Capa do livro As últimas cartas de Jacopo Ortis

As últimas cartas de Jacopo Ortis

Coleção Memórias do Futuro

Autor: ugo foscolo

Tradução: Andréia Guerini E Karine Simoni

Preço: R$ 24,50

240 pp. | 13,7x20 cm

ISBN: 978-85-7980-218-7

Assuntos: ROCCO JOVENS LEITORES, FICÇÃO – ROMANCE/NOVELA

Selo: Rocco Jovens Leitores

Disponível em e-book

Preço: R$ 16,00

E-ISBN: 978-85-8122-506-7

Carregado de tintas autobiográficas, As últimas cartas de Jacopo Ortis é tido como o primeiro romance epistolar da literatura italiana. Nele, Ugo Foscolo (1778-1827) exprime toda a sua desilusão para com o naufrágio do sonho de uma Itália unificada sob Napoleão Bonaparte. O livro marca também a estreia da coleção Memórias do Futuro, organizada pelo tradutor, poeta e acadêmico Marco Lucchesi, que reunirá obras em prosa, clássicos inéditos ou pouco conhecidos no Brasil, mas que mantêm o frescor estético e a atualidade.
 
Embora tivesse prometido dar fim à desagregação da Itália, então um amontoado de tiranias locais, Bonaparte optou por assinar o Tratado de Campoformio (1797), cedendo Veneza para os austríacos. Foscolo viu-se obrigado a deixar a cidade, refugiando-se nas redondezas de Pádua, onde deu início à escrita do romance.
 
Assim, nos escombros de um país cujo nascimento parece ter sido abortado, sob o peso desse sonho em ruínas, Jacopo Ortis também se refugia no interior e escreve cartas ao amigo Lorenzo Alderani, procurando dar conta de tal desesperança. “Humana vida?”, ele escreve. “Sonho, enganoso sonho ao qual damos tão grande valor, assim como as mulheres tolas depositam a sua sorte em superstições e presságios!” É a memória ou, melhor dizendo, a nostalgia paradoxal por um futuro que não virá e a tristeza por um passado heroico fadado a não se repetir, ao menos para Jacopo, que tornam essas páginas tão lancinantes.
 
Na aldeia em que está, próxima às colinas Eugâneas, ele conhece Teresa, por quem se apaixona. “Eu a vi, ó Lorenzo, aquela divina moça, e agradeço a você por isso. Encontrei-a sentada, pintando o próprio retrato. Levantou-se e cumprimentou-me como se me conhecesse (...).” Mas, a exemplo dos anseios políticos, os amorosos também não se consumam. O pai de Teresa, acossado por problemas financeiros, arranjou o casamento da filha com um marquês.
 
Confrontado por essa nova desilusão, Jacopo viaja pela Itália enquanto, em suas cartas, reflete sobre a natureza, os rumos da História e seu caráter fugidio e a sua própria precariedade no âmbito de uma vida que parece sempre lhe escapar.
 
Inspirado n’Os sofrimentos do jovem Werther, de Goethe, ainda que o romance de Foscolo carregue o mórbido signo do fracasso, seja político, seja amoroso, é inegável a força que ele retira disso. Se o destino de Jacopo soa tragicamente incontornável, suas reflexões acabariam por municiar aqueles que, depois, lutaram pela Itália, reafirmando não só a pátria tão sonhada, mas a própria vida em sua totalidade.

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O AUTOR

Niccolò Foscolo, que mais tarde adotaria o nome literário Ugo, nasceu em 6 de fevereiro de 1778 em Zante, numa das ilhas jônicas, sob o domínio de Veneza. Poeta, novelista, dramaturgo e tradutor, escreveu a tragédia Tieste aos 19 anos. Mais tarde, combateu os austríacos durante as guerras napoleônicas e, após a cessão de Veneza à Áustria, passou a peregrinar por diversas cidades italianas. Em 1806, de volta a Veneza, terminou sua obra-prima, o poema “Os Sepulcros”. A primeira edição integral de As últimas cartas de Jacopo Ortis foi publicada em 1815. Dois anos depois ele migrou para Londres, perdido entre dívidas e amores infelizes. Morreu em 10 de setembro de 1827, sendo seu corpo trasladado em 1871 para a igreja de Santa Croce, em Florença.

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