Capa do livro Águas-Fortes Cariocas

Águas-Fortes Cariocas

Coleção Otra Língua

Autor: roberto arlt

Tradução: Gustavo Pacheco

Preço: R$ 36,50

256 pp. | 14x21 cm

ISBN: 978-85-325-2866-7

Assuntos: CRÔNICA, VIAGEM

Selo: Rocco

Disponível em e-book

Preço: R$ 25,50

E-ISBN: 978-85-81222-71-4

Em 1928, o escritor e jornalista Roberto Arlt – morto aos 42 anos e hoje considerado um dos mais importantes nomes da literatura argentina – começou a publicar uma coluna diária no jornal El Mundo, de Buenos Aires. A capital argentina tinha então cerca de dois milhões de habitantes, muitos deles imigrantes ou filhos de imigrantes como o próprio Arlt, que tinha pai prussiano e mãe austro-italiana. A cidade que Arlt retratava em suas crônicas era uma metrópole cosmopolita e ruidosa, habitada por operários, pequenos funcionários, prostitutas, rufiões, ladrões, estelionatários e moradores de cortiços. Era uma visão ácida que destoava da adotada pela elite da Argentina, que considerava Buenos Aires “a Paris da América do Sul”. A coluna de Arlt recebeu vários nomes ao longo dos anos, mas ficou mais conhecida pelo título de “Aguafuertes porteñas”, em referência à água-forte, tipo de gravura feita por meio da ação corrosiva do ácido nítrico sobre uma placa de metal. Sem papas na língua, Arlt comentava situações e personagens típicos do dia a dia de Buenos Aires, sempre em primeira pessoa, ou contava histórias curtas, reais ou inventadas, muitas delas inspiradas em cartas que recebia dos leitores.

Em Águas-fortes cariocas, lançamento da Rocco pela coleção Otra Língua, organizada por Joca Reiners Terron, Arlt retrata a cidade do Rio de Janeiro nos anos 30 a partir de sua visão e escrita singular, que misturava linguagem erudita e coloquial, com termos e expressões usados pelos imigrantes e pelo povo, erros de ortografia e gramática. A coletânea, traduzida e organizada por Gustavo Pacheco, é a adaptação para o português da primeira edição argentina de Águas-fortes cariocas, com 40 crônicas compiladas e transcrição da coleção do jornal El Mundo disponível na hemeroteca da Biblioteca Nacional da Argentina. São apresentados em ordem cronológica 39 textos que Arlt escreveu no Rio de Janeiro publicados entre 2 de abril e 29 de maio de 1930.

Depois de publicar Os sete loucos, para muitos o seu melhor romance, Arlt era um escritor conhecido.  Foi então que o diretor do jornal ofereceu a ele a oportunidade de viajar pela América do Sul escrevendo notas de viagem. Em abril de 1930, após uma breve passagem pelo Uruguai, o escritor chegou ao Rio de Janeiro. Era a primeira vez que saía de seu país. Permaneceria quase dois meses na cidade e nela produziria as águas-fortes cariocas.

As crônicas produzidas por Arlt em suas viagens foram republicadas em coletâneas. Mas isso nunca aconteceu com as que escreveu no Brasil, que permaneceram inéditas, com exceção de “Para quê?”, “Pobre brasileirinha” e “Me esperem que chegarei em aeroplano”, já incluídas em outras compilações.  Nas águas-fortes cariocas são encontradas um retrato muito pessoal e franco não só do Brasil de 1930 mas também da Argentina na mesma época. Chama a atenção, à medida que se avança na leitura, a mudança gradual nas impressões de Arlt ao longo de seus dois meses de permanência no Brasil. As primeiras notas, que enaltecem o Rio e seus habitantes – caso de “Costumes cariocas” –, dão lugar a textos cada vez mais críticos e cáusticos, como em “Quem despreza sua terra”, em que Buenos Aires e a sociedade argentina aparecem como contraponto moderno e civilizado ao atraso em que se encontravam o Brasil e sua capital de então.  Arlt escreve o que quer e da maneira que quer, incluindo opiniões abertamente preconceituosas, racistas e sexistas. 

Águas-fortes cariocas inclui em seu bojo, além das crônicas sobre a cidade do Rio, a crônica “Com o pé no estribo”, de 8 de março de 1930, quando o escritor anuncia aos leitores que vai viajar. Também tem um apêndice, com três textos autobiográficos de Roberto Arlt; uma entrevista com o autor, possivelmente a única existente; e mais três águas-fortes: “Argentinos na Europa”, na qual ele critica as crônicas de viagem escritas por seus compatriotas; e “A crônica no 231” e “O idioma dos argentinos”, nas quais o autor reflete sobre seu trabalho e as características de sua prosa e rebate as críticas sobre o uso do lunfardo (gíria e expressões coloquiais argentinas e uruguaias, originárias dos imigrantes que foram morar na região no final do século XIX).

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O AUTOR

Filho de imigrantes europeus, Roberto Arlt nasceu em Buenos Aires em 2 de abril de 1900. Aos 16 anos ingressou no jornalismo e publicou seu primeiro conto, “Jehovah”. A primeira novela, O brinquedo raivoso, seria publicada dez anos depois. No Brasil, sus relatos foram reunidos em As feras e Viagem terrível, além de Os sete loucos e Os lança-chamas, todos pela Iluminuras. Famoso pela coluna Aguafuertes, Arlt morreu aos 42 anos, e hoje é considerado um dos grandes nomes da literatura argentina.

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