Capa do livro Razões Públicas, Emoções Privadas

Razões Públicas, Emoções Privadas

Autor: jurandir freire costa

Preço: R$ 23,00

148 pp. | 14x21 cm

ISBN: 85-325-1066-3

Assuntos:

Selo: Rocco

Este livro reúne uma seleção de artigos publicados por Jurandir Freire Costa na imprensa. O autor, psicanalista, ocupa hoje um papel singular de pensador que coloca o saber a serviço da melhoria da sociedade, que oferece a teoria como instrumento de ação, que analisa, com rara percepção, um país traumatizado por injustiças, imerso em culpa e carente de equilíbrio e paz. Razões públicas, emoções privadas é dividido em capítulos com "ganchos" sobre livros e autores, cinema, questões do dia-a-dia e o amor. A obra é arrematada com diálogos sobre o amor romântico, a reboque das inúmeras solicitações de leitores de seu último livro, Sem fraude nem favor, publicado no início deste ano.

O autor flagra episódios que fazem parte de um cotidiano que perdeu seu aspecto extraordinário, apesar do horror nele embutido. Como a morte de um doente mental, José Cláudio Barbosa, de 39 anos, mais uma vítima do descaso do sistema de saúde pública. Desigualdades que matam pessoas todos os dias sem que haja culpados ou conseqüências. "Depois, pedimos paz. Mas paz tem mão dupla. Paz é acordo, reciprocidade e solidariedade. Austeridade econômica e progresso social exigem sacrifícios. Mas, de quem? De todos ou apenas dessa gente. Mortes como essas voltam sob a forma de seqüestros, assaltos, tráfico, assassinatos ou farsa religiosa", alerta ele.

Sob o título de "Mas dizei uma só palavra...", Jurandir comenta o filme "O primeiro dia", de Daniela Thomas e Walter Salles Jr. Em seu belo texto, ele se pergunta (e nos pergunta), afinal, qual é o sentido do absurdo brasileiro — se é que pode haver sentido no absurdo. Em "Cenas de humilhação coletiva" aponta para a grosseria e falta de respeito de um programa de TV que entrevistou adolescentes para ilustrar reportagem sobre uma espécie de síndrome de Magda, a personagem bonita e burra do humorístico "Sai de Baixo". "Alguém da produção pensou no que uma daquelas garotas poderia sofrer vendo-se retratada como burra diante da família, do namoradinho, dos colegas da escola etc.?"

Jurandir Freire Costa relembra o caso dos cinco garotos que atearam fogo e mataram o índio pataxó Galdino Jesus dos Santos. E pergunta: "O que estamos fazendo com nossos filhos? Por que, em vez de aproveitar esse maravilhoso potencial de energia, entusiasmo e generosidade, estamos robotizando-os e convertendo-os no lixo do que a cultura do consumo produziu?"

Caráter (ou falta dele), liberdade, tirania da intimidade ("A privacidade burguesa nos levou a crer que a felicidade consiste em satisfazer as aspirações da vida afetiva"), baixeza e grandeza, contradições, emoções, razões, culpas, consolo, desespero, ética, esperança... Esta é uma obra do pensamento. Para ler, pensar e descruzar os braços enquanto ainda é tempo.

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O AUTOR

Jurandir Freire Costa nasceu em 1944 no Recife. É médico e psicanalista, com mestrado em etnopsiquiatria pela École Pratique des Hautes Études de Paris, além de professor do Instituto de Medicina Social da UERJ. Publicou Histórias da psiquiatria no Brasil, Ordem médica e norma familiar, Violência e psicanálise, Psicanálise e contexto cultural, A inocência e o vício - estudos sobre o homoerotismo e A face e o verso. Seus livros A ética e o espelho da cultura (1994) e Sem fraude nem favor (1998) foram publicados pela Rocco.

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