O Contorno do Sol

O Contorno do Sol

Coleção Coleção Marginália

Autor: NATÁLIA NAMI

Preço: R$ 20,00

128 pp. | 14x21 cm

ISBN: 978-85-325-2440-9

Assuntos: Ficção – Romance/Novela, Ficção Nacional

Selo: Editora Rocco

Finalista do concurso Contos do Rio, promovido pelo jornal O Globo, em 2008, e autora da coletânea de contos O pudim de Albertina, a escritora e professora Natália Nami estreia na narrativa longa com O contorno do sol. Em seu primeiro romance, Natália apresenta uma protagonista dilacerada pela solidão, dividida entre suas memórias e uma angústia premente que a faz adiar a decisão de atender ou não a campainha que soa insistente lá fora. Presa nesse dilema, que é para o leitor um enigma – quem ou o que afinal aguarda do outro lado da porta –, Flávia, uma mulher de meia-idade marcada por um grande trauma de infância, relembra sua história, entre uma garrafa de café e muitas outras de uísque.

Narrado em primeira pessoa, o livro acompanha o pensamento de Flávia nesse momento de agonia ante a campainha que toca. Ela sabe quem a espera lá fora, mas o leitor, não. Enquanto adia a decisão de abrir a porta, Flávia revê sua vida como num caleidoscópio. Fatos, sonhos, sentimentos e sensações se misturam, uma coisa levando a outra, uma lembrança puxando outra, sem obedecer a um critério cronológico. Com medo de suas próprias lembranças, ela evita repetir as últimas palavras que disse a seus pais na noite em que eles morreram num acidente de carro quando ela tinha treze anos. Seria a culpa capaz de apagar a memória?

Surpreendido por um emaranhado de fragmentos demasiadamente humanos, aos poucos o leitor vai descobrindo um pouco mais sobre essa mulher, a caçula de uma família do subúrbio do Rio de Janeiro, talvez a protegida da mãe, que agora vacila diante da porta. As pequenas traquinagens infantis, os excessos da juventude, os dilemas religiosos, a eterna sombra da irmã bailarina, o longo relacionamento com o desenhista, as enlouquecedoras sessões com a psiquiatra Doralice, os bate-papos com Samir, ex-aluno de sua mãe e melhor amigo de Flávia, os sonhos, o trauma. Não há escalas de valor para a memória. Grandes ou pequenos, os fatos se sucedem e se interligam para moldar o presente. E o presente exige uma decisão.

Nesse clima de tensão crescente, lembranças dolorosas se alternam com reminiscências singelas, como as escapadas para tomar picolé de uva na padaria com a mãe às escondidas ou as noites embaladas por histórias ao pé da cama, emprestando à narrativa leveza e descontração. Em outros momentos, a angústia permanente mancha até mesmo um domingo de praia com o namorado: “Vamos embora?, convidei, sentindo que precisava arrancar meu corpo daquela nuvem tépida e furar a bolha, deixar-me arranhar no trânsito das horas, permitir que a dor de todos os dias chegasse também àquele domingo e o deixasse confortável, sem o brilho excessivo do sol”.

Dona de uma prosa pungente, Natália Nami pisa no território minado da memória em seu primeiro romance sem medo de dar um passo em falso. Enquanto prende o leitor com o enigma da campainha que toca e o instiga com relação à mais traumática de todas as lembranças de sua protagonista, a autora recria o mundo interior de sua personagem com uma narrativa densa, intimista e rica em metáforas, à la Clarice Lispector.

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O AUTOR

Finalista do concurso Contos do Rio 2008 (O Globo), com “A colombina”, a escritora e tradutora Natália Nami lança no mesmo ano seu primeiro livro de contos, O pudim de Albertina (7Letras). Seu primeiro romance, O contorno do sol, é publicado pela Rocco em 2009. Em 2010, Natália participa da antologia Escritores escritos (Flâneur) com o conto “Tarde de pedra”, em homenagem a Emily Dickinson, e, em 2011, “Princesinha do mar” é finalista do Prêmio SESC de Contos Machado de Assis. Natália nasceu e mora em Barra do Piraí (RJ).

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