As Mulheres do Nazismo

As Mulheres do Nazismo

Coleção A Herdeira da Morte

Autor: WENDY LOWER

Preço: R$ 34,50

288 pp. | 16x23 cm

ISBN: 978-85-325-2899-5

Assuntos: História, Segunda Guerra Mundial

Selo: Editora Rocco

Disponível em e-book

Preço: R$ 24,00

E-ISBN: 978-85-812-2383-4

Para a consultora do Museu do Holocausto, Wendy Lower, autora de As mulheres do nazismo, uma das descobertas mais chocantes das pesquisas realizadas sobre o regime de Hitler foi descobrir o envolvimento de milhares de mulheres nos atos sádicos e sanguinários do ditador. O lado frágil e maternal, associado normalmente ao sexo feminino, dá lugar a histórias de assassinatos de crianças, caçadas frias a judeus, execuções sem piedade. Elas se arrependeram? Por que mataram? Muito pouco se estudou sobre a situação das mulheres que contribuíram com o regime nazista. Wendy Lower vai fundo na questão, analisando casos, teorias de historiadores, estudiosos e psicanalistas, e chega a conclusão de que elas estão longe de ocupar o papel de vítimas de um acontecimento histórico.

A Cruz Vermelha alemã treinou 640 mil mulheres durante a era nazista e cerca de 400 mil serviram na guerra. Muitas trabalharam em funções de apoio, como secretárias e enfermeiras, por exemplo. Mas grande parte se transformou em assassinas frias e torturadoras. “As Mulheres do Nazismo não eram sociopatas marginais. Elas acreditavam que suas ações violentas eram atos de vingança justificados, praticados contra inimigos do Reich. Na mente delas, esses atos eram expressões de lealdade” (Lower, 2014, p. 16).

É o caso de Erna Petri. A autora descobriu sua história enquanto pesquisava nos arquivos do Museu Memorial do Holocausto dos Estados Unidos. Em depoimentos, Petri descreve garotos judeus seminus em sua propriedade, choramingando enquanto ela apontava a pistola. Meninos que quase conseguiram escapar, não fosse a atuação implacável de uma mulher que, apesar de também ter filhos, não se deixou levar pelas súplicas infantis. No interrogatório, a mulher declarou que sua atitude se justificou pelo desejo de provar seu valor para os homens e a vontade de se associar ao antissemitismo do regime.

A figura protetora das enfermeiras também ganhou nuances distintas durante o regime nazista. “Na Alemanha, elas participavam da seleção de doentes físicos e mentais nos hospitais, e escoltavam essas vítimas para a morte em câmaras de gás ou lhes aplicavam uma injeção letal” (idem, p. 55). E, além de promover uma seleção nada natural dos que deviam permanecer vivos e integrar a nação, elas testemunharam assassinatos e privações dos judeus e prisioneiros de guerra soviéticos, e estavam na plataforma de trens impassíveis, enquanto judeus trancados nos vagões imploravam por socorro. Muitas cometeram assassinatos em massa, quando o programa de eutanásia se expandiu da Alemanha para a Polônia.

E o que dizer das professoras? Elas tiveram um papel nada secundário, essencial na pregação das ideias nazistas para as novas gerações de alemãs, um trabalho constante de doutrinação e convencimento. Mas não apenas isso. Bater em crianças que não se conformassem era uma prática comum nos anos 1930, e menores com alguma deficiência eram denunciados para a triagem.

A autora ainda detectou a presença de mulheres em caçadas a judeus, prática realizada apenas para a diversão de alemães embriagados. “Os judeus se tornaram alvos fáceis que traziam satisfação instantânea a atiradores inexperientes e geralmente embriagados. Exaustos e malnutridos, os trabalhadores judeus caminhavam lentamente pela neve. Suas silhuetas negras se destacavam na paisagem branca do inverno”  (idem, p.121).

Lower revela uma faceta cruel associada à atuação das mulheres alemãs durante a guerra. “O genocídio é coisa de mulheres também. Tendo ‘oportunidade’, as mulheres se aliam a ele, mesmo em seus aspectos mais sangrentos. Reduzir a culpa das mulheres a poucos milhares de guardas femininas desencaminhadas por lavagem cerebral não representa a realidade do Holocausto” (idem, p. 181), conclui.

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O AUTOR

Wendy Lower é professora de História do Claremont McKenna College e pesquisadora da Universidade Ludwig Maximilian em Munique. Consultora de História do Museu Memorial do Holocausto dos Estados Unidos, ela pesquisa o tema há mais de 20 anos e já publicou diversos livros e artigos.

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