A Cadeira da Águia

A Cadeira da Águia

Autor: CARLOS FUENTES

332 pp. | 14x21 cm

Tradução: Marcos Arzua

Assuntos: Ficção – Romance/Novela

Selo: Editora Rocco

Impresso

ISBN: 85-325-1852-4

Preço: R$ 40,00

A Cadeira da Águia, novo romance de Carlos Fuentes, vai ao futuro para falar de velhas questões políticas que se perpetuam há séculos. A ação se passa no México do ano 2020. Por ordem de Condoleeza Rice, a presidenta norte-americana, o país está privado de internet, fax, telefonia, televisão, rádio e qualquer outra tecnologia que permita a comunicação interna e externa. Tudo porque o presidente mexicano, Lorenzo Terán, ousou negar-se a exportar petróleo para os EUA por um preço mais baixo que o estabelecido pela Opep. E também por ele ter se manifestado contra a intervenção americana na Colômbia. Como castigo, foi forjada uma falha técnica no Centro de Satélites da Flórida, do qual dependem totalmente as telecomunicações mexicanas.

A história é toda contada por cartas e transcrições de fitas cassetes, trocadas entre altos funcionários do governo mexicano e seus amantes. Estão todos de olho na Cadeira da Águia, o cargo de presidente da república, que deverá mudar de mãos dentro de quatro anos. Há os que desejam ser eleitos, os que preferem eleger, os que acreditam em golpes de Estado e ainda os que se contentam em ir para a cama com o futuro dono do poder. A leitura das cartas oferece um panorama da intrincada rede de alianças, chantagens, vinganças, promessas, mentiras, corrupção e sedução que se estabelece. Ninguém é amigo de ninguém, embora as declarações de amor não sejam raras. Os políticos são fiéis apenas a si próprios. Sexo e escândalo são moedas de troca. E nenhum golpe é baixo o bastante para ser descartado.

O modo genial de desvendar as intrigas palacianas apenas através de cartas é inspirado no clássico As ligações perigosas, de Chordelos de Laclos. E a filosofia política dos personagens é assumidamente baseada em O príncipe, de Maquiavel. Mas os personagens de Carlos Fuentes são de uma amoralidade ainda mais acintosa, talvez por estarem tão próximos da realidade atual. As máximas escritas pelos fictícios donos do poder mexicano seriam cômicas, se não fossem trágicas e tão verdadeiras. Diz um deputado: "Fazemos parte da região mais arruinada e financeiramente estúpida do mundo: a América Latina. A importância latino-americana é, justamente, não possuir saúde financeira. Somos importantes porque criamos problemas aos demais integrantes do sistema. (…) Não somos, como defende a visão do vulgar populismo deslocado, vítimas do Fundo Monetário Internacional (FMI) ou escravos do Primeiro Mundo. Ocorre justo o contrário. Eles são as nossas vítimas. Deles extraímos, graças aos nossos erros e fragilidades calculados, a única força da América Latina, a qual consiste em postergar." Outra amostra dessa filosofia: "O Congresso tem três missões. Uma, fazer passar as leis. Outra, impedir que passem. Mas a mais importante consiste em garantir que as discussões se estendam indefinidamente, que nada se resolva por completo, que a agenda viva cheia de pendências."

O melhor é que a prosa de Carlos Fuentes é absolutamente divertida. Os joguinhos sexuais dos personagens expõem sua falta de escrúpulos, mas também seu ridículo. E como reza a tradição mexicana do dramalhão, algumas passagens são dignas dos melhores vilões das telenovelas, como a revelação de que o secretário de governo, Bernal Herrera, é amante da raposa política María del Rosario Galván há 20 anos, e de que ambos escondem do mundo um filho deficiente mental que abandonaram num asilo. Também não deixa de ser engraçado o mapa geopolítico que Fuentes prevê para 2020: uma Argentina balcanizada, dividida em diversas republiquetas independentes e incompetentes; a Colômbia ocupada pelos EUA; Fidel Castro surpreendentemente vivo e ignorado pela presidenta norte-americana, Condoleeza Rice. E George W. Bush cristalizado na História como um "um homem alienado, um boneco de ventríloquo". Não é demais lembrar que o livro anterior de Fuentes é o ensaio Contra Bush e que o autor conheceu bem os meandros do poder quando foi embaixador do México na França.

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O AUTOR

Filho de pais diplomatas, Carlos Fuentes, o mais prestigiado escritor mexicano, nasceu no Panamá, em 11 de novembro de 1928, e passou sua infância em diversas capitais da América. Na adolescência, regressou ao México, país onde se radicou até 1965 e que marcaria sua obra.

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