Capa do livro Notícias em três linhas

Notícias em três linhas

Coleção Marginália

Autor: félix fénéon

Tradução: Marcos Siscar E Adriano Lacerda

Preço: R$ 44,90

192 pp. | 14x21 cm

ISBN: 978-85-325-3097-4

Assuntos: CRÔNICA

Selo: Rocco

Disponível em e-book

Preço: R$ 29,90

E-ISBN: 978-85-8122-726-9

"Cochet, nas redondezas de Bordeaux, não sabia que a espingarda estava carregada. Estava. Dois órfãos.” Muito antes da invenção do Twitter, o editor e crítico de arte Félix Fénéon fez sucesso com uma coluna de pílulas noticiosas em 135 caracteres no jornal francês Le Matin. O ano era 1906, e Fénéon soube exprimir com maestria o espírito de sua época, ao contar fatos curiosos do dia a dia de Paris e de seus arredores com olhar crítico e humor cáustico. Traduzido por Marcos Siscar, em parceria com Adriano Lacerda, a partir do original francês Nouvelles en trois lignes, Notícias em três linhas revela não só a perspicácia de Fénéon e sua incrível capacidade de síntese ao narrar os acontecimentos mais comezinhos, mas também uma visão um tanto desencantada da modernidade, ao colocar em evidência principalmente o caos e a violência presentes no cotidiano parisiense no início do século XX.
 
Félix Fénéon (1861-1944) marcou a vida parisiense da virada do século XIX para o XX. Com forte atuação política, foi amigo de artistas plásticos como Paul Signac e Georges Seurat, diretor da Revue Banche, prestigiosa revista de arte e literatura francesa, onde publicou nomes como o do escritor Marcel Proust. Mas foi pouco conhecido o seu talento de concisão como escritor e jornalista, capaz de transformar pequenas notícias do cotidiano em textos irônicos e refinados, em uma época em que o Twitter estava longe de ser inventado e as micronarrativas ainda não tinham se tornado tendência.
 
De maio a novembro de 1906, Fénéon foi redator do jornal parisiense Le Matin, onde colaborava com a coluna de atualidades “Notícias em três linhas”, composta por pequenos textos, que não passavam de 135 caracteres e tinham um estilo quase telegráfico. Tratavam de crimes passionais, acontecimentos políticos, cenas curiosas da vida privada.
 
Os textos não eram assinados e costumavam ser escritos por diferentes jornalistas. As contribuições de Fénéon, porém, se destacavam pelo estilo e conseguiam deixar transparecer, mesmo em trechos tão reduzidos, suas posições pessoais: a simpatia pelas mobilizações sindicais e de classe, a rejeição aos valores burgueses, o absurdo da morte. Mesmo os acontecimentos mais banais ganhavam a aparência de um haicai “Dormir no trem foi mortal para o senhor Émile Moutin,/ de Marselha. Ele se apoiava sobre a porta;/Ela se abriu, ele caiu” (p. 39).
 
As micronarrativas jornalísticas do crítico só se transformaram em livro em 1848, após a sua morte; até então, permaneceram guardadas pelo autor em um caderno. Poeta e professor de Teoria da Literatura na Unicamp, Siscar, que assina o prefácio da edição, enfatiza que as notícias escritas por Fénéon não se esgotam na sua referência factual “(...) antes, dão destaque a uma visão política e quase trágica da existência”.
 
Notícias em três linhas faz parte da coleção Marginália, uma reunião de textos que costumam habitar as bordas do universo literário. Cartas, diários, artigos de jornal e papéis avulsos de todo tipo compõem os livros, em edições cuidadosas organizadas por críticos e pesquisadores.

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O AUTOR

Félix Fénéon nasceu em Turim, em 1861. Passou a infância na Borgonha e, por treze anos, fora um funcionário modelar do Ministério da Guerra, em Paris. Ao mesmo tempo, colaborava com diversas revistas de agitação estética e política, frequentava os saraus de Mallarmé, publicava poemas de Jules Laforgue e Lautréamont e, por fim, foi o primeiro editor das Iluminações, de Rimbaud.

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