Em Liberdade

Em Liberdade

Coleção Dorothy tem que morrer

Autor: SILVIANO SANTIAGO

Preço: R$ 34,00

256 pp. | 14x21 cm

ISBN: 85-325-0482-5

Assuntos: Ficção – Romance/Novela, Ficção Nacional

Selo: Editora Rocco

Disponível em e-book

Preço: R$ 24,00

E-ISBN: 978-85-81222-47-9

No dia 13 de janeiro de 1937, por iniciativa de amigos e graças à ajuda do advogado Sobral Pinto, Graciliano Ramos livrou-se da prisão, após quase um ano encarcerado. O que teria sentido o autor de Vidas secas ao arriscar os primeiros passos em liberdade? O fato é que Graça – como era carinhosamente chamado – jamais escreveu uma linha sequer sobre o período que se sucedeu à soltura. Mas deveria ter escrito – pensa o poeta, escritor, crítico e professor Silviano Santiago que, em uma das mais originais viagens literárias de nosso tempo, aventurou-se em imaginar o que Graciliano teria anotado em um diário a respeito do que viu e viveu nos primeiros três meses fora das grades.

Publicado originalmente no início dos anos 1980, quando os relatos de prisão dominavam a cena literária brasileira, Em liberdade causou rebuliço ao abordar justamente o oposto das "memórias do cárcere". O que teria sentido o escritor Graciliano Ramos, em 1937, ao arriscar os primeiros passos em liberdade, depois de um ano encarcerado? No livro, Santiago apresenta uma ficção "alterbiográfica", recriando Ramos política e existencialmente. Para mergulhar nesta história, ele estudou durante quatro anos a vida do escritor alagoano, sua obra, pesquisou jornais, revistas e livros da época e consultou mapas do Rio de Janeiro de então. "A partir deste material deixei que minha imaginação delirasse. Para mim foi uma coisa mágica, como se eu estivesse psicografando", conta ele.

Em liberdade foi considerado pelo crítico literário Fábio Lucas – em matéria no Jornal da Tarde – uma das obras que melhor representa a ficção, a poesia e a ensaística brasileiras do século XX. Também um conjunto de críticos da Folha de S. Paulo, há algum tempo, listou o livro entre os dez melhores romances brasileiros dos últimos 30 anos. Passando pela história de Cláudio Manoel da Costa, no século XVIII, Em liberdade pauta-se em Graciliano Ramos, mas chega a Wladimir Herzog, discutindo a questão do intelectual e o poder. Para Santiago, o livro é um grande mergulho na realidade brasileira. "Uma tentativa de integrar o Brasil, levando em conta seu dilaceramento", afirma ele. Desde quando foi publicado – na década de 80 – Em liberdade tem suscitado diversas interpretações. A reação da crítica foi entusiástica e salientava a audácia da proposta ficcional. Para os leitores, o romance causou grande rebuliço por ir contra a maré do início dos anos 80, pois se tratava de um livro que enfatizava a liberdade no momento em que, apesar de ser importante o problema da reconstrução da democracia no país, os relatos de prisão eram dominantes nas livrarias.

O romance pode ser apreciado ainda hoje por essas questões que permanecem atuais e instigantes, oferecendo um primoroso retrato histórico do Brasil.

Comente  
Instagram

O AUTOR

Silviano Santiago é um dos mais prolíficos intelectuais brasileiros. Poucos autores conseguiram conjugar tão bem, e de forma tão definitiva, obras ficcionais e críticas. Escritor, poeta, professor, crítico literário e ensaísta, foi três vezes vencedor do Jabuti – com Em liberdade (romance, 1982), Uma história de família (romance, 1993) e Keith Jarrett no Blue Note (contos, 1997). Seu romance Heranças recebeu o Prêmio ABL de Ficção 2009 e ficou entre os finalistas do Jabuti e do Portugal Telecom. Suas obras foram traduzidas para o inglês, francês e espanhol.

Página do autor +