A Grande Fala do Índio Guarani e a Catedral de Colônia

A Grande Fala do Índio Guarani e a Catedral de Colônia

Coleção O legado de Orïsha #1

Autor: AFFONSO ROMANO DE SANT’ANNA

Preço: R$ 32,50

184 pp. | 16x23 cm

ISBN: 85-325-0920-7

Assuntos: Ficção – Poesia

Selo: Editora Rocco

Disponível em e-book

Preço: R$ 23,00

E-ISBN: 978-85-81222-28-8

Dois poemas da mesma fase, com igual estrutura – de "longo fôlego" – e já esgotados de Affonso Romano de Sant’Anna estão sendo reeditados pela Rocco. A grande fala do índio guarani perdido na história e outras derrotas e A catedral de Colônia, do fim dos anos 70 e início dos 80, falam de História, literatura, repressão política, cultura, América Latina, religião etc. – mas sobretudo do papel do poeta diante disso tudo. A reedição inclui ensaios sobre os poemas e sobre o autor, escritos por nomes como Tristão de Athayde e José Guilherme Merquior.

"É impossível não morrer de carro / nas estradas do meu país. /

Ou então se morre por outras vias e urros por / outros choques e murros /

por outras armas e fomes. /

– É cada vez mais difícil / a esquina de outro dia em meu país."

Dono de uma cultura poética universal, de acordo com Tristão de Athayde, Affonso fez de seu poema "uma longa e patética interrogação em torno do poder e do alcance da poesia, não só como beleza formal, no sentido estético, mas como alcance formal no sentido epistemológico em que "forma significa aquilo que é". O jornalista e crítico Donald Schuller, em outro artigo que integra a edição da Rocco, viu, no livro de Affonso, ao lado do Poema sujo de Ferreira Gullar, a síntese maior do período de ditadura imposta pelo golpe de 64.

"Que esta catedral sou eu / atroz-ateu / cristão-judeu /

preto-plebeu / que esta catedral é o corpo vivo da História /

e a história do próprio Eu."

No fim do poema, a partir do Carnaval de Colônia, o autor imagina um grande desfile de figuras históricas em frente à Catedral: personagens como Hitler e Lampião num verdadeiro samba do crioulo doido. E lembra a lenda que dizia que a construção da catedral não podia terminar nunca, precisava estar em eterno recomeço. Como a História. E a poesia.

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O AUTOR

Um dia dizendo seus poemas na Irlanda, no Festival Gerald Hopkins (1996), ou na Casa de Bertold Brecht, em Berlim (1994), outro dia no Encontro de Poetas de Língua Latina (1987), no México, ou presente num encontro de escritores latino-americanos em Israel (1986), ou participando no International Writing Program, em Iowa (1968), Affonso Romano de Sant’Anna tem reunido, através de sua vida e obra, a ação à palavra. Foi assim quando, em 1973, organizou na PUC-Rio a EXPOESIA, que congregou 600 poetas desafiando a ditadura e abrindo espaço para a poesia marginal; foi assim em 1963, no início de sua vida literária, quando se tornou um dos organizadores da Semana Nacional de Poesia de Vanguarda, em Belo Horizonte. Com esse mesmo espírito de aglutinar e promover seus pares, criou, em 1991, a revista Poesia Sempre, que divulgou a poesia brasileira no exterior e foi lançada tanto na Dinamarca quanto em Paris, tanto em San Francisco quanto Nova York, incluindo também as principais capitais latino-americanas.

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