O Choque do Real

O Choque do Real

Coleção Coleção Os Romanov

Autor: BEATRIZ JAGUARIBE

Preço: R$ 29,00

240 pp. | 14x21 cm

ISBN: 978-85-325-2207-8

Assuntos: Comunicação E Mídia, Ensaio, Teoria E Crítica Literária

Selo: Editora Rocco

Como as atuais estéticas do realismo na fotografia, cinema, literatura e meios de comunicação contribuem para moldar a nossa percepção de realidade? Para responder a essa questão e aprofundar o debate sobre o retrato da “vida como ela é”, a professora e pesquisadora Beatriz Jaguaribe reúne, em O choque do real: estética, mídia e cultura, seis ensaios que investigam o poder mobilizador das novas estéticas do realismo no Brasil e no mundo.

O fenômeno pode ser detectado no novo cinema iraniano, nas diretrizes do grupo escandinavo Dogma, nos filmes de Ken Loach, Mike Leigh e Stephen Freas, no crescente prestígio dos documentários e na decadência do realismo mágico na literatura da América hispânica. Utilizando-se de representações de intensidade dramática e narrações do desmanche social, os novos códigos realistas apresentam uma “pedagogia da realidade” de fácil acesso a leitores e espectadores.

No Brasil, a força dos novos registros do realismo estético está presente em gêneros como o romance policial e a narrativa da violência marginal ou em retratos do cotidiano que descrevem os impasses de vidas anônimas. Embora coexistam com o imaginário carnavalesco e as práticas mágicas típicas da cultura brasileira, os códigos do realismo estético detêm o poder pedagógico de tecer os retratos da realidade e também funcionam como diagnósticos da nossa vivência social.

Em suas diversas manifestações, o realismo estético produz retratos da “vida como ela é”, ou seja, faz uso da ficção e de recursos de intensificação dramática para criar mundos plausíveis que forneçam uma interpretação da experiência contemporânea. Ainda que possam retratar de forma crítica e contundente as mazelas do social, os códigos realistas não abalam a noção de realidade, mas apenas reforçam seu desnudamento. Isso se realiza sob o pano de fundo de uma crescente democratização do conceito de cultura, agora vista por um viés antropológico, como conjunto de visões díspares que buscam representatividade na construção simbólica da realidade.

Os ensaios reunidos neste livro possuem uma conexão orgânica, mas podem ser lidos separadamente. “Modernidade cultural e estéticas do realismo” oferece um painel seletivo que ajuda a compreender a relação entre estéticas do realismo e experiência cultural na modernidade tardia. Escrito em co-autoria com Maurício Lissovsky, “O visível e os invisíveis: imagem fotográfica e imaginário social” revela quem são os personagens visíveis e invisíveis no cenário público do país. “O choque do real e a experiência urbana” é uma reflexão sobre os dilemas do desmanche social urbano brasileiro, em face da saturação midiática.

Em “Favela Tours”, Beatriz Jaguaribe discute como a venda turística da favela aposta na representação de uma comunidade empática que tenta superar a violência e a escassez. O ensaio “Realismo sujo e experiência autobiográfica” indica como as estéticas do realismo embaçam as fronteiras entre o real e o ficcional. Por último, “Bonecas hiper-reais: o fetiche do desejo” coloca em pauta o desejo mimético de transformar a matéria inerte em objeto encantatório.

Comente  
Instagram

O AUTOR

Beatriz Jaguaribe é carioca, doutoura em Literatura Comparada pela Universidade de Stanford e professora na Escola de Comunicação da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Entre suas obras, destaca-se Fins de século – cidade e cultura no Rio de Janeiro, publicado pela editora Rocco.

Página do autor +