Capa do livro Na dobra do dia

Na dobra do dia

Autor: marcelo moutinho

Preço: R$ 34,50

232 pp. | 11,5x21 cm

ISBN: 978-85-325-2981-7

Assuntos: CRÔNICA

Selo: Rocco

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Disponível em e-book

Preço: R$ 22,50

E-ISBN: 978-85-8122-547-0

Uma janela na Praça Tiradentes, as reminiscências trazidas pelo casario do subúrbio, o anônimo que maneja uma pipa invisível, todos os dias, na esquina da Rua Mem de Sá. O Rio de Janeiro é cenário primordial para Na dobra do dia, primeiro livro de crônicas de Marcelo Moutinho, autor cuja delicadeza e zelo com a palavra desenham um estilo próprio, já evidente em três elogiados volumes de contos.
 
Ao adotar o universo carioca como ponto de partida para sua lente de cronista, retoma um traço um tanto esquecido nos relatos atuais do gênero. Fazendo jus à tradição de João do Rio e Paulo Mendes Campos, Machado de Assis e Rubem Braga, Moutinho persegue as miudezas, as marcas ao rés do chão, a matéria ordinária dos dias — não apenas banal, mas traiçoeira. Cria relatos de lirismo ligeiro e de assombro, mas também registros atentos de costumes e personagens, fissuras na ordem do mundo, ironias ocultas no vaivém de encontros e desencontros, diapasões do cotidiano.
 
Não à toa, Na dobra do dia é dividido em duas partes — “Pequenos amores da armadilha terrestre” e “As ruas pensam”, frases retiradas de Paulo Mendes Campos e João do Rio, respectivamente. Quando não são as pulsações das ruas, é o espaço doméstico, com suas ciladas, que invade os textos. Os mistérios da casa vazia, o amor desmantelado, a nostalgia no chiado de um long-play. Ecos da memória — a algaravia dos carnavais da infância, a traição na escolha do time de futebol. Às vezes, as crônicas trazem também notícias de alhures. Como a chuva que cai sobre o México, invisível e desconcertante, pondo “um enfeite qualquer na tristeza”. Ou as semelhanças entre quem foi menino durante a ditadura militar, no Brasil e em outros países da América Latina.
 
Como no texto que dá título ao livro, Moutinho investe no espaço fugidio, na “hora imprecisa”, no instante em que “a cidade é borda”. Traço inequívoco de sua literatura, a melancolia dá o tom dos relatos. Mas também um humor fino e surpreendente, forjado na descontração dos bares e na perspicácia dos sambas antigos, a nos lembrar que chope de verdade é com colarinho e que, sim, há botequins que encerram um universo inteiro. São páginas onde a leveza é só disfarce, a revelar: é nas cenas inusitadas, fiapos quase invisíveis na trama da cidade, que pulsa a matéria densa da literatura.

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O AUTOR

Marcelo Moutinho nasceu no Rio de Janeiro, em 1972. É autor dos livros A palavra ausente (Rocco, 2011), Somos todos iguais nesta noite (Rocco, 2006) e Memória dos barcos (7 Letras, 2001), e do infantil A menina que perdeu as cores (Pallas, 2013). Organizou a seleta de ensaios Canções do Rio (Casa da Palavra, 2009), além de antologias como Dicionário Amoroso da Língua Portuguesa (Casa da Palavra, 2009) e Prosas cariocas (Casa da Palavra, 2004). Seus textos foram traduzidos para a França, Alemanha e Estados Unidos, entre outros países. Escreve crônicas semanalmente no site Vida Breve.

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