Capa do livro Simone Weil

Simone Weil

A Força e a Fraqueza do Amor

Autor: maria clara bingemer

Preço: R$ 39,00

342 pp. | 14x21 cm

ISBN: 978-85-325-2168-2

Assuntos: BIOGRAFIA/MEMÓRIAS/DIÁRIOS

Selo: Rocco

Ela poderia ter seguido o destino compartilhado por inúmeras filhas que, com seus pais, conseguiram fugir do horror nazista e recomeçar a vida na América. Com sua inteligência notável, ela poderia estudar nas melhores universidades, casar-se e criar os filhos. Poderia, ainda, aliar-se aos esforços de guerra doando suas panelas para fazer balas de revólver ou, ainda, sua aliança para a reconstrução dos países aliados. Para Simone Weil, nada disso bastaria. Não para aplacar a dor que sentia ao saber que aqueles que foram um dia seus vizinhos em Paris, seus concidadãos, os habitantes do mundo sofriam as dores da escravidão do trabalho em fábricas insalubres ou a carnificina que grassava nos campos de batalha na Europa. Simone, independentemente de ser filósofa, judia, mulher ou até mesmo feminista (já que sabia ser a dor do homem igual à da mulher) era, antes de tudo, cristã. E, para ela, a força e a violência eram intoleráveis, inconcebíveis, inadmissíveis. É esta figura ímpar de que trata Simone Weil - A força e a fraqueza do amor, de Maria Clara Bingemer.

A primeira parte narra a trajetória desta menina nascida em Paris, em 1909, de abastada família judia, dotada de notável inteligência, como seu irmão mais velho André. Foi das primeiras mulheres aceitas na École Normale Supérieure. Dividiu-se, intensamente, entre o magistério e uma efervescente atividade política, posicionando-se à esquerda e como simpatizante do anarquismo. Embora bastante jovem, "jamais lhe faltaram lucidez e isenção crítica quanto às contradições e aos limites das idologias políticas", em seus escritos.

Começando por mostrar quem foi Simone Weil, sua persistência em sempre estar onde o sofrimento pedia sua ajuda e sua solidariedade, Maria Clara traz, na segunda parte de seu livro um apanhado do pensamento da filósofa Simone Weil; suas idéias de como a violência e o uso da força surgem; como o homem moderno usa ambas para dominar o outro; os caminhos que essa opção pode levar a humanidade. Fala ainda de como as idéias do cristianismo primitivo – quando ainda era uma Igreja de Deus, e não aquela que foi erguida pelos homens – poderiam levar à redenção da civilização. Simone fez, ao longo de sua curta vida, um estudo da Bíblia que hoje, meio século depois de sua morte, é corrente entre os pensadores: o livro sagrado tanto para judeus como para cristãos é, sem dúvida, um dos mais sangrentos livros que o mundo já produziu. Simone questiona não apenas a Igreja de Cristo (e não Aquele a quem ela amou ardentemente) mas também a que seus pais herdaram.

A análise do pensamento de Simone Weil encontra, neste livro, eco em pensadores do seu tempo. Num capítulo, escutamos Emmanuel Levinas e René Girard debatendo com Simone os conceitos de violência e os meios de uso da força; em outra parte, vemos que, enquanto lutava com todas as suas forças contra a violência e a dominação de uns por outros, Simone partilhava seu destino em Cristo com outras duas mulheres extraordinárias: Edith Stein, filósofa, escritora e ensaísta que seguiu carreira religiosa e foi, por seu sacrifício (ela se entregou voluntariamente para morrer num campo de concentração, a fim de confortar os que para lá eram levados), canonizada em 1998, com o nome de Santa Teresa da Cruz; e Etty Hillesum, filósofa judia que, mesmo sem abraçar o cristianismo, viveu ardorosamente sua religião, e por ela morreu em Auschwitz. Dela temos não artigos ou livros, mas uma série de diários que terminam de uma maneira singular: seu último escrito é um cartão-postal, redigido às pressas e atirado pela janela do trem que levaria ela e sua família para o campo de concentração. Achado por camponeses, foi posto no correio e chegou em mãos de sua amiga. Nele, ainda há a esperança de Etty de voltar viva daquela viagem.

Simone Weil – A força e a fraqueza do amor fala de uma época de fome, guerra, desespero, violência e desprezo pela vida, mas também de esperança, fé, solidariedade e humanidade – sentimentos que hoje, por estarem esquecidos, tornam a obra de Simone Weil tão atual.

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O AUTOR

Maria Clara Bingemer é casada e mãe de três filhos adultos. Formou-se em comunicação e em teologia pela PUC do Rio e doutorou-se pela Universidade Gregoriana de Roma. É professora de teologia da PUC-Rio e decana do centro de teologia e ciências humanas da mesma universidade. Articulista do JB, e apaixonada pela palavra escrita, tem vários livros publicados como A argila e o espírito (Garamond), Um rosto para Deus? (Paulus), Violência e religião (Loyola). Foi organizadora das obras: Simone Weil: ação e contemplação (EDUSC), Mulheres de palavra (Loyola) e Os dez mandamentos (Loyola).

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