Aqui Nos Encontramos

Aqui Nos Encontramos

Coleção O legado de Orïsha #1

Autor: JOHN BERGER

Preço: R$ 33,50

208 pp. | 14x21 cm

ISBN: 978-85-325-2347-1

Assuntos: Ficção – Romance/Novela

Selo: Editora Rocco

Aquilo que você deveria saber é o seguinte: os mortos não ficam onde estão enterrados." A partir dessa premissa, confidenciada por sua mãe, já morta há 15 anos, num encontro na capital portuguesa, John visita, no inverno de sua vida, pessoas que fizeram parte de sua história. Tal protagonista é ninguém menos que o próprio autor, o aclamado inglês John Berger – ganhador do Booker Prize, em 1972, por G. –, que constrói, em Aqui nos encontramos, amálgama de romance, ensaio e autobiografia, um livro de memórias originalíssimo.

"Os mortos, quando estão mortos, podem escolher onde querem viver na Terra, sempre se supondo que eles decidam ficar na Terra" – assim Miriam complementou a informação ao seu filho, John. Daí, a cada capítulo, Berger passeia por lugares, reflexões, indagações e revelações de seus mortos, tão vivos dentro de si, e pelas lembranças daquilo que viveu com cada uma daquelas pessoas. A "saudade" permeia todos os textos e, por isso mesmo, sua viagem – que, embora em locais exteriores, constitui uma busca interior – só poderia começar em Lisboa, cidade cuja música, o fado, sintetiza este sentimento além da nostalgia; o lugar de sua mãe.

"Apenas escreva o que descobrir (…), e faça o gesto de cortesia de nos observar." Uma homenagem, portanto, pedida por Miriam, de John para os seus mortos, gente que forjou sua personalidade e que não está mais aqui. Este encontro entre mãe e filho, muito provavelmente, seria o estopim de criação deste livro, depois de vagares e conversas por praças, bondes, bairros turísticos e históricos, o Mercado da Ribeira, o Tejo, o aqueduto das Águas Livres. Sendo assim, através de um encontro com sua filha, Katya, que trabalhava no Grand Théâtre de Genebra, ponto de encontro enigmático e amante de segredos, Berger presta sua homenagem ao argentino Jorge Luis Borges, poeta de seu apreço, enterrado num cemitério da cidade suíça.

De Lisboa e Genebra, John vai a Cracóvia, onde encontra o fantasma do neozelandês Ken, homem sedutor, cerca de trinta anos mais velho que ele, que ganhava a vida como jornalista, professor primário, professor de dança, figurante de cinema, gigolô, vendedor de livros sem loja, árbitro de críquete. Ou, então, talvez tudo isso seja falso, porém, ainda assim, um retrato sincero, em matéria de sentimento, de um sujeito que fora o seu paseur – palavra com freqüência traduzida como "balseiro" ou "contrabandista", mas que também carrega a conotação de "guia". Ken iniciara o protagonista na literatura – Orwell, Proust, Masnfield, Miller, Joyce, Wilde, García Lorca – e no sexo.

E, assim, John segue seu caminho de reminiscências e considerações: dissertando sobre frutas, conforme lembradas pelos (seus) mortos; visitando um amigo de seus tempos em Londres, durante a Segunda Guerra Mundial, que era o elo com um amor do passado; confrontando as pinturas rupestres dos homens de Cro-magnon sob a Pont d’Arc, no princípio dos desfiladeiros de Ardèche; esbarrando em Madri com o fantasma do homem que lhe ensinara como escrever; comparando o rio Szum, um córrego próximo à casa de um amigo na Polônia, ao Ching, "o rio de seu pai", que corria no jardim da casa onde morou até o seis anos num subúrbio do leste de Londres. Com Aqui nos encontramos, John Berger, beirando os 82 anos, brinda os leitores com um mergulho profundo e criativo no passado – um relicário romanceado de sensações, personagens e experiências de quem volta seu olhar para a longa estrada percorrida.

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O AUTOR

John Berger nasceu em Londres, em 1926, e faleceu em janeiro de 2017, aos 90 anos, em Paris. Aos 15 anos era anarquista. Depois da Segunda Guerra Mundial, quando já era escritor, passou a ser duramente criticado por sua simpatia ao marxismo. Ele é famoso por suas obras de ficção – romances e contos – e não-ficção, em especial livros de crítica de arte. Destaque para Modos de ver, de 1972, referência para toda uma geração de historiadores da arte, ao refletir sobre a relação entre o que vemos e o que sabemos ou acreditamos. São também do autor: Terra nua, Uma vez in Europa e Fotocópias, todos publicados pela Rocco. Atualmente, vive nos Alpes franceses, praticamente recluso.

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