Capa do livro O ovo do Barba-Azul

O ovo do Barba-Azul

Autor: margaret atwood

Tradução: Carlos Ramires

Preço: R$ 39,50

288 pp. | 14x21 cm

ISBN: 978-85-325-2992-3

Assuntos: FICÇÃO – CONTO

Selo: Rocco

Disponível em e-book

Preço: R$ 25,90

E-ISBN: 978-85-8122-724-5

Sally ama Ed, mas ela não sabe se existe reciprocidade na relação. Ele é cardiologista, mas Sally não acredita que ele realmente se importe com as coisas do coração. Pelo menos, não as que dizem respeito aos afetos. Bonito, constantemente assediado pelas mulheres, Ed parece não dividir o mesmo mundo que Sally, que vive ansiosa, em constante ebulição emocional. Um dia, ela é desafiada a escolher um personagem da lenda do Barba-Azul para contar a história pelo seu ponto de vista. E ela escolhe o ovo. Aparentemente passivo, o ovo, no entanto, era a causa de todas as desgraças que aconteciam no conto folclórico, no qual um bruxo sequestrava mulheres e as testava para ver se mereciam casar com ele. O ovo do Barba-Azul e outras histórias, da romancista e poeta canadense Margaret Atwood, reúne doze contos que exploram os comportamentos de homens e mulheres diante de questões como amor e sexo, família e casamento, infidelidade e morte.
 
A lenda do Barba-Azul, que dá título ao livro, não está ali por acaso. O Barba-Azul era um bruxo que sequestrava mulheres. A escolha entre a morte e o casamento com ele – o que quer dizer muito em se tratando de uma relação que deveria ser pautada no amor – residia numa tarefa relativamente fácil de ser cumprida: a “pretendente” deveria tomar conta de um ovo na ausência do dono da casa. Além disso, ela teria a chave de todos os cômodos, mas deveria evitar apenas um. A curiosidade, no entanto, falava mais alto e elas acabavam deixando o ovo cair numa poça de sangue vinda dos corpos esquartejados das ex-futuras noivas que a atual moradora encontrava no lugar proibido. Pelo descuido, ela se entregava, e passava a ser a próxima a jamais sair daquela casa. A relação pode durar contanto que se viva na aparência, sem mexer no que há de sombrio naquela união. De outra forma, a relação acaba e ninguém sai inteiro dela.
 
Em outros contos, as relações estão lá, nunca perfeitas, sempre estranhas e angustiantes. Em “Loulou, ou, a vida doméstica da linguagem”, uma oleira suporta uma casa cheia de poetas do sexo masculino, todos já tendo se relacionado com ela como maridos ou amantes, e nenhum deles parece respeitá-la por mais que ela se esforce em cuidar deles. “Gatafeia” ridiculariza os esforços de um casal para manter uma abordagem politicamente correta do amor moderno. Outras histórias dizem respeito a casamentos que são ou frágeis (“A Íbis escarlate”), estão afundando (“O ovo do Barba-Azul”), ou em fase de redefinição ("O jardim de sal”). “Duas histórias sobre Emma” traça o perfil de uma mulher corajosa que se imagina invulnerável, enquanto “Nasce o Sol” mostra como uma mulher tenta compensar uma vida sem amor: ela é uma artista que se aproxima de homens estranhos na rua para posar para ela. Em “O canto primaveril das rãs” Will, um sujeito que “não é muito bom em relacionamentos”, tem a estranha habilidade de trazer à tona a anoréxica que vive nas mulheres com quem se relaciona, incluindo uma sobrinha que está hospitalizada.
 
O ovo do Barba-Azul e outras histórias reúne contos que fazem uma crítica mordaz aos relacionamentos entre as pessoas, de como eles estão cheios de sentimentos de angústia e alienação. O humor neles é quase triste e leva, algumas vezes, a um sorriso de canto de boca, enquanto se pensa que Sally pode estar certa: relacionamentos e pessoas são parecidos com ovos. Pequenos e frágeis, eles não dão trabalho enquanto não são rompidos. Uma vez rachados, porém, são capazes de causar toda sorte de sentimentos. Mas, afinal, quem deseja viver uma relação verdadeira se não quebrar ovos de vez em quando?

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O AUTOR

Uma das maiores escritoras de língua inglesa, Margaret Atwood foi consagrada com alguns dos mais importantes prêmios internacionais, como o Man Booker Prize (2000) e o Príncipe de Astúrias (2008), pelo conjunto de sua obra, além de ter sido agraciada com o título de Cavalheira de L’Ordre des Art et Lettres, na França. Tem livros publicados em mais de 30 idiomas e reside em Toronto, depois de ter lecionado Literatura Inglesa em diversas universidades do Canadá e dos Estados Unidos e Europa. Transita com igual talento pelo romance, o conto, a poesia e o ensaio, e se destaca por suas incursões no terreno da ficção científica, em obras como O conto da aia e Oryx e Crake, ambos publicados pela Rocco.

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Caprichos do amor
Correio da Bahia