A Reinvenção dos 50

A Reinvenção dos 50

Coleção As Memórias do Primeiro Tempo

Autor: SUZANNE BRAUN LEVINE

Preço: R$ 32,50

192 pp. | 14x21 cm

ISBN: 978-85-325-2502-4

Assuntos: Comportamento, Estudos De Gênero

Selo: Editora Rocco

A perspectiva de uma vida mais longa nem sempre corresponde ao melhor aproveitamento do tempo. Se para muitas pessoas a aposentadoria e o fim da fase de cuidados com os filhos trazem uma incômoda sensação de inutilidade, o momento é de encarar esta nova etapa para descobrir novos interesses ou até reencontrar os que já estavam esquecidos, acredita Suzanne Braun Levine, a autora de A reinvenção dos cinquenta – Lições de vida para as mulheres na segunda adolescência.

Com experiência em analisar os temas femininos na revista Ms, o principal veículo do feminismo norte-americano, do qual foi a primeira editora, entre 1972 e 1988, Suzanne Braun Levine trata da maturidade como o período a não ser desperdiçado em uma luta inócua pela busca da juventude. Ela própria constatou que a maioria das mulheres que passou pelo que denomina de “segunda adolescência” – a época entre os 40 e 60 anos de idade, quando se procura absorver as mudanças do organismo e seus efeitos em cada uma – não quer voltar ao passado.

O que fazer com o resto de sua vida é uma questão comum mesmo para as mulheres que continuam trabalhando depois da aposentadoria, lembra a autora, que não se dirige somente às que se dedicaram a cuidar de filhos e maridos, mas também às que fizeram carreira profissional. Recomendações sobre planejamento econômico, cuidados com a saúde e fortalecimento dos laços de amizade são embasados por relatos de vivências em diferentes campos, entre eles o de novos interesses amorosos. 

Mulheres famosas estão no livro ao lado das desconhecidas, com depoimentos sobre as dificuldades em enfrentar o envelhecimento físico. Glória Steinem, a fundadora da Ms e um dos principais ícones do feminismo mundial, admite o sofrimento em encarar as próprias rugas ao mesmo tempo em que lutava contra a supervalorização da juventude. Suzanne Braun cita uma entrevista da atriz britânica Helen Mirren, na qual ela adverte para o perigo de se encantar pelo poder “mortificante e irritante” que as jovens têm quando são objetos sexuais. “Quando ele começa a desaparecer, é um alívio”, afirma a atriz.

Descobrir o ponto de equilíbrio na transição para a velhice pode ser facilitado pelo apoio de grupos de amigas, diz a autora, alertando que a redução do nível de estrogênio no corpo feminino permite que a testosterona se imponha, incentivando a ousadia de correr novos riscos – o que pode levar a decisões intempestivas, como o fim de um casamento, com consequências dolorosas.

A solidificação dos laços familiares e afetivos pode acompanhar a “segunda adolescência”, acredita Suzanne, pode também reduzir o impacto psicológico negativo da menopausa, tratada pela mídia, pela indústria farmacêutica, pelos médicos e pelos jovens como uma verdadeira ameaça. Desmistificar esta fase, sem permitir que a influência externa a transforme em um período de decadência pessoal, buscando novos projetos e valorizando as experiências acumuladas na vida é a melhor maneira de alcançar uma perene sensação de plenitude.

Com exemplos e indicações práticas, como a de dedicar-se a causas sociais, ambientalistas e humanitárias, Suzanne Braun Levine demonstra que envelhecer pode ser mais estimulante do que pregam os cultores da incessante procura da eterna juventude, que pode, isso sim, gerar mais frustrações do que aceitar o correr do tempo.

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O AUTOR

Suzanne Braun Levine é americana, especialista em questões femininas e familiares. Sua coluna mensal “Invente o resto de sua vida” deu origem ao livro homônimo, o primeiro não ficcional de sua carreira, baseado em seus estudos sobre uma nova fase da vida da mulher – a segunda adolescência. Primeira editora da revista Ms, onde trabalhou por 17 anos, a autora, que também foi editora da Columbia Journalism Review, vive com o marido e dois filhos em Nova York.

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