As Redes da Ilusão

As Redes da Ilusão

Coleção O legado de Orïsha #1

Autor: AMY TAN

Preço: R$ 58,00

448 pp. | 14x21 cm

ISBN: 978-85-325-2327-3

Assuntos: Ficção – Romance/Novela

Selo: Editora Rocco

O novo romance da escritora sino-americana, Amy Tan, As redes da ilusão, enfoca, de modo tocante e sutil, a fragilidade das relações humanas a partir da enigmática tensão entre mãe e filha. Ao contrário de seu último livro, O oposto do destino, dessa vez a escritora investe na ficção, num diálogo permanente com a filosofia budista e suas particularidades em Mianmar, antiga Birmânia, no sudeste asiático.

Amy Tan apresenta ao leitor a especialista em antiguidades Bibi Chen, na verdade um fantasma que não consegue se recordar das circunstâncias de sua morte, noticiada com sensacionalismo pela imprensa. O ponto de vista de um personagem tão surreal dá o toque mágico da narrativa. Plena de estilo e humor, Bibi se recorda das suas tragédias familiares: o pai que morrera de um ataque cardíaco, o irmão de cirrose alcoólica e o outro, vítima de um acidente, além da mãe, que também morrera antes que pudesse conhecê-la. A relação com a madrasta, ironicamente chamada de Doce Mãezinha, é tensa. No entanto, é esta mulher dura e racional que vai moldar o seu caráter, levando-a a esconder seus sentimentos.

Antes de morrer, porém, Bibi combinara com um grupo de amigos norte-americanos uma viagem por Mianmar. A partir deste passeio que a especialista em antiguidades chamou de “Seguindo os passos de Buda”, as peripécias do romance se desenvolvem. Composto por 12 norte-americanos, o grupo parte para uma expedição que começa no Himalaia, China, e segue rumo ao sul pelas florestas da Birmânia.

No grupo, uma galeria de personagens complexos e idiossincráticos se forma. Alguns deles se destacam: Vera, uma velha senhora que, desde os cinqüenta anos, decidira que suas roupas de dia a dia não deveriam ser menos confortáveis do que as que ela usava na cama; ou Wendy Brokhyser que, mesmo entre amigos, guardava um segredo – ele queria lutar pelos direitos dos birmaneses, pela democracia e pela liberdade. Ao seu lado, Wyatt Fletcher, seu amante há um mês, filho de empresários de Mayville, nos Estados Unidos. Ou ainda Harry Bailley, famoso adestrador de cães que, durante a viagem, tem fixação em sexo, procura avidamente uma parceira amorosa.

A misteriosa morte da organizadora da excursão, e narradora invisível da história, provoca desarmonia entre os integrantes da expedição. Mesmo assim, eles decidem seguir adiante. Numa manhã de Natal, os viajantes saem do barco por um lago enevoado para um cruzeiro ao nascer do sol – e desaparecem. Com exceção de Harry, o primeiro a detectar a ausência do grupo, os turistas são dados como desaparecidos, o que gerará uma série de interpretações da imprensa e da sociedade americana, para o fato.

Ao contar as peripécias dos turistas norte-americanos sob o ponto de vista de um fantasma muito perspicaz, Amy Tan toca no tema comum tanto ao Ocidente, quanto ao Oriente: a ilusão. Ela escancara para o leitor o quão tênue é o limite entre a realidade e a ficção, e até onde se pode ir quando se utiliza a imaginação como fio condutor de uma narrativa.

A ilusão criou para Bibi imagens equivocadas sobre sua morte, mas também a aproximou de sua verdadeira mãe e de seu passado. Quando parece que todas as peças que faltam na sua vida são encontradas, reunidas com a cola da memória e da razão, a autora de As redes da ilusão revela que existem mais detalhes a serem investigados. Neste quebra-cabeça em constante montagem, Amy Tan mostra que a busca por respostas para questões pessoais dura o tempo de uma vida.

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O AUTOR

Amy Tan, norte-americana filha de pais imigrantes da China, nasceu em 1952. Inicialmente, estudou medicina e piano, que abandonou para seguir um curso de inglês e literatura. Foi também consultora de programas para crianças deficientes e proprietária de uma pequena editora. É autora de romances premiados, ensaios e contos publicados em revistas e antologias diversas. 

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