Capa do livro Madame Oráculo

Madame Oráculo

Autor: margaret atwood

Tradução: Léa Viveiros De Castro

Preço: R$ 29,50

320 pp. | 16x23 cm

ISBN: 85-325-1525-8

Assuntos: FICÇÃO – ROMANCE/NOVELA

Selo: Rocco

Quem nunca desejou reinventar sua vida? Pois Madame Oráculo, terceiro romance na carreira profícua da canadense Margaret Atwood, conta a história de Joan Foster, uma autora de romances góticos que utiliza o pseudônimo Louisa K. Delacourt. Nem mesmo seu marido, o enfadonho Arthur, desconfia de sua dupla identidade. O livro, lançado no Brasil em 1984 pela Marco Zero, está sendo reeditado pela Editora Rocco, que já publicou da autora O assassino cego (ganhador do Prêmio Booker Prize) e a coletânea de contos Dançarinas e outras histórias.

Madame Oráculo começa com Joan Foster tramando sua própria morte, abrindo a possibilidade de uma nova vida. E de criar uma nova biografia, em outro país. Mais precisamente a Itália. Sua tarefa agora é a de reescrever a personagem que ela viveu nas últimas três décadas: a criança obesa, a jovem que perdeu a virgindade com um escritor polonês de quinta categoria, o casamento com o radical Arthur, que apresenta características do típico maníaco-depressivo.

Em Madame Oráculo, Atwood utiliza com propriedade boa dose de poesia e de mágica, recheadas com bom humor. E ainda estabelece paralelos entre Joan e sua própria história. A autora, que nasceu no Canadá logo após o início da Segunda Guerra Mundial, teve uma infância sui-generis. Seu pai era um renomado entomologista e sua mãe uma das primeiras nutricionistas especializadas em dietas da província de Nova Scotia, bem distante de centros como Quebec e Toronto. Sem muitos amigos, rádio ou televisão, Margaret e seu irmão enfrentavam a solidão munidos de livros e criando, diariamente, mundos imaginários.

Não por acaso, no casamento de Joan Foster, uma das passagens mais engraçadas de Madame Oráculo, Atwood mistura mais uma vez escritora e personagem ao reproduzir sua própria – e especialíssima – cerimônia de casamento, em 1967, com o escritor americano Jim Polk, em Montreal.

A trama de Madame Oráculo se dá entre o Canadá e a Europa, cenários em que as muitas mutações sofridas por Joan Foster são apresentadas aos leitores. E é através desta longa – mas divertida – jornada, que Atwood traça um retrato de uma mulher que não pôde realizar quase que a totalidade de seus projetos, mas que, ainda assim, continua a se recriar em busca do tal sentido profundo da existência. Nem que seja em uma pequena vila italiana com o sugestivo nome de...Terremoto.

Um ícone cultural de seu país, Atwood criou em Madame Oráculo um livro inventivo mas ao mesmo tempo extremamente divertido. A escritora parece perguntar, a todo momento, se é mesmo possível solucionar os problemas escondendo-se deles. E Atwood mantém aqui uma das marcas que a fazem situar-se em lugar específico na literatura contemporânea: em Madame Oráculo ela capta, com a narração na primeira pessoa, o ponto de vista das mulheres na faixa dos 30 anos. Ou, ao menos, o das que têm coragem, disposição, inquietude e desapego para recomeçar, do nada, sua trajetória de vida.

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O AUTOR

Uma das maiores escritoras de língua inglesa, Margaret Atwood foi consagrada com alguns dos mais importantes prêmios internacionais, como o Man Booker Prize (2000) e o Príncipe de Astúrias (2008), pelo conjunto de sua obra, além de ter sido agraciada com o título de Cavalheira de L’Ordre des Art et Lettres, na França. Tem livros publicados em mais de 30 idiomas e reside em Toronto, depois de ter lecionado Literatura Inglesa em diversas universidades do Canadá e dos Estados Unidos e Europa. Transita com igual talento pelo romance, o conto, a poesia e o ensaio, e se destaca por suas incursões no terreno da ficção científica, em obras como O conto da aia e Oryx e Crake, ambos publicados pela Rocco.

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