Capa do livro A Barca dos Homens

A Barca dos Homens

Autor: autran dourado

Ilustração: Ciro Fernandes

Preço: R$ 35,00

292 pp. | 14x21 cm

ISBN: 85-325-1019-1

Assuntos: FICÇÃO – ROMANCE/NOVELA, FICÇÃO NACIONAL

Selo: Rocco

Disponível em e-book

Preço: R$ 21,00

E-ISBN: 978-85-64126-38-1

Autran Dourado definiu A barca dos homens como "uma história de caça e pesca". A linha condutora seria a história da perseguição a um homem que teria roubado uma arma. Fortunato, o fugitivo em questão, é um débil mental que vai mexer com a realidade e os sonhos, o consciente e o inconsciente dos habitantes e veranistas de uma ilha do litoral brasileiro, fazendo aflorar sentimentos e desejos ocultos. Ninguém é o que parece. Desejos reprimidos reaparecem com a força de uma ressaca, em ondas que ameaçam arrebentar tudo, mas que, por algum motivo, acabam fracas "lambendo" a areia. O ciclo recomeça e, um dia, pode ser que o final seja diferente.

A escolha de uma ilha como cenário para este primeiro grande romance do autor reflete o cerceamento de todos os personagens, e não apenas de Fortunato, em uma situação limite, detonadora de conflitos. A ação se desenrola a partir da narrativa de alguns desses personagens, exibindo ao leitor diversos pontos de vista de um mesmo acontecimento. Há Luzia, que sempre morou na ilha; a mãe de Fortunato, a contadora de "causos" que mistura pensamento com reza; Maria, a burguesa entediada com o casamento que redescobre a sexualidade e a identidade em um aparentemente implausível encontro erótico.

Os tipos bem construídos prosseguem com Godofredo, o marido em crise de idade e de autoridade; o tenente Fonseca, duro e incorruptível, mas apaixonado por Maria. Há Frei Miguel que tenta salvar Fortunato do implacável tenente, e Tonho, o pescador desiludido de quem o perseguido espera a salvação. Eles — além dos presos, dos soldados, das prostitutas, das crianças — participam da trama que conduz ao desfecho que (re)une as diversas narrativas que se sucedem e se combinam. Ao final, um novo Fortunato nasce e parece que nada aconteceu, embora tudo tenha mudado.

A barca dos homens é uma metáfora do ciclo da vida. Um livro em que Autran Dourado já se apresenta como o grande romancista e o refinado prosador de suas obras seguintes. E, com certeza, como um dos maiores estilistas de nossa literatura.

Comente  
Instagram

O AUTOR

Waldomiro Freitas Autran Dourado nasceu em Patos de Minas, Minas Gerais, em 1926, e faleceu em 2012, aos 86 anos, no Rio de Janeiro, onde morava desde 1954. É autor de 23 livros, entre romances, novelas e ensaios. Há vários livros seus traduzidos e mais de quarenta teses de mestrado e doutorado sobre sua obra. Seu romance Ópera dos mortos foi escolhido pela Unesco para integrar a Coleção de Obras Representativas da Literatura Universal. Os sinos da agonia foi adotado nos exames de Agregação das Universidades Francesas. Além dos pelo menos nove prêmios que recebeu no Brasil, o autor foi contemplado também com o Prêmio Goethe de Literatura, na Alemanha, e o Prêmio Camões, em Portugal, pelo conjunto de sua obra. A editora Rocco reeditou todos os seus livros, revistos pelo escritor, com projeto gráfico de capa assinado pelo gravurista Ciro Fernandes.

Página do autor +