Capa do livro Vidas Investigadas

Vidas Investigadas

De Sócrates a Nietzsche

Autor: james miller

Tradução: Hugo Langone

Preço: R$ 44,50

384 pp. | 16x23 cm

ISBN: 978-85-325-2747-9

Assuntos: FILOSOFIA

Selo: Rocco

Disponível em e-book

Preço: R$ 29,00

E-ISBN: 978-85-81221-41-0

Qual a relação entre a vida e a obra de um grande filósofo? Qual interesse a vida de um filósofo pode despertar com relação à sua obra? É possível se pensar a vida de um filósofo sem que, com isso, sua obra seja a ela reduzida? Tais questões, que sempre pareceram espinhosas à própria filosofia, e da qual muitos comentadores tentaram se distanciar, parecem estar presentes ao longo de toda a obra recém-traduzida ao português de James Miller. Vidas investigadas – de Sócrates a Nietzsche, como o próprio título já antecipa, trata de uma investigação e, mais ainda, de uma investigação que se faz a partir das vidas de 12 filósofos, sendo o elenco composto por Sócrates, Platão, Diógenes, Aristóteles, Sêneca, Agostinho, Montaigne, Descartes, Rousseau, Kant, Emerson e Nietzsche.

Desde o início, a escolha do tema do livro por si só já se mostra interessante e corajosa, por mostrar que o filósofo, além de uma pessoa de carne e osso, é também um personagem histórico, inserido em uma certa tradição, com suas preferências e seus preconceitos. E, com toda sensatez, o autor acompanha a biografia de cada pensador no intuito, não de reduzi-lo a um mero contexto histórico, mas justamente para mostrar a singularidade e a originalidade de seu pensamento, partindo de sua gênese. Assim, de acordo com a exposição do autor, o pensamento de cada filósofo vai ficando familiar ao leitor conforme o livro é lido, tornando o recurso da apresentação biográfica uma ferramenta impressionante de ensino e de familiarização com pensamentos tão complexos.

Outro fator que deve ser sublinhado é que, dentre o panteão de filósofos escolhido pelo autor, alguns grandes nomes acabam não figurando (como, por exemplo, Tomás de Aquino, Hume, Hegel e Schopenhauer), mas, em contrapartida, nomes que podem não ser considerados tão grandes como estes acabam impressionando ao aparecer (como Diógenes, Sêneca, Emerson e o próprio Montaigne). Seria isso mera arbitrariedade do autor? Será que, levado demais pela autobiografia, James Miller acabara impondo seu juízo de valor ao orquestrar a composição da obra? Parece certo que não. Pois, ainda que, de modo totalmente coerente com seu objeto de investigação, Miller tenha partido de sua biografia para escolher seu elenco (já que seu próprio livro nos mostra que as escolhas filosóficas passam sim pela decisão singular do autor), a escolha de cada filósofo deu-se a partir de sua vida. O próprio autor afirma que “cada um se esforçava para levar sua vida de acordo com um conjunto de preceitos e crenças deliberadamente escolhidos”, concluindo que, por essa razão, todos podem nos ensinar algo sobre a busca pelo autoconhecimento.

E por que será que a vida de um filósofo pode nos ensinar algo sobre nós mesmos ou sobre como nos conhecermos melhor? A primeira frase do livro diz que “era uma vez um tempo em que os filósofos causavam espanto”. E isso porque, ao que tudo indica, o filósofo sempre espantou por se espantar. Aristóteles disse que a filosofia nasce do espanto e, então, o filósofo é aquele que se deixa espantar. Mas por que Miller, em um tom nostálgico, parece dizer que esse tempo já passou? Será que no mundo de hoje, em que tudo tem de ser rápido e imediato, ainda há tempo para o espanto? Ou será que toda nossa cultura, cada vez mais, parece querer se desespantar e se tranquilizar?

Estas perguntas, que parecem não ter resposta, estão também ecoando ao longo de todo o livro de Miller, que vê na vida dos filósofos, destes que se espantaram, se deixaram espantar e que tentaram, além de tudo, ensinar isso como modelo de vida, a chance de nossa cultura escapar do imediatismo e da superficialidade da qual padece uma cultura que não se espanta. E, nesse sentido, Vidas investigadas aparece ao leitor como uma instigante ferramenta de espanto, que permite essa reflexão sobre o espantar, ao mesmo tempo que oferece ao leitor um texto agradável, bem-humorado e filosoficamente competente.

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O AUTOR

James Miller é professor de política e diretor de estudos liberais na New School for Social Research. É autor de The Passion of Michel Foucault e Flowers in the Dustbin: The Rise of Rock and Roll, 1947-1977, entre outros livros. Vive em Nova York.

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