Capa do livro Sangue nas Veias

Sangue nas Veias

Autor: tom wolfe

Tradução: Paulo Reis

Preço: R$ 59,50

608 pp. | 16x23 cm

ISBN: 978-85-325-2868-1

Assuntos: FICÇÃO – ROMANCE/NOVELA

Selo: Rocco

Disponível em e-book

Preço: R$ 29,50

E-ISBN: 978-85-812-2298-1

Criador de clássicos contemporâneos como A fogueira das vaidades – mais de um ano na lista dos mais vendidos do The New York Times –, Tom Wolfe retorna à ativa com mais um livro no qual o jornalismo se coloca a serviço da literatura. Em Sangue nas veias, o escritor visita inferninhos, entrevista imigrantes, strippers russas e fisioculturistas, para retratar uma Miami repleta de imigrantes e conflitos culturais, única cidade do mundo onde povos com línguas e culturas diferentes tomaram controle das urnas. Dilemas morais, limites éticos e conflitos étnicos dão o tom à narrativa, talhada com precisão e humor ácido por um dos maiores escritores norte-americanos.

No livro, Nestor Camacho é um cubano de segunda geração, filho de pais refugiados da ilha de Castro em Miami, cidade que transpira cores e calores nos humores instáveis de uma população em permanente tensão cultural e étnica. O policial, que vive esses conflitos no dia a dia, sentindo-se deslocado entre culturas – o espanhol que aprendeu é mínimo e ele sofre diariamente com uma raiva encubada de seus parceiros americanos com sua tez branca, cabelos loiros e olhos azuis – vive uma rotina maçante até que algo muda sua vida: ele salva um homem em alto-mar.

Numa noite de patrulha, Nestor resgata um homem que se encontrava preso em um mastro de uma escuna há poucos metros da costa de Miami. O homem em questão é um refugiado cubano que vê na ação do policial uma tentativa de apreendê-lo e devolvê-lo a Cuba. Ele certamente morreria, e Nestor, que mal consegue entender e muito menos falar espanhol, não hesita em salvá-lo. O atlético protagonista ganha então as páginas do The Miami Herald como o herói do dia, mas os conflitos não demoram a surgir. Para seus familiares e amigos, Nestor ganha pinta de vilão: afinal, ele salvou – mas prendeu – um cubano que teve sua fuga frustrada a apenas 18 metros da costa.

Além do mais, os holofotes que iluminaram sua existência trazem também à tona episódios pouco abonadores, como o da prisão de um acusado de tráfico de drogas negro que sofre abuso racial de seu parceiro.  A gravação da ação cai na grande rede virtual e Nestor fica entre a fúria do prefeito de Miami, que é cubano-americano, e o chefe de política da cidade, que é negro. 

Outro personagem, em contraponto a Nestor, é John Smith, repórter do The Miami Herald que deu notoriedade ao policial ao descrever o salvamento. Smith envolve Nestor numa investigação de fraude no mundo das artes, quando se descobre que as pinturas doadas pelo milionário russo Sergei Korolyov ao museu da cidade que leva seu nome são forjadas. Mas forjado não é o relacionamento do russo com a namorada de Nestor, a enigmática Magdalena, que tem fome de fama e de aproveitar o american way of life ao máximo. Dividida entre vários amores, ela também se relaciona com seu chefe, o doutor Norman Lewis, um psiquiatra que trata de viciados em sexo numa ensolarada e sexualizada Miami.

Sangue nas veias mantém as características que marcaram a obra de Tom Wolfe: aqui, “a fogueira das vaidades” continua mais ardente do que nunca, mostrando a acidez dos ricos e o ódio dos pobres e desvalidos em meio à influência do poder muitas vezes abusivo dos meios de comunicação e ao ridículo de uma sociedade na qual o status é o valor pelo qual se mede um homem.

Leia um trecho +

Comente  
Instagram

O AUTOR

Um dos mais importantes nomes do jornalismo internacional, o norte-americano Tom Wolfe, um dos fundadores do New Journalism, nasceu em 1930, em Richmond, Virginia, e morreu em maio de 2018, aos 88 anos, em Nova York. Verdadeiro documentarista da vida americana, escreveu reportagens que fizeram história para veículos como Esquire, New York Magazine, Harper’s e outros, além de mais de uma dúzia de livros de ficção e não ficção, como o bestseller A fogueira das vaidades, romance que se tornou referência na prosa norte-americana ao pintar um retrato arrebatador e satírico da Nova York movida a dinheiro, poder, ganância e vaidade da década de 1980. Seu último livro, O reino da fala (2016), é um polêmico ensaio sobre evolução e linguística.

Página do autor +