Nosso Futuro Pós-Humano

Nosso Futuro Pós-Humano

Coleção Foxcraft

Autor: FRANCIS FUKUYAMA

Preço: R$ 39,00

272 pp. | 16x23 cm

ISBN: 85-325-1506-1

Assuntos: Ciência Política/Relações Internacionais

Selo: Editora Rocco

Em seu novo livro, Nosso futuro pós-humano, o filósofo social Francis Fukuyama faz uma advertência ao mundo: o avanço da tecnologia tem sido mais rápido que nossa capacidade de discutir a criação de instituições nacionais e internacionais que lidem com os frutos desse progresso. O desenvolvimento da biotecnologia deve fazer maravilhas pela humanidade no futuro, mas também pode provocar problemas políticos sem precedentes se não houver controle. É claro que sempre haverá indivíduos, organizações e governos dispostos a ignorar quaisquer leis que venham a ser criadas. Mas isso não deve servir como desculpa para deixar a discussão de lado.

Sempre se falou muito no problema social que haveria se, no futuro, os pais pudessem escolher as características físicas de seus filhos, como cor dos olhos, tipo de cabelo, cor da pele etc. Agora imagine o que aconteceria se descobrirmos genes que determinem também a inteligência, a capacidade de liderança, o comportamento sexual, o talento para isso ou aquilo, a propensão ao crime e aos vícios. Não há problema em descobrir tais coisas. O perigo é possibilitar que tais genes sejam manipulados conforme o interesse das pessoas, empresas e nações. Em alguns países, a simples combinação de ultra-sonografias baratas e fácil acesso ao aborto fez com que a população masculina se tornasse muito maior que a feminina, devido à vontade dos pais de ter filhos homens. As conseqüências da manipulação genética seriam muito mais profundas, além de imprevisíveis. Ninguém sabe se algum dia a engenharia genética estará ao alcance de todos. Mas isso é, definitivamente, algo a se pensar. Nos anos 30 do século passado, quando todas essas questões não passavam de ficção científica, o nazismo ascendeu e ameaçou exterminar categorias inteiras de pessoas.

Francis Fukuyama fala dos avanços recentes nessa área, como o Projeto Genoma, a clonagem e as novidades da neurofarmacologia, hoje capaz de resolver problemas que antes eram considerados estritamente psicológicos. As implicações políticas dessas novidades são incontáveis. Por exemplo: se nos tornarmos capazes de expandir nossa expectativa de vida para muito além dos níveis atuais, quais seriam as mudanças demográficas resultantes? Considerando-se que as mulheres tendem a viver mais que os homens, isso significaria que as mulheres idosas passariam a ser um expressivo grupo de eleitoras, consumidoras e líderes? Difícil prever, pois são muitas as possibilidades. Outra questão: dizem que as mudanças políticas acontecem conforme uma geração substitui a outra no poder; então, como seria se cada geração permanecesse no centro das decisões por muito mais tempo do que acontece hoje, pelo simples fato de estar vivendo mais e melhor?

Tudo isso pode vir a afetar nossas noções de direitos humanos, do que é certo ou errado, do que é digno ou indigno. A ascensão de uma superclasse genética, criada com base em determinados critérios do que seja bom ou ruim, pode mudar radicalmente a humanidade. Tais indivíduos, feitos para serem melhores em tudo, cada vez mais acreditarão que seu sucesso não é uma questão de sorte, como se pensa hoje, mas de planejamento e boas escolhas por parte de seus pais. Eles olharão, pensarão, agirão e talvez até sentirão diferentemente dos que não foram concebidos da mesma maneira, e podem acabar por se considerar tipos diferentes de criaturas, superiores. Nesse caso, sua pretensão a um nascimento melhor será enraizada na natureza e não na convenção.

Em Nosso futuro pós-humano, Francis Fukuyama analisa todas essas questões e propõe soluções políticas para definir a responsabilidade com que elas devem ser tratadas.

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O AUTOR

 Nascido em 27 de outubro de 1952, o americano Francis Fukuyama é professor de economia política internacional da Paul H. Nitze School of Advanced International Studies, na Johns Hopkins University, nos EUA. Entre 1996 e 2000, ele foi também professor de políticas públicas na George Mason University. Seu primeiro livro, O fim da história e o último homem (1992), figurou nas listas de mais vendidos de diversos países, como EUA, França, Japão e Chile, tendo ganhado o Los Angeles Times’ Book Critics Award e o Premio Capri (Itália). Especialista em questões políticas e militares da Europa e do Oriente Médio, Fukuyama já integrou o Conselho de Planejamento Político do Departamento de Estado norte-americano. Atualmente, ele é membro do Conselho Presidencial de Ética em Biotecnologia, dentre diversos outros títulos e cargos de prestígio internacional.

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Aconteceu em Blackrock
Matéria publicada no Megazine