A História de Mora

A História de Mora

Coleção DC Super Hero Girls

Autor: JORGE BASTOS MORENO

Preço: R$ 34,50

352 pp. | 16x23 cm

ISBN: 978-85-325-2845-2

Assuntos: Biografia/Memórias/Diários, Política

Selo: Editora Rocco

Disponível em e-book

Preço: R$ 24,00

E-ISBN: 978-85-81222-54-7

A história de Mora engloba uma série de episódios ocorridos em torno de um ícone da política brasileira no século 20: Ulysses Guimarães. Figura central no processo de democratização do país, no livro do jornalista Jorge Bastos Moreno os fatos decisivos e trágicos da trajetória do deputado e constituinte são contados por um narrador especial, que a tudo vê com olhos de esposa, dona Ida Maiani de Almeida, carinhosamente apelidada de Mora.

A visão feminina faz toda a diferença. No meio de uma às vezes terrível luta política entre homens, o livro apresenta um olhar marginal no melhor sentido do termo, um olhar cheio de afeto e sentimento, mas também perspicaz como só uma mulher sabe ser. Ou, nas palavras do antropólogo Roberto DaMatta, que assina a introdução da obra, “Mora observava tudo tirando dos fatos a sua participação como um ator fora do proscênio e, com isso, filtrava e desvestia os acontecimentos da aura da sacralidade e segredo que tipificam o mundo político, no caso do Brasil e o mundo em geral”.

Com mais de 35 anos de carreira, Jorge Bastos Moreno é um dos experientes jornalistas políticos do país. Dono de estilo informal, interessou-se em conhecer a vida do casal Ulysses e Mora depois de uma longa viagem que fez pela Ásia e Europa na companhia dos dois, como enviado do jornal O Globo. Sem pretensões a biografia, o livro nasceu, segundo o autor, de uma única aspiração: contar as histórias da vida de um dos mais importantes políticos brasileiros. Em especial, a saga da sua candidatura à Presidência da República, em 1989, e a determinação de Mora em enfrentar a maioria dos governadores do país, todos do PMDB, para impor o nome do marido. “Dizem que acabei mudando a história do país ao enfrentar 20 ou mais governadores que tentavam impedir a candidatura de Ulysses Guimarães, na primeira eleição direta pós-ditadura. Ou seja, barrar o sonho de uma vida inteira”, conta Mora, em primeira pessoa, no depoimento ao jornalista.

Em todos os seus 50 capítulos, o livro segue sempre em tom de conversa agradável, mesmo ao tocar nos temas mais espinhosos, como a relação do deputado com os generais-presidentes do regime militar: “Gente, o antimilitarismo de Ulysses é que sempre atrapalhou sua vida. Meu marido nunca gostou dos militares, no que, aliás, sempre foi muito bem correspondido. Se Figueiredo não queria dar posse a Sarney por motivos cosméticos da ditadura, os militares nunca aceitariam meu marido na Presidência da República. Numa das comemorações do 31 de Março, meu marido divulgou nota comparando o general Geisel a Idi Amin Dada, provocando enorme crise.”

Em linguagem coloquial e saborosa, o relato acompanha o caminho do político nascido na cidade de Rio Claro, em São Paulo, em 1916, e morto em 1992, num acidente de helicóptero ao largo do litoral de Angra dos Reis, no Rio de Janeiro. Não houve episódio importante da política brasileira, durante a ditadura e mesmo depois dela, que não esteve sob o comando de Ulysses: as campanhas da Constituinte, da chamada anticandidatura em 1973 (quando percorreu o país e estimulou as bases do MDB a resistir ao regime militar), das Diretas, da candidatura Tancredo Neves, do impeachment do presidente Collor de Mello e do parlamentarismo, a última de que participou. Os nomes de todas essas campanhas acabariam precedidos da palavra “Senhor”. “Assim, meu marido foi do ‘Senhor Constituinte’ ao “Senhor Parlamentarismo’.”

O mais conhecido, aquele que calou fundo na alma dos brasileiros, foi o “Senhor Diretas”. Dona Mora relembra a luta que, apesar de contar com o apoio da população, acabou derrotada no Congresso, em 1984: “A Emenda Dante de Oliveira me levou, pela primeira vez, para a frente dos palanques, ao lado do Senhor Diretas. Nenhuma outra mulher de político apareceu mais nas capas de jornais e revistas, de mãos dadas com os principais políticos do país, do que eu. Todos queriam saber quem era aquela mulher ali, sempre de braços erguidos, gritando Diretas Já!. Era eu, a madrinha do autor de emenda.”

Além do farto anedotário político, o livro seleciona algumas das mais conhecidas frases de Ulysses Guimarães: “Com o ‘se’, você bota Paris dentro de uma garrafa”; “O bom político, geralmente, é mau amigo e mau parente”; “Não digam que isso é passado. Passado é o que passou. Não passou o que ficou na memória ou no bronze da História”. E mais esse trecho, que resume sua conduta franca e honesta: “Não sei nem andar de bicicleta. Mas não publiquem isso. Ano que vem, serei candidato à Presidência da República, e um homem que não sabe dirigir uma bicicleta não saberá também dirigir um país.” 

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O AUTOR

Jorge Bastos Moreno, em seus mais de 40 anos de carreira, tem passagens pelo Jornal de Brasília e pelo Jornal do Brasil. Hoje é diretor do Infoglobo em Brasília e assina a coluna Nhenhenhém de Brasília em O Globo. Criador do blog Rádio do Moreno, seu jornalismo político se destaca pelas notícias dos bastidores do poder, contadas com estilo próprio e humorístico. A história de Mora é o seu primeiro livro.

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