietude.

Comente  
Instagram

O AUTOR

Stefania Chiarelli é doutora em Estudos de Literatura pela PUC-Rio e professora de Literatura Brasileira na UFF.

Página do autor +