Kate Somente

Kate Somente

Coleção Trilogia O Último Policial

Autor: ERIN BOW

Preço: R$ 34,50

344 pp. | 14x21 cm

ISBN: 978-85-7980-148-8

Assuntos: Juvenil, Rocco Jovens Leitores

Selo: Rocco Jovens Leitores

Disponível em e-book

Preço: R$ 24,00

E-ISBN: 978-85-8122-323-0

Desprovida de qualquer atrativo físico, lisa como uma tábua, muito cedo Katerina Svetlana ganhou um apelido pouco inspirador: Kate Somente. Ela preferia a versão usada pelo pai: “Kate, minha estrela.” Piotr trabalhava como entalhador e deu à filha um formão quando outras crianças da mesma idade ainda nem conseguiam segurar uma colher. Antes mesmo de aprender a andar, a garotinha já sabia desbastar madeira. Tudo indicava um futuro previsível, com Kate tornando-se antes mesmo dos 20 anos uma talentosa entalhadora. A história, porém, tomou rumos diferentes.

Tudo ia bem para Piotr e Kate naquele começo de inverno, apesar da escassez de alimentos e da doença que começava a afetar grande parte da população da pequena Samilae. Era chamada de febre da bruxa e não costumava ser agradável aos olhos. Os doentes debatiam-se na cama, consumindo-se, soluçando sobre os demônios que estavam rasgando suas juntas. Poucos sobreviviam. Quando o pai começou a passar mal, Kate não pôde acreditar. Ficou ao seu lado dia e noite, mas, em uma manhã cinzenta, ele não resistiu. Nas semanas seguintes, Kate dedicou-se a fazer uma placa para sua cova.

Quando o trabalho ficou pronto, a vida esvaziou-se. O que faria agora? A resposta chegou rápido, mas não era uma boa notícia. Outro entalhador chegou um dia à oficina de Piotr para tomar posse. Havia comprado a licença e iria assumir a loja. Com lágrimas nos olhos, Kate juntou suas poucas ferramentas e um cobertor e partiu em direção à banca onde o pai costumava vender seus entalhes na praça. A banca também pertencia ao município, mas ninguém a tiraria dali. Na primeira noite, improvisou uma cama em uma das gavetas, a qual se tornaria sua casa. Enquanto lutava contra o frio, começou a ouvir um barulho de choro.

Em uma gaveta acima da que estava ocupando, descobriu três gatinhos abandonados pela mãe. Decidiu colocá-los junto de si. Eles não resistiriam ao frio da noite de outro modo. Assim, com três pequenos companheiros, Kate foi passando os dias. Entalhava pequenos amuletos e conseguia algo para comer. Não todos os dias. Logo os gatos cresceram, um deles decidiu ficar com ela. Chamava-se Braque e costumava lhe trazer presentes. Morcegos, ratos e camundongos acabavam virando almoço ou jantar. Sob os olhares atentos de toda a população, Kate também costumava pescar para não morrer de fome.

Rejeitada por muitos, Kate tinha a simpatia de poucos habitantes de Samilae. O padeiro Niki era um desses. Vez ou outra, trazia-lhe pães que não serviam mais para serem vendidos. Kate ia sobrevivendo. A tranquilidade, no entanto, estava prestes a acabar. As mudanças começaram com a chegada de um “branco de bruxa”, como eram chamados os albinos naquela época. Atendia por Linay, vendia pequenos amuletos feitos de lata à luz do dia, mas exibia seus poderes de bruxo a quem deles necessitasse. Depois de alguns dias dormindo próximo à banca de Kate, o forasteiro aproximou-se para solicitar-lhe um serviço: precisava que Kate talhasse um novo arco para seu violino.

Kate até pensou em recusar o trabalho, mas a barriga vazia a fez mudar de ideia. Poucos dias depois da aproximação, Linay fez uma proposta à menina: queria comprar sua sombra. Em troca, concederia a Kate seu maior desejo. A resposta foi não, mas ele não desistiu. Na cidade dominada por superstições e crenças em maldições, ele foi plantando intrigas contra Kate, que resultaram em um ataque à banca em que vivia. Sem dinheiro ou perspectivas, restou à Kate aceitar a proposta de Linay, o que a permitiria sair da cidade. Ela só não podia esperar que isso causasse uma reviravolta tão grande em sua vida. Auxiliada pelo padeiro Niki, conseguiu ser aceita pelo grupo de nômades que passava por Samilae.

Acompanhando os nômades junto com seu, agora, gato falante, uma cortesia de Linay, Kate deixou para trás uma vida difícil, mas previsível. Longe da proteção de sua gaveta, viu-se diante de perigos e mistérios que nem imaginava existirem e com os quais teria de aprender a lidar de qualquer jeito. Afinal, mesmo para uma pessoa sem sombra, a vida seguia em frente.

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O AUTOR

A canadense Erin Bow nasceu em Des Moines, mas cresceu em Omaha, nos Estados Unidos. Física por formação, escritora por opção, poeta e mãe, Erin Bow reside em Kitchener, Ontário, com o marido e também escritor James Bow e duas filhas. Kate Somente levou seis anos para ser concluído, durante os quais Erin Bow lançou dois livros de poesia e um de memórias. Por suas poesias, recebeu o prêmio CBC Canadian Literary. Kate Somente recebeu o Prêmio TD Canadian Children’s Literary como melhor livro infantojuvenil publicado em 2010.

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