Lunar Park

Lunar Park

Coleção O legado de Orïsha #1

Autor: BRET EASTON ELLIS

Preço: R$ 44,00

370 pp. | 14x21 cm

ISBN: 85-325-2072-3

Assuntos: Ficção – Romance/Novela

Selo: Editora Rocco

Diz-se que a identidade de um escritor é construída por sua obra e pela mídia. Bret Easton Ellis, por exemplo, foi incensado como o maior talento de sua geração em 1985, aos 21 anos, quando lançou seu romance de estréia, Abaixo de zero. Em seguida, os tablóides sensacionalistas tornaram célebres seus excessos de álcool, sexo e drogas, enquanto a imprensa literária o nomeava porta-voz da chamada geração X. Em 1991, ao publicar O psicopata americano, ele era o enfant terrible que todos adoravam odiar ou odiavam amar. E agora ele resolveu fazer de si próprio o personagem principal de seu novo romance, Lunar Park, confundindo leitores e detratores acostumados à figura pública forjada pelas fofocas e pela qualidade de sua ficção.

Lunar Park começa como uma autobiografia. Ellis confirma, sem pudores, tudo o que se sabe (ou que se pensa saber) sobre ele: o sucesso repentino, os escândalos, seus amores e desafetos famosos, seu cinismo e arrogância. E também a relação tumultuada com seu pai, um homem violento que lhe deixou U$ 10 milhões em dívidas ao morrer e cujo último desejo Ellis se recusou a realizar, embora pudesse fazê-lo com facilidade.

Tudo parece corresponder à realidade, com riqueza de detalhes polêmicos. Até que Ellis começa a falar de coisas das quais ninguém jamais ouviu falar: sua decadência profissional, seu casamento com uma atriz medíocre e o filho que ele despreza desde antes do nascimento. Em Lunar Park, é impossível distinguir os limites entre ficção e realidade. Apenas Bret Easton Ellis, o autor, poderia esclarecer o que, em seu livro, é mentira com fundo de verdade ou verdade exagerada por algumas mentiras. Mas nem adianta perguntar – ele se recusa a responder.

A grande surpresa, no entanto, não é quando o leitor se dá conta de que está lendo uma obra de ficção, mas, mais específico que isso, uma história de terror. Os personagens dos livros anteriores de Ellis começam a atormentá-lo – especialmente Patrick Bateman, o assassino de O psicopata americano, inspirado em seu pai, que também parece ter voltado do mundo dos mortos para persegui-lo. Em paralelo, cadáveres proliferam em torno de Ellis, enquanto os garotos pré-adolescentes da vizinhança vão desaparecendo um a um, sem deixar vestígios. Fantasmas do passado e da ficção invadem a realidade do escritor para destruir sua sanidade mental.

O autor enlouqueceu ou é tudo verdade? Ou o que o atormenta são as seqüelas do uso contínuo e abusivo de drogas? De qualquer maneira, que diferença faz? Importa apenas o fato de que Lunar Park e as críticas ao livro construíram uma nova identidade para Bret Easton Ellis: a de escritor maduro no auge da forma, hábil em prender a atenção do leitor ao mesmo tempo em que frustra suas expectativas, alternando sadismo, violência, comicidade, decadência, crítica social, substâncias ilícitas, niilismo e cinismo num ritmo frenético.

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O AUTOR

Bret Easton Ellis nasceu em Los Angeles, em 1964. Quando ainda era um estudante de 21 anos, publicou Abaixo de zero (1985), romance que fez dele o ícone de uma nova geração de escritores, apelidada de Brat Pack. Depois vieram Os jogos da traição (1987), O psicopata americano (1991), Os informantes (1994) e Glamorama (1998), todos publicados no Brasil pela Rocco. Seus três primeiros livros se tornaram filmes homônimos com grande sucesso.

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