Capa do livro Lesão Corporal

Lesão Corporal

Autor: margaret atwood

Tradução: Ana Deiró

Preço: R$ 29,50

320 pp. | 14x21 cm

ISBN: 85-325-1867-2

Assuntos: FICÇÃO – ROMANCE/NOVELA

Selo: Rocco

Entretecido a ferro e fogo com as descrições precisas e as impressões severas de uma personagem em crise, Lesão corporal é um livro sobre a mortalidade – de um amor, de uma ilusão e de lampejos de esperança – e a necessidade de se desfazer velhos nós, relações e certezas puídas pelo tempo. Escrito em 1981, Margaret Atwood produz um romance psicológico com o ritmo de thriller de suspense para acompanhar a incisão profunda, que atravessa corpo e alma de Rennie, protagonista da história.

Jornalista freelancer, especialista em matérias leves sobre tendências e modismos que muitas vezes inventava e outras vezes até se tornavam verdades, Rennie se considerava uma especialista em superfícies e aparências até se deparar com um fato real e iminente: um câncer em estágio avançado que a obrigaria a perder parte do seio, a auto-estima e o aparente controle sobre o seu próprio corpo e sobre a vida. De repente, ela se vê como parte das estimativas que se habituara a usar para ilustrar suas matérias.

Casada com Jack, designer de etiquetas acostumado a colocar rótulos em caixas e contêiners, a classificar objetos e contextualizar sentimentos, Rennie parecia satisfeita em fazer parte do pacote completo idealizado pelo amante. Da cor das paredes à decoração do quarto do casal, das roupas que Rennie vestia às posições e fantasias do ato sexual, tudo era planejado por ele. A relação acaba com a descoberta da doença de Rennie e aquilo que ela chama de ‘beijo da morte’, ou a sensação de perenidade do corpo.

Sem saber o que fazer com o futuro que se anuncia sombrio, perdida diante de um passado que insiste em retornar como fantasma constantemente, Rennie decide tirar férias de si, do câncer e do relacionamento desfeito para escrever uma reportagem de turismo no Caribe. Na aparentemente paradisíaca ilha St. Antoine, no entanto, as relações sociais se revelam apodrecidas por valores falaciosos; a cena idílica emerge borrada, frágil demais para se sustentar com um olhar mais atento.

"Não existem mocinhos e bandidos, nada com que você possa contar, não há nada que ainda seja permanente, há muita improvisação", afirma o americano Paul, dono de um barco pesqueiro que se revela contrabandista de armas e abastece o grupo de políticos insurgentes local. Rennie dorme com Paul, ex-amante de Lora, canadense que evitou um estupro atravessando o estômago do padrasto com um abridor de latas; ela conhece o Dr. Minnow, candidato à presidência das primeiras eleições livres do pequeno país caribenho, para quem sangue é sinônimo de notícias e jornalistas internacionais o único vínculo com uma moralidade externa.

A apatia e a cegueira da protagonista Rennie atordoam e incomodam o leitor. Aprisionada por seu próprio drama pessoal, ela não consegue vislumbrar a revolução que se forma diante de seus olhos, nem prever a inevitabilidade de um golpe político armado. Rennie se aborrece por não conseguir escrever sobre a ilha paradisíaca que desejara encontrar. Arrastada pelos acontecimentos que não consegue entender ou interpretar, Rennie se vê presa à teia de intrigas do local.

Margaret Atwood surpreende ao mudar o tom e a forma da narrativa e fazê-la ganhar viés político ao abordar a crise numa remota ilha do Caribe, o golpe de Estado e as artimanhas do jogo político. O livro se torna, portanto, uma critica ao individualismo e à perda de valores coletivos. A protagonista de Lesão corporal resiste até o fim para não envolver com as questões sociais. Ela assiste de camarote ao golpe; ela se surpreende com os verdadeiros papéis de cada um dos atores envolvidos na cena; ela acaba isolada numa ilha sem luz ou transporte, sem vínculo com o mundo exterior, é presa, perde os documentos e, só assim, recupera e refaz a sua identidade.

Com maestria, Margaret Atwood consegue se distanciar moralmente da personagem e, ao mesmo tempo, mergulhar em suas particularidades e idiossincrasias. Simultaneamente dramático, sedutor e engraçado, Lesão corporal é marcado pelo microscópico poder de observação de Atwood, precisa e sensível em sua crítica social. A um tempo natural e sofisticadamente elaborada, a prosa de Atwood é capaz de transformar detalhes em impressionantes metáforas, repletas de humor vigoroso e requintado.

"O livro me nocauteou. Margaret Atwood parece capaz de fazer qualquer coisa: pessoas, lugares, problemas, um ouvido perfeito, uma voz exata."
Anatole Broyard, The New York Times

"Romance e aventura escritos por uma versão feminina

de Graham Greene no auge de sua forma."

Marilyn French, autora de The Women’s Room

"Prosa de primeira qualidade, suspense magnifico."
The Atlantic Monthly

"Lesão corporal garante à autora um lugar de destaque entre os romancistas."
Cosmopolitan

 

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O AUTOR

Uma das maiores escritoras de língua inglesa, Margaret Atwood foi consagrada com alguns dos mais importantes prêmios internacionais, como o Man Booker Prize (2000) e o Príncipe de Astúrias (2008), pelo conjunto de sua obra, além de ter sido agraciada com o título de Cavalheira de L’Ordre des Art et Lettres, na França. Tem livros publicados em mais de 30 idiomas e reside em Toronto, depois de ter lecionado Literatura Inglesa em diversas universidades do Canadá e dos Estados Unidos e Europa. Transita com igual talento pelo romance, o conto, a poesia e o ensaio, e se destaca por suas incursões no terreno da ficção científica, em obras como O conto da aia e Oryx e Crake, ambos publicados pela Rocco.

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