Capa do livro Buscas Curiosas

Buscas Curiosas

Autor: margaret atwood

Tradução: Ana Deiró

Preço: R$ 39,50

432 pp. | 14x21 cm

ISBN: 978-85-325-1381-6

Assuntos: CRÔNICA, ASSUNTOS CONTEMPORÂNEOS

Selo: Rocco

COMPRE O LIVRO

Um amplo e fascinante passeio pela história recente, conduzido com maestria e inconfundível senso crítico pela premiada escritora canadense, crítica literária e ativista Margaret Atwood: este é o fio condutor da coletânea de crônicas Buscas curiosas, com impressões sobre o fracasso e a queda de utopias, coletivas ou individuais, que nortearam o mundo ao longo das últimas décadas do século XX. Da queda do Muro de Berlim ao 11 de Setembro, passando por episódios da infância e da adolescência da autora, por ensaios sobre seus autores favoritos ou por apaixonadas defesas da causa ecológica, Atwood lança seu olhar cético sobre o mundo a seu redor.

A autora de O assassino cego descreve os ruídos, as conversas e os livros que povoaram a sua casa, na infância, e que a estimularam a se embrenhar no universo literário. Sua narrativa está igualmente permeada por sua experiência na militância pelos direitos da mulher. Atwood recupera, década a década, o papel da mulher, pois “parte da história que vivemos recentemente é a história do movimento feminista, e o movimento feminista influenciou a maneira como as pessoas leem, e, portanto, aquilo que se consegue fazer impunemente, na arte”; ela nos lembra.

Atwood discorre, por exemplo, com a mesma propriedade ao falar dos tradicionais nomes da chamada “alta literatura”, como John Updike e Gabriel Garcia Márquez, quanto de mestres do noir como Dashiell Hamet. Mas, o painel de Margaret se torna particularmente rico ao se debruçar sobre autores menos estudados no Brasil, como o sueco Hjalmar Söderberg, que, por meio de um “vigoroso estudo psicológico”, abordava tabus como aborto e eutanásia. Ou quando lança uma visão política e personalista sobre a ficção científica repleta de erotismo e provocação de Ursula Le Guin.

O mais notável em Margareth é que mesmo se ela fala de escritores muito conhecidos como H. G. Wells, George Orwell, Dickens ou os Irmãos Grimm – a lista é enorme! –, há frescor em sua voz. Sua prosa vem cheia de reminiscências íntimas, impressões vigorosas e detalhes que escaparam a outros críticos. É a assinatura de uma mulher com consciência histórica, capaz de provocar as verdades estabelecidas.

A escritora tem também muito a dizer quando aborda os Estados Unidos. Uma visão que em muitos momentos espelha o sentimento que a América Latina nutre em relação ao Grande Império. Afinal, o Canadá, mesmo tão perto geográfica quanto culturalmente dos EUA, não se confunde com ele. Atwood analisa, sem rodeios, o complexo de inferioridade da literatura e da história canadenses em relação àquelas produzidas pela nação norte-americana.

Muitas das melhores passagens de Buscas curiosas acontecem quando Margaret lança o seu olhar estrangeiro sobre as artes e a sociedade do país vizinho. Como em “Carta para América”, um dos capítulos mais explícitos do discurso outsider da escritora: “Os americanos puseram Deus no dinheiro, mesmo antes. Vocês, americanos, tinham uma maneira de pensar que as coisas que eram de César eram as mesmas que as coisas de Deus: Isto lhes dava autoconfiança. A América sempre quis ser uma cidade no alto de uma montanha, uma luz para todas as nações, e durante algum tempo foi.”

No fim desse passeio, o leitor descobre que foi igualmente sacudido pela emoção e pela nostalgia daquilo que, apesar de não presenciado, foi revelado por Margaret. E sejam edificantes ou terríveis, os sentimentos descritos justificam a leitura, e, para ela, a própria vida. Como a autora esclarece na obra: “Deus – que é, entre outras coisas, um autor – é tão apaixonado por defeitos de caráter e enredos terríveis quanto nós, escritores humanos.”

Comente  
Instagram

O AUTOR

Uma das maiores escritoras de língua inglesa, Margaret Atwood foi consagrada com alguns dos mais importantes prêmios internacionais, como o Man Booker Proze (2000) e o Príncipe de Astúrias (2008), pelo conjunto de sua obra, além de ter sido agraciada com o título de Cavalheira de L’Ordre des Art et Lettres, na França. Tem livros publicados em mais de 30 idiomas e reside em Toronto, depois de ter lecionado Literatura Inglesa em diversas universidades do Canadá e dos Estados Unidos e Europa. Transita com igual talento pelo romance, o conto, a poesia e o ensaio, e se destaca por suas incursões no terreno da ficção científica, em obras como O conto da aia e Oryx e Crake, ambos publicados pela Rocco.

Página do autor +