Moda e Comunicação – Moda Básica

Moda e Comunicação – Moda Básica

Coleção Coleção Os Romanov

Autor: MALCOLM BARNARD

Preço: R$ 43,00

268 pp. | 14x21 cm

ISBN: 85-325-1532-0

Assuntos:

Selo: Editora Rocco

Uma peça de roupa não é moda até que alguém a use para indicar sua posição social real ou ideal. Esta é uma das máximas defendidas por Malcolm Barnard em seu novo livro, Moda e comunicação. Professor de História e Teoria da Arte & Design, o autor parte do princípio de que moda, indumentária, vestimenta, adorno e estilo são coisas completamente diferentes. E ele explica o porquê com base em teorias sociológicas, econômicas, políticas, psicanalíticas, filosóficas e, como não poderia deixar de ser, teorias da comunicação. Adorno, Barthes, Baudrillard, Derrida, Eco, Freud, Jameson, Lévi-Strauss, Lipovetsky, Marx, Engels, Platão e Saussure são apenas alguns dos diversos pensadores citados como base de sua argumentação sobre a moda, um elemento tão rico em frivolidade quanto em importância na história das sociedades.

Segundo Barnard, a indumentária é um dos fatores que tornam as sociedades possíveis, visto que ela ajuda a comunicar a posição dos indivíduos. Por exemplo: reconhece-se imediatamente um policial, um mendigo, um juiz, um varredor de rua ou um militar por suas roupas, e todos sabem como se comportar diante de cada um deles. E a moda, como meio de comunicação e como instrumento de construção de uma identidade, serve tanto ao indivíduo quanto a um grupo social inteiro. Sua mensagem, entretanto, só pode ser compreendida dentro de um contexto cultural.

O curioso é que a moda também pode ser usada como forma de contestar e criticar as identidades. Foi o que fez o movimento punk, com suas peças de roupa detonadas e chocantes, feitas para provocar a burguesia. Mas a moda sempre sai ganhando, pois se alimenta de qualquer uso que se faça dela. Tanto que a estética punk passou de contestação a artigo de luxo, explorada e banalizada por diversas grifes, até se tornar uma velharia sem valor, encontrada em qualquer camelô do mundo. Da mesma forma, enquanto que no passado o uso do sutiã era tido como um símbolo da escravização da mulher pela moda, atualmente é a ausência desta peça que causa incômodo nas feministas mais radicais, revoltadas com a exploração do corpo feminino, exposto em roupas transparentes que o reduziriam a um mero objeto sexual.

O pudor é outra prova de que as mensagens da moda só têm sentido quando analisadas em um contexto específico. O conceito de pudor muda de uma cultura para outra, de uma época para outra, de modo que um mesmo traje de banho pode ser considerado conservador numa comunidade e acintoso em outra. Por isso, uma das preocupações de Barnard é explicar o mecanismo semiológico que gera significados na moda. Os integrantes dos grupos sociais não se sentam para discutir e estabelecer os códigos de seu vestuário, eles nascem junto com a cultura e se desenvolvem naturalmente, como qualquer forma de linguagem.

Barnard acredita que a moda seja um instrumento pelo qual as pessoas se integram à sociedade sem perder a individualidade. Além disso, ela dá forma e cor às distinções e desigualdades sociais. É por esse motivo que o autor defende que a moda, tal como a conhecemos hoje, só passou a existir depois do século XIV. Antes disso, a mobilidade social era praticamente inexistente: senhores feudais nasciam e morriam senhores feudais, do mesmo modo que um servo nunca deixava de ser o que era. Por isso que os trajes dessas duas categorias não sofreram grandes alterações ao longo de toda a Idade Média – as poucas mudanças observadas foram essencialmente utilitárias, tanto no Oriente quanto no Ocidente. Só com a entrada do capitalismo, e da conseqüente mobilidade social, é que a moda surgiu.

O autor também analisa a roupa como proteção, manifestação de pudor, forma de atração, expressão individual e definição de status social, econômico, político e religioso. Ele afirma, por exemplo, que não é apenas por uma questão de elegância que a rainha Elizabeth se veste com a chamada antimoda, roupas clássicas que independem das tendências do momento. Como a antimoda muda vagarosamente ao longo do tempo, ela transmite a idéia de estabilidade. Por outro lado, a princesa Diana, famosa por se guiar pelos ditames da moda, costumava acenar com a necessidade de mudança, de renovação.

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O AUTOR

Malcolm Barnard é professor-assistente de História e Teoria da Arte & Design na Universidade de Derby, na Grã-Bretanha. Publicou obras nas áreas de reprodução cultural, filosofia e cultura visual. Já publicou Approaches to understanding visual culture e Art design and visual culture: na introduction. Moda e comunicação é seu primeiro livro lançado no Brasil.

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MÍDIA

Anos Rebeldes
Matéria publicada no Estado de S. Paulo

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