A Vendedora de Fósforos

A Vendedora de Fósforos

Coleção Coleção Marginália

Autor: ADRIANA LUNARDI

Preço: R$ 29,50

192 pp. | 14x21 cm

ISBN: 978-85-325-2688-5

Assuntos: Ficção – Romance/Novela, Ficção Nacional

Selo: Editora Rocco

Disponível em e-book

Preço: R$ 20,50

E-ISBN: 978-85-81220-52-9

Uma mulher aproveita a folga de fevereiro para pôr em ordem a sua estante de livros. No meio da arrumação, é surpreendida por um telefonema: a irmã mais nova, que mora em outra cidade, foi internada após mais uma tentativa de suicídio. Depois de anos de separação, a mais velha é obrigada a rever o passado, essa caixa-preta de fraturas, angústias, segredos, recalques e escombros que, durante muito tempo, esquivou-se de inventariar.

O romance A vendedora de fósforos é um mosaico perturbador da relação entre duas irmãs. Sob um eixo narrativo, a mais velha – que não é identificada por um nome próprio – descreve sua viagem rumo ao encontro daquela que foi hospitalizada. Uma segunda narrativa, à guisa de “memórias”, ilumina os episódios vividos entre elas até a chegada da vida adulta.

Neste passado, o microcosmo é uma família de classe média com hábitos peculiares. O pai, um contador inábil, estabelece uma rotina nômade para todos, fugindo de dívidas e de seu próprio passado. De tão frequentes, as mudanças de cidade inviabilizam a criação de laços que extrapolem o círculo familiar. A mãe resigna-se numa espécie muito particular de submissão, engalanada com tailleurs e sapatos de salto improváveis para o cotidiano de uma dona de casa. E o irmão mais velho intriga fonoaudiólogos com um problema incomum: é incapaz de referir-se a si próprio em primeira pessoa.

Imersas nesse sistema disfuncional, as irmãs estabelecem uma complexa relação que culmina no torturante jogo de espelhos. Alteridade e amálgama, sobreposição e jogos de sombra, comunhão e disputa. Tudo isso se mescla na torrente de fantasmas que é a vida compartilhada, base para que a autora construa uma narrativa engenhosa, rumo a um final surpreendente.

A vendedora de fósforos tomou o seu título do conto “Den lille pige med svovlstikkerne” (“A pequena vendedora de fósforos”), de Hans Christian Andersen. “Dá para mudar a história dos livros?”, indaga uma das irmãs. “Aquela é a história do Andersen. A minha eu conto assim”, ouve como resposta. É a linguagem, afinal, que funde as duas irmãs-protagonistas deste romance. Ambas aspirantes a escritoras, constroem sua relação em jorros vocabulares e silêncios profundos; embaralham-se e azucrinam-se porque estão, como grande parte dos personagens de Adriana Lunardi, ousando experimentar as artimanhas da palavra.

Em seu segundo romance, Adriana Lunardi retoma os temas que marcam sua elogiada trajetória na literatura contemporânea, entre os quais o hálito da morte – sua presença nas entrelinhas –, como elemento que redimensiona a trama. A autora também volta a explorar as muitas faces da atitude narrativa, com o que ela tem de pecado e redenção, para interligar cacos de uma história contada de forma não linear, embaralhada e densa como é, sempre, a composição do passado.

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O AUTOR

Seu segundo romance, A vendedora de fósforos, lançado em 2011, foi finalista do Prêmio São Paulo. Adriana Lunardi estreou na literatura com As meninas da Torre Helsinque(1996), pelo qual recebeu os prêmios Fumproarte e Açorianos, este nas categorias de autor revelação e melhor livro de contos. Em 2000, foi contemplada com uma bolsa da Biblioteca Nacional, que resultou em seu segundo livro de contos, Vésperas, publicado em 2002 e traduzido para o francês, espanhol e croata, além de ser editado em Portugal. Em 2006, estreou na narrativa longa com o romance Corpo estranho, que foi finalista do prêmio Zaffari/Bourbon.  Natural de Santa Catarina, Adriana Lunardi mora no Rio de Janeiro. 

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