Capa do livro Gostar de ostras

Gostar de ostras

Autor: bernardo ajzenberg

Preço: R$ 29,90

192 pp. | 12,5x21 cm

ISBN: 978-85-325-3077-6

Assuntos: FICÇÃO – ROMANCE/NOVELA, FICÇÃO NACIONAL

Selo: Rocco

Disponível em e-book

Preço: R$ 19,90

E-ISBN: 978-85-8122-702-3

Ao fim de mais um dia de trabalho regado a tédio e inércia, Jorge, alheio a qualquer vizinho, caminha pelos corredores do condomínio onde mora para enfim se atirar no sofá ilhado entre as paredes nuas de seu apartamento e ouvir a habitual trilha sonora: as gargalhadas dos Durcan no andar de cima. Fosse ele rabugento, teria todos os motivos para pegar uma vassoura e bater forte no teto da sala. Mas quem em sã consciência, por mais sensível que seja a ruídos externos, teria coragem de protestar contra aqueles espalhafatosos octogenários franceses? A história desse pacato repórter de 30 e poucos anos, cuja rotina é tomada pela exuberância do casal Marcel e Rachelyne, conduz a narrativa de Gostar de ostras, novo romance do escritor, jornalista e tradutor Bernardo Ajzenberg, que, após o aclamado Minha vida sem banho, volta a conjugar o coletivo e o individual para produzir uma literatura ao mesmo tempo delicada e urgente.
 
Aquela sensação é uma velha conhecida de Jorge. Sempre que ouve uma das erupções dos Durcan, se dá conta do contraste entre a fúria feliz dos vizinhos e a precariedade de seus dias carregados de melancolia. Chegou a fazer os cálculos: descontadas as sete horas diárias de sono (uma de suas raríssimas conquistas ainda intocadas, salvo nas noites em que os franceses aprontavam das suas), uma semana tem 119 “horas úteis”. Como cerca de 105 se dividem entre o que chama de “momentos neutros” e “momentos melancólicos”, sobram, em média, duas horas diárias para os “momentos de bem-estar”. E, já que tempo para esse tipo de pensamento não costuma faltar, ele constatou também que quase 100% de seus 33 mil genes reproduzem o temperamento de seus pais, cujo projeto de vida mais ambicioso sempre foi a manutenção do dia a dia.
 
Certa noite, após repetidos encontros entre a portaria e o elevador, Jorge recebe um convite para jantar com os Durcan e descobre que o refúgio do casal é o exato oposto do espaço que ele ocupa imediatamente abaixo. Repleto de quadros, fotos, mesinhas, cinzeiros, cumbucas, estatuetas e lustres, remetendo a uma loja de antiguidades, parece uma caverna estranha e extremamente aconchegante que, construída pelo acúmulo de dezenas de anos e histórias, projeta uma viagem subliminar por lugares e tempos. Como a trepadeira no jardim do prédio – que insiste em crescer desordenadamente, muitas vezes em direção ao nada, mas gera uma flor de um roxo claro e ao mesmo tempo profundo, inegavelmente belo –, uma amizade improvável vai nascer naquele apartamento, revirando memórias e semeando mudanças.
 
Com delicadeza e completo domínio sobre a narrativa, Bernardo Ajzenberg aborda em Gostar de ostras temas como solidão, alienação e resiliência, enquanto discute a relação entre passado, presente e futuro. Se para Jorge o que já aconteceu parece algo abstrato demais, um amontoado de cenas que ele preferia manter encaixotadas atrás de um biombo, Marcel e Rachelyne não têm dúvidas de que são os tesouros de ontem que se reconstituem dentro de cada pessoa para formar o hoje – ainda que só quem vive intensamente o presente pode ser capaz de arquitetar um passado. Mesmo porque, como bem nos lembra W.B. Yeats na frase da epígrafe, “a vida é uma longa preparação para algo que nunca acontece”.

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O AUTOR

Bernardo Ajzenberg publicou, entre outros livros, Variações Goldman (1998), A gaiola de Faraday (2002, prêmio de Ficção do Ano da Academia Brasileira de Letras), Homens com mulheres (2005, finalista do Prêmio Jabuti), Olhos secos (2009, finalista do Prêmio Portugal Telecom de Literatura), Duas novelas (2011) e Minha vida sem banho (2014, vencedor do prêmio Casa de las Américas). Escritor, tradutor e jornalista, nasceu em 1959 e vive em São Paulo.

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