Capa do livro O Corpo em que Nasci

O Corpo em que Nasci

Coleção Otra Língua

Autor: guadalupe nettel

Tradução: Ronaldo Bressane

Preço: R$ 34,50

224 pp. | 14x21 cm

ISBN: 978-85-325-2877-3

Assuntos: FICÇÃO – ROMANCE/NOVELA

Selo: Rocco

Disponível em e-book

Preço: R$ 24,00

E-ISBN: 978-85-812-2319-3

Nettel é uma das escritoras com melhor toque literário da narrativa mexicana atual. – Que Leer


Um livro que consegue resolver impecavelmente três objetivos. Primeiro, narrar uma história

de iniciação e aprendizagem. Segundo, traduzir como se constrói um olhar literário.

E, por último, dotar o relato de uma carga moral comovente. – El Cultural


No início de O corpo em que nasci, o leitor se depara com uma narradora ainda criança, lutando contra uma obstrução de nascença de uma de suas pupilas, que a deixa quase cega de um dos olhos. Os médicos aconselham a seus pais uma série de estímulos oculares, o que faz com que, por anos, ela precise enfrentar diariamente a presença de um curativo tapando o olho sem problemas, para que o “defeituoso” se desenvolva. Fora a tortura de passar quase todo o dia tateando um mundo formado por borrões sem forma, para apenas de noite olhar pessoas e objetos com nitidez, o tampão faz com que tenha que enfrentar os comentários curiosos e maldosos de seus colegas de classe. Desde então, ela passa a se sentir uma outsider, sempre isolada, sem se integrar ao ambiente.


A imagem do olho que abre o romance (“Nasci com uma auréola branca, ou o que os outros chamam de mancha de nascimento, sobre a córnea do meu olho direito” – Nettel, 2013, p13) serve para refletir sobre a temática de todo o romance. É através do olhar dos outros que a narradora de O corpo em que nasci encontra pelo caminho, que a visão de si mesma vai se formando. E ela se sente diferente, inadequada. Mas, ao longo das páginas, os conceitos do que é ser diferente e do que é ser normal estão sempre sendo postos em cheque, revelando uma fronteira quase imperceptível entre um e outro.


Narrado do divã de um analista, a narradora despeja um longo depoimento sobre sua infância e adolescência, as marcas irremediáveis que esses acontecimentos deixaram em sua personalidade e o caminho até a aceitação de si mesma. A menina enfrenta ainda a sinceridade desmedida dos pais, que tentam viver os preceitos de liberdade e honestidade dos anos 1970, deixando a filha sempre confusa, com respostas muito mais honestas do que sua maturidade pode compreender; os efeitos de uma vizinhança cercada de exilados argentinos e chilenos, fugidos de ditaduras, com suas crianças traumatizadas e de olhar triste; a aparente injustiça do divórcio; a prisão do pai.


Inspirado na trajetória da autora, o livro acompanha ainda aspectos de sua vida adulta: noites de autógrafos, viagens e toda uma rotina de eventos literários. Olhar para uma foto da autora é comprovar a presença de um olho marcado por uma mancha branca. Mas, ao final do romance, Nettel duvida da veracidade daquilo que relata e declara que, o que conta, não pode ser comprovado. O jogo é justamente esse. Não importa o quão semelhantes são a narradora e a autora, as fronteiras entre ficção e realidade já aparecem irremediavelmente borradas para o leitor.


O corpo em que nasci faz parte da coleção Otra Língua, dedicada a autores hispano-americanos e organizada pelo escritor Joca Reiners Terron, com tradução de jovens autores brasileiros. O livro inclui ainda o texto do escritor mexicano Juan Pablo Villalobos, “Freak is beautiful”, sobre o livro de Guadalupe e a forma como o anormal, o diferente, é uma temática recorrente na obra da autora. “E se alguém se crê normal, será melhor que se apresse a esconder as antenas”, afirma Villalobos ao fim de seu texto.

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O AUTOR

Guadalupe Nettel nasceu na Cidade do México em 1973. Viveu em Paris, Barcelona e Canadá. É autora de três livros de contos, dentre eles Pétalos y otras historias incómodas, vencedor do prêmio Antonin Artaud e do Prêmio Nacional de Literatura Gilberto Owen, em seu país natal. Seu romance El huésped foi finalista do Premio Herralde em 2005. Colabora com revistas literárias francófonas e hispânicas e recebeu o importante prêmio Anna Seghers na Alemanha.

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