Do Paraíso e do Poder – os Estados Unidos e a Europa na Nova Ordem Mun

Do Paraíso e do Poder – os Estados Unidos e a Europa na Nova Ordem Mun

Coleção Coleção Marginália

Autor: ROBERT KAGAN

Preço: R$ 24,00

108 pp. | 14x21 cm

ISBN: 85-325-1552-5

Assuntos: Ciência Política/Relações Internacionais, História

Selo: Editora Rocco

Nos últimos tempos, o mundo tem se escandalizado com a postura cada vez mais intervencionista dos EUA. Muitos acreditam que o rumo da única hiperpotência mudou desde os atentados de 11 de setembro de 2001 ou, antes, desde a eleição do presidente George W. Bush. Entretanto, Robert Kagan não concorda com isso. Em seu novo livro, Do paraíso e do poder, o ex-funcionário do departamento de Estado norte-americano explica com admirável clareza por que não há nada de surpreendente na atual política de seu país. Para ele, o que se vê hoje é apenas a continuidade do trabalho das três últimas administrações dos EUA. Com riqueza de detalhes históricos, o autor joga luz sobre a natureza do abismo ideológico que se aprofunda entre Europa e América, com previsão de um futuro não muito melhor.

Por um lado, os EUA são considerados um país de temperamento belicoso, produto de uma sociedade violenta, que recorre à força com rapidez, pouco paciente com a diplomacia, por ver o mundo dividido entre o Bem e o Mal. Já a Europa enxerga um cenário mais complexo e prefere agir por intermédio das instituições internacionais, como a ONU. Segundo Kagan, ambos os perfis são caricatos. Mas, como toda caricatura, têm base na verdade, que aqui só pode ser compreendida relembrando-se o passado.

Até a metade do século XX, a Europa sempre viveu em conflito. Com a Primeira Guerra Mundial, as cinco potências do continente ficaram arrasadas, o que lhes deixou na dependência dos banqueiros americanos por décadas. Desde então, a Europa tem se afastado da política do poder – com a criação da Liga das Nações, tentou garantir a segurança coletiva, evitando novos conflitos armados. Mas a diplomacia fracassou e veio a Segunda Guerra, que praticamente destruiu qualquer esperança de que um dia voltasse a existir uma potência européia. Após cinco séculos de domínio colonial, todas as metrópoles, empobrecidas, tiveram que abrir mão de suas colônias, incapazes de mantê-las sob seu poder. E assim a Europa acabou num estágio de dependência estratégica dos EUA, até hoje.

Em 1992, quando os países europeus se uniram num só grupo econômico e político, houve a promessa de que o continente reconquistaria sua grandeza de outrora e se tornaria a nova superpotência. Mas isso só se cumpriu no que se refere à economia – os EUA, com seu poderio militar e econômico, ainda estavam anos-luz à frente em poder geopolítico e estratégico. Naquela década, os conflitos nos Bálcãs e em Kosovo, praticamente decididos pelos americanos, deixaram clara a incapacidade da Europa de resolver seus problemas militares sozinha. Com o fim da Guerra Fria, os EUA ficaram livres para intervir onde quisessem, fosse na Europa, no Panamá (1989), no Iraque (1991) ou na Somália (1992, ainda que em caráter humanitário). Portanto, quando George W. Bush disse estar disposto a atacar o que chamou de "eixo do mal", tendo em seguida bombardeado o Afeganistão (2001) e novamente o Iraque (2003), Robert Kagan não ficou surpreso – o presidente americano estava sendo coerente com a política de seus antecessores, George Bush pai e Bill Clinton, que prepararam o país para ser capaz de atuar em várias guerras simultâneas.

Tudo isso explica por que, nos últimos meses, EUA e Europa enxergaram Saddam Hussein de formas diversas. Kagan esclarece a questão usando o que chama de psicologia do poder: "O homem que só conta com uma faca pode resolver que o urso que ronda pela floresta é um perigo tolerável, já que a alternativa – caçar o urso armado com apenas uma faca – é, de fato, mais arriscada do que esconder-se e esperar que o urso jamais ataque. É provável que, armado com um fuzil, porém, o mesmo homem faça um cálculo diferente do que constitui risco tolerável. Por que correr o risco de ser atacado e morrer, se não precisa fazê-lo?" No presente caso, os EUA estão com o fuzil; já a Europa só tem a faca.

Kagan acredita que, de certa forma, os europeus se sentem confortáveis tendo os EUA como xerifes do mundo, pois isso faz dos americanos o único alvo de ataques. O autor diz que hoje temos uma Europa pós-moderna, um paraíso de paz que não quer reviver os horrores de suas antigas guerras. O problema é que quando os americanos pedem imunidade no Tribunal Criminal Internacional, é contrariada a crença européia de que todos os países, fortes ou fracos, são iguais perante a lei. Se esse princípio for desrespeitado, como poderá sobreviver a União Européia, que depende da obediência geral às suas leis?

Por fim, Kagan destrói outro mito: o de que os EUA têm tendência isolacionista. Segundo ele, trata-se de um país cuja história sempre foi marcada pela expansão de território e de influência, e o é cada vez mais.

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O AUTOR

Robert Kagan nasceu em 1958 e é mestre em política e relações internacionais pela Universidade de Harvard. Historiador, especialista em política externa e colunista do The Washington Post, ele trabalhou como analista de política externa para o candidato do Partido Republicano, John McCain, na última corrida presidencial norte-americana. Dele, a Rocco já publicou Do paraíso e do poder – Os Estados Unidos e a Europa na nova ordem mundial e, mais recentemente, O retorno da história e o fim dos sonhos.

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