O Enigma Vazio

O Enigma Vazio

Coleção Trilogia O Último Policial

Autor: AFFONSO ROMANO DE SANT’ANNA

Preço: R$ 49,00

336 pp. | 16x23 cm

ISBN: 978-85-325-2367-9

Assuntos: História Da Arte/Teoria Da Arte

Selo: Editora Rocco

Disponível em e-book

Preço: R$ 29,50

E-ISBN: 978-85-81222-12-7

Refletir sobre a arte – particularmente a moderna e contemporânea dos séculos XX e XXI – pode se tornar um exercício tão complexo quanto os próprios objetos de análise – os artistas e suas obras. Um desafio ao qual até mesmo os críticos podem sucumbir, diante do verdadeiro mosaico de conceitos e opiniões que podem mais confundir que localizar os parâmetros do que é ou não arte e ser artista. Em O enigma vazio – Impasses da arte e da crítica, o poeta, ensaísta, cronista e professor Affonso Romano de Sant’Anna coloca essa crítica no divã, analisando e, em alguns momentos, desconstruindo seus discursos e argumentos ao apontar suas contradições e exageros.

Desta vez, o autor aprofunda ainda mais questões abordadas em Desconstruir Duchamp e A cegueira e o saber e passa a pente-fino famosas análises de quadros e pintores feitas por Octavio Paz, Jacques Derrida, Michel Foucault, Roland Barthes, Jean Clair, Heidegger, Mayer Shapiro e Frederic Jameson. Através da lingüística e da teoria do discurso, Affonso Romano de Sant’Anna analisa os principais sofismas em que se baseia a arte conceitual e propõe uma nova episteme para reavaliação da arte do século XX.

Ao fazer isso, o autor questiona também os limites da arte contemporânea, uma arte conceitual, que, dando primazia ao pensamento, à idéia e à linguagem, deslocou o enfoque da obra para a proposta da obra. Daí a importância de se analisar o discurso dos pensadores desta arte, de se fazer a crítica da crítica.

O autor destaca que, se na arte conceitual o discurso e a palavra tomaram na tela o lugar da tinta, a crítica de arte fez algo semelhante e inverso: transformou seu texto em um quase-gênero artístico, numa espécie de reflexo distorcido da obra analisada, no que foi batizado de action writing, uma forma de pintar com palavras seus devaneios conceituais. Nele, a obra de arte que iniciou a escrita é logo abandonada, num olhar narcisista e deslumbrado com as próprias idéias e construções. O texto criou uma deformação, uma alucinação, uma especulação, fascinante em si, mas muito distante da obra original.

Grandes nomes como Octavio Paz e Jean Clair deixaram a isenção e a objetividade serem afetadas pela possibilidade de, por exemplo, alçar as obras do francês Marcel Duchamp (1887-1968) a um patamar que talvez o próprio artista jamais tivesse tido intenção. Um dos precursores da arte conceitual, criador – se é que assim pode ser chamado – dos ready mades – objetos do cotidiano transportados para o campo das artes sem interferência do autor, Duchamp legou ao espectador a responsabilidade de pensar o que é arte e sua linguagem. Mesmo assim, sua obra Grande vidro ganhou uma interpretação místico-fantasiosa de Paz e ele foi comparado a Leonardo da Vinci por Jean Clair. Em vez de propor uma reflexão, tais críticas tornaram-se o que Sant’Anna chama de “crítica reflexa”, de “endosso” e de “celebração” .

Sant’Anna também contrapõe as diferentes falas de Jacques Derrida, Heidegger e Mayer Schapiro sobre uma mesma obra: Os sapatos, de Van Gogh. Também dá destaque às alucinações visuais e verbais de Roland Barthes a respeito do expressionista americano Cy Twombly. E, a partir destes discursos, Affonso Romano de Sant’Anna levanta uma questão: até onde a obra é uma criação do artista e a partir de quando passa a ser criação daqueles que pensam o criador e a criatura? E, se for assim, se grandes pensadores cometem equívocos, “o que dizer dos repetidores disseminados no sistema artístico desde que se oficializou que tudo é arte e todos são artistas e críticos?”, pergunta o autor.

O enigma vazio – Impasses da arte e da crítica aprofunda a análise do discurso produzido pela arte e pela crítica de nosso tempo recorrendo à lingüística, à filosofia, à retórica e à análise literária. Aos poucos, o autor procura desmontar os silogismos e sofismas repetidos durante anos por artistas e críticos. Também defende a leitura interdisciplinar – antropologia, sociologia, política, marketing, filosofia, lingüística – como a única capaz de enfrentar este enigma vazio que provocou tantas obras insignificantes e tantas alucinações críticas.

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O AUTOR

Um dia dizendo seus poemas na Irlanda, no Festival Gerald Hopkins (1996), ou na Casa de Bertold Brecht, em Berlim (1994), outro dia no Encontro de Poetas de Língua Latina (1987), no México, ou presente num encontro de escritores latino-americanos em Israel (1986), ou participando no International Writing Program, em Iowa (1968), Affonso Romano de Sant’Anna tem reunido, através de sua vida e obra, a ação à palavra. Foi assim quando, em 1973, organizou na PUC-Rio a EXPOESIA, que congregou 600 poetas desafiando a ditadura e abrindo espaço para a poesia marginal; foi assim em 1963, no início de sua vida literária, quando se tornou um dos organizadores da Semana Nacional de Poesia de Vanguarda, em Belo Horizonte. Com esse mesmo espírito de aglutinar e promover seus pares, criou, em 1991, a revista Poesia Sempre, que divulgou a poesia brasileira no exterior e foi lançada tanto na Dinamarca quanto em Paris, tanto em San Francisco quanto Nova York, incluindo também as principais capitais latino-americanas.

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