Multilateralismo na Ásia Oriental

Multilateralismo na Ásia Oriental

Coleção Biblioteca Hogwarts

Autor: FRANCIS FUKUYAMA E KENT E. CALDER

Preço: R$ 48,50

336 pp. | 14x21 cm

ISBN: 978-85-325-2730-1

Assuntos: Assuntos Contemporâneos, Ciência Política/Relações Internacionais

Selo: Editora Rocco

Nas últimas décadas, a Ásia Oriental tornou-se cada vez mais influente, industrializada e economicamente integrada. Hoje, Japão, China e Coreia do Sul respondem por quase 20% do PIB global, ou dois terços do PIB da União Europeia. Apesar de todos esses números favoráveis à região, a Ásia Oriental sofre há mais de meio século de uma “lacuna organizacional” – falta de organização multilateral, em particular, de organização formal – em comparação com a situação de outras regiões globais. Um contrassenso ao se pensar que a interdependência econômica normalmente se relaciona fortemente com a organização econômica transnacional e multilateral, como ocorre em outras partes do mundo. Em Multilateralismo na Ásia Oriental – Perspectivas para a estabilidade regional, o professor e especialista em estudos da Ásia Oriental Kent E. Calder e o filósofo e economista político Francis Fukuyama fazem uma revisão histórica analisando as tentativas de integração dos países da região ao longo dos anos.

A Ásia Oriental sempre teve um tortuoso caminho para o multilateralismo. Sua arquitetura regional começou de um jeito perverso e hegemônico, com domínio do império japonês, de 1895 a 1945. No total, mais de 30 milhões de asiáticos – menos de um décimo dos quais japoneses – morreram nas intermitentes guerras imperiais promovidas pelas conquistas do Japão no Taiwan, na Coreia e na China. Depois do colapso do Japão, com o fim da Segunda Guerra Mundial, muitas fronteiras permaneceram ambíguas e ferozmente disputadas em meio à turbulência da transição do início do pós-guerra.

Nos anos 1950, os Estados Unidos se tornaram a força motriz para uma arquitetura regional no Pacífico. Com a Guerra Fria, o país esforçou-se para criar laços com países da região assinando tratados com Japão, Austrália, Filipinas, Coreia do Sul, Vietnã do Sul e Taiwan. Esses laços, no entanto, visavam a questões específicas relativas à segurança na região, com a tentativa de impedir a ascensão do comunismo. Na década seguinte, no entanto, alguns países asiáticos, como a Malásia, as Filipinas e a Tailândia, tentaram tomar a iniciativa de instituir suas próprias organizações para criar alguma coerência regional, independentemente da participação de países ocidentais, que acabavam por prejudicar a legitimidade das ações de países locais.

No entanto, somente anos mais tarde, em 1989, com o estabelecimento da Apec (Asia-Pacific Economic Cooperation) ou Cooperação Econômica da Ásia e do Pacífico), vislumbrou-se uma tentativa real de integração regional e configuração de uma arquitetura entre países locais que tivessem força econômica e política no mundo. Desde esse período, vê-se um esforço para se criar uma organização intra-asiática que não tenha os Estados Unidos como centro dominante.

Depois dos ataques de 11 de setembro de 2001, os Estados Unidos voltaram sua atenção ao Oriente Médio, em especial ao Iraque, e à guerra global ao terrorismo. Os autores, no entanto, defendem que o país volte os olhares para os vizinhos mais a leste, mas sem o caráter dominante com que sempre caracterizou sua influência externa, desestimulando o multilateralismo local. No meio século decorrido depois que as propostas do Pacto do Pacífico iniciaram esforços para uma organização regional asiática posterior à Segunda Guerra Mundial, os Estados Unidos quase sempre constituíram um elemento importante. Durante a Guerra Fria, os Estados Unidos viam a estrutura bilateral e a continuada alienação entre os estados asiáticos como a melhor garantia de estabilidade regional. Os americanos raramente estiveram à frente de empreendimentos multilaterais asiáticos no pós-guerra.

Para os autores, agora, essa mudança de posicionamento faz-se necessária. O Pacífico e o mundo se tornaram mais interdependentes em termos econômicos e financeiros, exigindo uma coordenação político-econômica bem mais estreita do que antes. A volatilidade das finanças globais, juntamente com o crucial papel da Ásia nesse contexto, como credor global dominante, trazem uma urgência especial para essa tarefa. As nações asiáticas, lideradas por Índia, China e Japão, estão se tornando algumas das maiores e mais insistentes consumidoras nos mercados globais. No entanto, China e Índia, em particular, têm estoques insuficientes de matérias-primas e permanecem fora dos regimes globais de planejamento contingencial de energia. No item segurança, a problemática evolução do programa nuclear da Coreia do Norte é apenas a mais dramática manifestação da importância desta área. Essas são apenas algumas das razões pelas quais os Estados Unidos e outros países do mundo devem não somente prestar atenção na região, mas auxiliar os países asiáticos a organizarem-se como um consistente e equilibrado bloco.

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O AUTOR

FUKUYAMA é professor de economia política internacional na Johns Hopkins University e membro de diversas organizações de prestígio internacional. CALDER é diretor do centro de estudos Edwin O. Reischauer da Ásia Oriental na Johns Hopkins University.

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