Capa do livro Como Me Tornei Freira

Como Me Tornei Freira

Coleção Otra Língua

Autor: césar aira

Tradução: Angélica Freitas

Preço: R$ 36,50

256 pp. | 14x21 cm

ISBN: 978-85-325-2839-1

Assuntos: FICÇÃO – ROMANCE/NOVELA

Selo: Rocco

Disponível em e-book

Preço: R$ 25,50

E-ISBN: 978-85-81222-69-1

Uma criança de 6 anos é convidada a experimentar sorvete pela primeira vez. Ela se chama César Aira, e ora é uma menina, ora um menino. A experiência com o sorvete não é boa: além do gosto ruim, o episódio desemboca num crime, que engendra uma espiral de situações insólitas, movediças – uma anã visita secretamente a ala infantil de um hospital, o presídio esconde um labirinto onde é possível se isolar por um dia inteiro. Insólita e movediça também é a história da costureira que parte para a Patagônia em busca do filho desaparecido, aventura que acaba se convertendo numa road trip tresloucada, com direito a uma mulher obcecada por seu vestido de noiva, um cassino no meio do deserto, um caminhoneiro sádico e uma perseguição com ares fantásticos.

Apesar de ser autor de muitas dezenas de livros – se mantiver o ritmo, chegará a uma centena em poucos anos -, são escassas as obras de César Aira publicadas no Brasil. Além da novela que dá título ao volume, o livro traz também a história “A costureira e o vento”. As duas novelas representam uma oportunidade rara de ingresso no estilo único do autor argentino, dono de um jeito desconcertante de contar histórias. Isso porque cada narrativa de Aira é, sempre, um convite para a metamorfose infinita, para a transformação radical e sucessiva de seu fio narrativo, para a descoberta de camadas insuspeitas, num jogo de invenção e reinvenção sem regras ou trincheiras.

“Tudo pode parecer surrealista, mas não encerremos Aira em um rótulo, digamos, sim, que ele joga um jogo de possibilidades infinitas”, define Sérgio Sant’Anna no posfácio do livro. “César Aira não é apenas surrealista, porque é único, não se parece mesmo com ninguém (...).” Nesse labirinto de histórias sempre imprevisíveis, “Como me tornei freira” e “A costureira e o vento” têm ao menos um aspecto em comum: as supostas pinceladas autobiográficas – ainda que possivelmente delirantes. Se na primeira surgem elementos evidentes dessa brincadeira biográfica – como o próprio nome da criança-protagonista e a cidade onde ela nasceu, Pringles, a mesma de Aira –, na segunda a eminente presença do autor se dá por meio de um pano de fundo. Pois em paralelo ao enredo principal está a voz de um escritor que, numa estada um tanto melancólica e supersticiosa em Paris, decide escrever a história de uma costureira e de sua relação com o vento. Para a alegria dos leitores, o mote aparentemente romântico acaba se convertendo numa hilariante sucessão de aventuras fantásticas. 

“Como me tornei freira” e “A costureira e o vento” também têm um quê de sombria e estranhamente debochada crítica social. Mas é um terceiro elemento, mais simples, que talvez defina melhor o elo entre as duas novelas desde volume. Como reforça Sérgio Sant’Anna, ambas são, acima de tudo, histórias de aventura. Daquelas que misturam a infindável imaginação infantil à perversidade mais insuspeita – o que as tornam tão fascinantes.

O volume com as duas novelas integra a segunda fornada de publicações de Otra Língua, coleção da Rocco dedicada a autores hispano-americanos, com organização do escritor Joca Reiners Terron e tradução de jovens autores brasileiros. Neste caso, quem verte para a língua portuguesa a obra de Aira é a poeta Angélica Freitas.

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O AUTOR

Nascido em Pringles, Argentina, em 1949, César Aira é romancista, dramaturgo, tradutor e crítico literário. Seu primeiro romance, Moreira, apareceu em 1975, e desde então publicou mais de sessenta volumes, entre romances, contos, teatro e ensaios. Sua obra é traduzida em todo o mundo, incluindo França, Estados Unidos, Rússia, Itália e México. Aira é também professor universitário em Buenos Aires, onde vive e escreve pelo menos dois livros por ano.

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MÍDIA

Crítica debochada
Matéria O Estado de S. Paulo

César Aira na Bienal
Entrevista Folha de S. Paulo

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